<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127</id><updated>2011-08-22T05:59:59.915-07:00</updated><title type='text'>marcosleonel</title><subtitle type='html'>AQUI VOCÊ ENCONTRA ARTES, DERIVAÇÕES E ALOPRAÇÕES</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>142</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-229045285265490068</id><published>2010-07-28T07:49:00.001-07:00</published><updated>2010-07-28T07:49:34.099-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9966;"&gt;Cariricaturas&lt;br /&gt;Do blog para o papel&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Recebi do meu amigo Wilton Dedê, um incansável residente da cultura caririense, um exemplar devidamente autografado do livro “Cariricaturas em Verso e Prosa”, edição que registra o fazer literário de um grupo de escritores que postam suas criações no blog &lt;a href="http://www.caricaturas.blogspot/"&gt;www.caricaturas.blogspot&lt;/a&gt;. Com. Ao ler o livro percebi que nem tudo que está ali é diletantismo e que nem tudo está preso a um passado imóvel, feito naftalinas mofadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou entrar no mérito literário, uma vez entendido que a essência desse feito seja exatamente o ato sacramental e fundador de ações coletivas que encenam suas vivências em um espaço virtual. A partir dessa decupação, dois aspectos me chamaram a atenção nessa obra. Creio que esses aspectos possam traduzir, em parte, aquilo que se pretende em uma criação dessa espécie, bem como aquilo que não se espera em forma de repercussão interventiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro aspecto é o diálogo imaterial e material entre as mídias, a escrituração que sai do campo virtual da rede mundial de computadores, carregando todas as transversais que isso representa, para cair no universo imemorial da imprensa, conservando e prolongando o poder da escrita no papel, e tudo que essa escrita representa dentro da história da humanidade. O outro aspecto é o dialogismo entre o universal e o provinciano, em seu eterno jogo de junção e disjunção na construção do cotidiano das pequenas narrativas individuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da leitura que faço dessa obra que intervém diretamente em nosso universo imaginário como um eterno retorno, os aspectos que me chamaram a atenção revelam o tanto que este livro está inserido em nossa realidade, em nossa contemporaneidade, exatamente pelo que ele tem da fragmentação e da descontinuidade. Se por um lado o “Cariricaturas em Prosa e Verso” busca visibilidade através de um marco, de um registro mais palpável, de um ancoradouro de idéias, de uma amostragem da nossa cultura, por outro lado ele indicia categoricamente também o que é propriedade criativa daquele que navega anonimamente na rede, que está oculto, mas que também é parte dessa bricolagem. Eis o intrigante flâneur da nossa era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de querer ser uma síntese do que se produz artisticamente aqui no Cariri, o “Cariricaturas em Prosa e Verso” se projeta como uma janela de um apartamento do infinito edifício das manifestações culturais. Olhando através dela é possível ter uma visão tremeluzente e impressionada do que aqui se faz e do que aqui se paga. Ao mesmo tempo em que você encontrará o cangaceiro de Wilton Dedê sentado em sua montaria, correndo bribocas secas, tendo lobisomens e volantes em seu encalço, você também encontrará a viva, a mais que presente opacidade das gravuras de Bruno Pedrosa, que oferecem a você apenas o espaço e nenhum chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande barato desse livro é que ele proclama, de forma belamente irônica, a perversão total dos comentários anônimos, a forma anarquista mais temida por aqueles que se relacionam coletivamente na rede mundial de computadores. Agora você pode pegar o livro e fazer o comentário que você quiser. Sem que ninguém saiba quem você é. E mais ainda, sem que os autores nem saibam o que você está comentando e nem para quem você está comentando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-229045285265490068?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/229045285265490068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=229045285265490068' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/229045285265490068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/229045285265490068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2010/07/cariricaturas-do-blog-para-o-papel.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-643305951485576053</id><published>2010-07-22T14:49:00.000-07:00</published><updated>2010-07-22T15:00:39.527-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/TEi_XLXh5UI/AAAAAAAAA-g/KXQNk64sGbM/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496853750115067202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 163px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/TEi_XLXh5UI/AAAAAAAAA-g/KXQNk64sGbM/s400/images.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/TEi-ZJPNTBI/AAAAAAAAA-Y/ecPZToFRUgI/s1600/inter.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;Ler também é arte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em 1990 Umberto Eco foi convidado pela Cambrige University Press a participar do Seminário Tanner. Ele escolheu como tema: interpretação e superinterpretação. E esse é o título do livro, relançado pela Martins Fontes, que contém o registro de todas as conferências feitas naquele evento. Para antagonizar o discurso do convidado também participaram Richard Rorty, Jonathan Culler, Crhistine Brook Rose e Stepthan Collini. Esse é um livro instigante, embora as aparências possam criar uma imagem de futilidade teórica à primeira vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema central do livro é o que verdadeiramente é válido na interpretação crítica de um texto. Diante das inúmeras teorias existentes a respeito do tema, Umberto Eco defende a idéia de que existem limitações para o ato da interpretação, se posicionando contrariamente a muitos seguidores e diluidores do desconstrucionismo e do neopragmatismo, correntes filosóficas que viraram moda, mas que poucos sabem verdadeiramente do que se trata e entende adequadamente suas funções. Da mesma forma que virou moda encontrar navios negreiros navegando em postes da Avenida Paulista, também virou moda malhar Derrida como se ele fosse o Judas da vez. Será que ele realmente balança moedas sorrateiras em seu bolso fantasmagórico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umberto defende a tese de que o próprio texto contém todas as linhas de interpretações possíveis através de marcadores textuais próprios, internos, sendo ele mesmo o indicador das posturas impossíveis. A partir da idéia da linguagem escrita ser um sistema prévio de escolhas e articulações, formando por si camadas estruturais, Eco entende que o texto pode abrigar inúmeros significados, tornando a obra opaca, suscetível a várias possibilidades de leitura. Essa mesma tese ele defendeu em outro livro, “A obra aberta”, em que ele alude também ao poder de leitura do indivíduo, a partir do seu conhecimento prévio sobre um determinado universo de significações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros autores que participaram das conferências fizeram várias considerações, algumas concordando com a posição de Umberto Eco e outras discordando completamente. Entre essas conferências uma chama a atenção pelo radicalismo inerente, a do neopragmatista Rorty, que defende a idéia de que qualquer um faz o que quer com qualquer texto, uma vez que não existe necessariamente uma realidade a se desvendar, ou uma essência significativa em texto nenhum. Para Rorty o que existe são usos que o leitor faz do texto e que cada um tem a capacidade de fazer interpretações mais ou menos pertinentes daquilo que está escrito, uma vez que o texto é autônomo, independente, livre, sem ligações com o autor ou o tempo histórico em que está inserido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independente de qualquer corrente que você siga sobre o tema, ou se não tem nenhuma, tanto faz, vale ressaltar aqui, o quanto que Umberto Eco é ágil em seu arcabouço de conhecimentos. Sem parecer pedante ou radical; sem dar carteiradas científicas canhestras; sem buscar na ciência um poder duvidoso de determinar o que é verdadeiro ou não; o leitor tem aqui um autor em plena forma intelectual, transbordando erudição e perspicácia, exalando inteligência plena em cada formulação, em cada sentença proferida. Esse mesmo é um livro capaz de provar que aquilo que se escreve acumula camadas estruturais que fornecem os elementos interpretativos para o leitor e que essas interpretações são orbitais, de acordo com a capacidade de aprofundamento de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também vale ressaltar que na estrutura profunda dessas conferências reside a certeza de que ainda falta muito para se debater sobre a desconstrução e que os imediatistas conservadores podem ter que engolir suas palavras transformadas em críticas vaporosas sobre as teses de Derrida e Lyotard, só que agora providos de próteses, uma vez que seus dentes vampirescos foram quebrados pelas pulsões da pós-modernidade. Seria, pois, mais do que oportuno, após a leitura hiper recomendável de “Interpretação e Superinterpretação”, o leitor mergulhar nos ensaios de Jacques Derrida contidos no livro “A Escritura e Diferença”, caro, porém fundamental. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-643305951485576053?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/643305951485576053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=643305951485576053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/643305951485576053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/643305951485576053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2010/07/ler-tambem-e-arte-em-1990-umberto-eco.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/TEi_XLXh5UI/AAAAAAAAA-g/KXQNk64sGbM/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-5647868946461566205</id><published>2010-07-22T13:04:00.000-07:00</published><updated>2010-07-22T13:05:06.223-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffcc66;"&gt;Dos grifos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Assinalar como inconfundível&lt;br /&gt;A trapaça da presença camuflada&lt;br /&gt;Das gruas ante o pulo dos desesperados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinalar como irrefutável&lt;br /&gt;A carcaça da ausência alimentícia&lt;br /&gt;Do microondas bipolar posto na sucata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinalar como imensurável&lt;br /&gt;A velha rua que sobrevive ao eterno&lt;br /&gt;Apenas com verdades banais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinalar como praticável&lt;br /&gt;Tudo aquilo que se destitui facilmente&lt;br /&gt;Das qualidades essenciais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinalar como insuportável&lt;br /&gt;A falta de subversão na resistência&lt;br /&gt;E no formol da organização cultural&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esquecer jamais&lt;br /&gt;Que a verdade é a maior entre&lt;br /&gt;As maiores sabotagens da ciência&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-5647868946461566205?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/5647868946461566205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=5647868946461566205' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5647868946461566205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5647868946461566205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2010/07/dos-grifos-assinalar-como-inconfundivel.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-144692048767257127</id><published>2010-06-22T20:50:00.000-07:00</published><updated>2010-06-22T20:51:56.723-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffcc66;"&gt;&lt;strong&gt;O twitter de Eloá&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Também pudera Eloá&lt;br /&gt;Você deixou a porta aberta&lt;br /&gt;Para quem quisesse entrar&lt;br /&gt;A metodologia expressa&lt;br /&gt;Da sociedade organizada&lt;br /&gt;Vai entender a pressa&lt;br /&gt;Com que se entra e sai&lt;br /&gt;Da sua página virtual exposta&lt;br /&gt;Ela mesma não se arrepende&lt;br /&gt;Por não te perdoar&lt;br /&gt;Mas perdulária anota tudo em&lt;br /&gt;Sua inútil pesquisa universitária&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto pense bem Eloá&lt;br /&gt;O sistema público de cultura&lt;br /&gt;Não serve nem cafezinho&lt;br /&gt;E nem tem poltrona acolchoada&lt;br /&gt;A área vip fica do outro lado&lt;br /&gt;É só para quem tem crachá&lt;br /&gt;De curadoria da arte popular&lt;br /&gt;Pública e de privada social&lt;br /&gt;Água encanada é tecnologia básica&lt;br /&gt;Não se compara à página&lt;br /&gt;De relacionamento&lt;br /&gt;Com 140 caracteres&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-144692048767257127?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/144692048767257127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' 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href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8528139732165393723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8528139732165393723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8528139732165393723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8528139732165393723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2010/06/raro-amor-agora-meus-dias-serao-magros.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' 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/&gt;A mulher barbada venha lhe buscar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passado sobrevive em retalhos&lt;br /&gt;Mesmo quando é rasgado por inteiro&lt;br /&gt;Você sobe ou desce uma escada e&lt;br /&gt;Está lá contando piadas sujas&lt;br /&gt;Por vinte e três anos você não&lt;br /&gt;Poderá sorrir nem por dinheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No auto-falante Paulo Sérgio cantava&lt;br /&gt;Seus sentimentos embalsamados&lt;br /&gt;Não era possível perceber que&lt;br /&gt;A inocência se sufocava aos poucos&lt;br /&gt;Espremida entre a sua mão e a dele&lt;br /&gt;Um pouco antes do espetáculo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8466102040240773559?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8466102040240773559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8466102040240773559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8466102040240773559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8466102040240773559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2010/02/mulher-barbada-depois-que-voce-estiver.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' 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/&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim&lt;br /&gt;ainda existe um novo destino&lt;br /&gt;espreitando uma vaca nova&lt;br /&gt;o futuro nega a cumplicidade&lt;br /&gt;necessária para ele abandonar&lt;br /&gt;a tragédia que existe em si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o atirador de facas&lt;br /&gt;encara destemido o seu desafio&lt;br /&gt;o público suspira um momento e&lt;br /&gt;logo se entrega ao delírio de ver&lt;br /&gt;a culpa nua montada em um&lt;br /&gt;pônei geneticamente modificado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-5376156860147900109?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/5376156860147900109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=5376156860147900109' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5376156860147900109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5376156860147900109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2010/02/o-atirador-de-facas-mesmo-assim-assim.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4578589947862272991</id><published>2010-01-05T13:36:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T13:46:40.010-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/S0OyJxddubI/AAAAAAAAA8k/-LkOY8aPOOw/s1600-h/matriuska.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423374257249696178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 213px; CURSOR: hand; HEIGHT: 280px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/S0OyJxddubI/AAAAAAAAA8k/-LkOY8aPOOw/s400/matriuska.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;A fatoração existencial de Matriuska&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;São poucos os títulos de livros que se permitem ao mesmo tempo a secura e o êxito. “Matriuska” é um deles. Esse é o título do livro de contos do cearense Sidney Rocha, cuidadosamente editado pela Iluminuras. Eis um sítio arqueológico encravado bem no meio do deserto cotidiano das altas tecnologias de mercado. De dentro dos dezoito pequenos contos brotam mulheres únicas, mas uma como contigüidade da outra, e todas carnavalizadas diante do inusitado que é o des-significado da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem de Sidney Rocha é absurdamente adulta, adúltera, adulterada. A descontinuidade; a fragmentação; a vertigem; o desvão; o abismo; a circularidade dos labirintos; a plenitude do asfalto; a exoneração categórica do compartilhamento dos armários de rodoviária; a solidão esquizóide de uma camisinha desencolhida pela descompressão de um saco de lixo; a inutilidade premente e sem culpa da última vulgata desapropriada pelo sagrado em rota de fuga; e muito mais, além do fetiche, é claro, fazem parte do universo literário que brota aos punhados nos contos de “Matriuska”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sintaxe particular de Sidney Rocha na realidade não é única, ela é um desdobramento arquitetônico em fluxo que atravessa também a sintaxe de uma gama de outros desconstrutores, tais como, entre tantos, Robbe-Grillet, Claude Simon e Philippe Sollers. Mas, o que de fato isso importa? Nada. Mesmo porque a abordagem temática é outra e as intenções de descarnar o enredo até o osso passam necessariamente por outras vias. Restam aí, pois, a esfinge das pequenas narrativas como texturas refinadas da grande história e a dessacralização da eloqüência temática como fonte única da grande literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema recorrente de “Matriuska” é a inserção da mulher no seu cotidiano, sem afetações heróicas ou humanistas. São sonhos, desilusões, desejos e fetiches, expostos sem truques teatrais ou arcabouços monumentais. Apenas o ser e o estar, sem maquinações de laboratórios ou defesas brilhantes de teses que não servem absolutamente para nada. A ambientação é urbana. Demasiadamente urbana. O livro tem cheiro de ferro, aço, vidro, plástico e asfalto. A cor predominante é o cinza chumbo do concreto. As arestas, as janelas, o riso tímido e os ruídos, ficam por conta do imenso tráfico de humanidade que existe em cada metrópole, mesmo que a província esteja registrada na carteira de identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sotaque de Sidney Rocha é extremamente simpático e envolvente. Suas pequenas histórias são rápidas, mas são duradouras. São novas trilhas abertas nesse emaranhado literário contemporâneo. São contos pequenos na quantidade de linhas, mas são enormes em seu feitio artístico. Nem os maneirismos de vitrine, as soluções programadas dos Best-sellers, os mistérios cinematográficos e nem as patéticas claquetes da chamada cultura alternativa você encontrará aqui. Também não espere a natureza ser salva, a corrupção ser extinta, o capitalismo ser desmascarado, o povo ser celebrado através do resgate das raízes culturais. Muito menos a confissão mirabolante dos sete anões no caso de estupro da panaca branca de neve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugiro que a sua leitura comece exatamente pelo conto que dá título ao livro, exatamente na página 23. Quando a personagem começa retirar da bolsa todas as suas importâncias, o leitor é apresentado a um escatológico desfile de objetos e fetiches. Eis o valor de uma lembrança. Eis o ser inserido em sua significativa insignificância. É só um lampejo. É só um fôlego. A partir daí, então, você terá um universo inteiro aos seus pés, pois literalmente o seu mundo será colocado de cabeça para baixo. Esse é um livro próprio para quem tem o hábito da leitura. Mais definitivamente: é um livro impróprio para quem não largou o hábito e vive de antigas sagrações&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4578589947862272991?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4578589947862272991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4578589947862272991' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4578589947862272991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4578589947862272991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2010/01/fatoracao-existencial-de-matriuska-sao.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/S0OyJxddubI/AAAAAAAAA8k/-LkOY8aPOOw/s72-c/matriuska.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4678682552910931318</id><published>2010-01-04T14:14:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T14:15:57.230-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O enquadramento&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por três dias seguidos&lt;br /&gt;a cabeça de Alomar está exposta&lt;br /&gt;naquela estaca indefesa para&lt;br /&gt;a maldição dos segredos&lt;br /&gt;a retórica retorcida das moscas&lt;br /&gt;incomoda menos do que&lt;br /&gt;aqueles olhos abertos por três dias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não as intumescidas eternidades&lt;br /&gt;não os apanágios sobre a dor&lt;br /&gt;nem as ataduras turvas da história&lt;br /&gt;ou até mesmo o silêncio tênue&lt;br /&gt;que envolve a música do universo&lt;br /&gt;o que mais importa agora é o&lt;br /&gt;que aqueles olhos viram por último&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por três dias seguidos&lt;br /&gt;olho para o rio e suas águas lentas&lt;br /&gt;espero pacientemente pelo pintor&lt;br /&gt;que vai aprisionar a multiplicação&lt;br /&gt;dos punhais e dos alvos varais&lt;br /&gt;por três dias seguidos minha&lt;br /&gt;covardia escorre naquela estaca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4678682552910931318?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4678682552910931318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4678682552910931318' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4678682552910931318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4678682552910931318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2010/01/o-enquadramento-por-tres-dias-seguidos.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8194269239919862711</id><published>2009-12-31T06:24:00.000-08:00</published><updated>2009-12-31T06:25:28.594-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffcc66;"&gt;Já quatro da madrugada&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um herói licenciado pela Marvel&lt;br /&gt;Um refil de desodorante adulterado&lt;br /&gt;Uma revista masculina lacrada&lt;br /&gt;Um livro qualquer de Augusto Cury&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado da cama uma mesinha&lt;br /&gt;Em cima dela os tranqüilizantes&lt;br /&gt;Meio copo com água São Geraldo&lt;br /&gt;E um anúncio dos classificados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À frente do quarto e sala fica uma&lt;br /&gt;Loja imensa do grupo Extra&lt;br /&gt;Ao fundo todas as ilusões perdidas&lt;br /&gt;Estão jogadas num beco sujo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do guarda-roupa entre os&lt;br /&gt;Fetiches e os objetos íntimos&lt;br /&gt;Está o crachá do IML bem ao lado&lt;br /&gt;De uma velha lata de panetone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nela estão guardadas todas&lt;br /&gt;As fotos tiradas sorrateiramente&lt;br /&gt;Dos cadáveres femininos com suas&lt;br /&gt;Vulvas avulsamente mortas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8194269239919862711?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8194269239919862711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8194269239919862711' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8194269239919862711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8194269239919862711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/12/ja-quatro-da-madrugada-um-heroi.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4813212081782738347</id><published>2009-11-24T04:24:00.000-08:00</published><updated>2009-11-24T04:25:32.072-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;Três para uma&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três parcas rindo&lt;br /&gt;sentadas no banco da praça&lt;br /&gt;chupando picolé de tamarindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três traças ouvindo Wando em um canto&lt;br /&gt;obscuro da sala sendo lavada no domingo&lt;br /&gt;ao passo do repassado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um policial assistido psicologicamente&lt;br /&gt;Um doutor diplomado à distância&lt;br /&gt;Um grande postador de blog&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três oportunidades únicas&lt;br /&gt;socadas em uma garrafa pet reciclável&lt;br /&gt;para Anunciada deixar de ser assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela não alivia em nada a sua sede&lt;br /&gt;prefere trepar com meninos bem meninos&lt;br /&gt;enchendo a boca com seus leitinhos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4813212081782738347?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4813212081782738347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4813212081782738347' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4813212081782738347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4813212081782738347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/11/tres-para-uma-tres-parcas-rindo.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4309867925625385682</id><published>2009-11-22T10:02:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T10:17:56.176-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/Swl_UYbj6gI/AAAAAAAAA70/ZK2i2a3WB-g/s1600/caim1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406992815767153154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/Swl_UYbj6gI/AAAAAAAAA70/ZK2i2a3WB-g/s400/caim1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff00;"&gt;OS CÃES DE CAIM&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A raça humana não existe mais. Foi extinta ante o tinto da tinta, bem muito às quantas. Que se dane a compaixão. Que seja travestida de miséria quântica a última misericórdia. Sem cordialidades: deus foi rebaixado de posto, o diabo foi remarcado em promoção de camelô, o mito foi des-crito no fel da infidelidade e o homem foi mentecaptado, jogado em catapulta literária para o mais puro em finito. Tudo isso você pode encontrar no último Saramago, &lt;em&gt;Caim&lt;/em&gt;, um livro que se apropria de tudo aquilo que é proscrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a imprensa - que quase sempre é imprensada pelo empreendimento e quase sempre muito bem embalada para presente, sem nenhum futuro – que o autor português começou a planejar o seu novo livro há muito tempo atrás, mas só em dezembro de 2008 começou a escrever, e que ainda em quatro meses deu por terminado. Em verdade, segundo Saramago, foi um transe experimentado inusitadamente. De fato não importa o tempo. O livro foi publicado e com ele vieram o deleite e as velhas polêmicas geradas desde o seu grandioso &lt;em&gt;O Evangelho Segundo Jesus Cristo&lt;/em&gt;, um dos maiores exercícios literários de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Caim&lt;/em&gt; fortalece o legado irônico de Saramago e a sua técnica invejável de contador de histórias. Seus truques são manjados. O que faz dele o maior escritor vivo é exatamente a habilidade que ele tem em encantar com as mesmas ferramentas. Os parágrafos imensamente imensos; a pontuação desalojada; a metalinguagem refinada; a polifonia intricada; a diegese descomunal; os arabescos neo-barrocos; o dialogismo despido do utilitarismo vigente na literatura de mercado; o fantástico; a suprema ironia e o profundo desdém pelo convencionalismo da ética humana; além de outros pormenores; estão todos lá, como jóias de um tesouro pertencente a um pirata movido pela sagacidade ímpar de sabotar toda a dissimulação da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Caim&lt;/em&gt; existe um vórtice que aniquila o tempo e o espaço, um velho sonho do homem. Caim é levado a percorrer vários caminhos míticos do velho testamento, sem cronologia e sem geografia estabelecidas dentro de uma linearidade. A trajetória de Caim é a própria trajetória da dessacralização de todos esses mitos elencados no enredo de Saramago. Da mesma forma em que o narrador do incomparável &lt;em&gt;O Evangelho Segundo Jesus Cristo&lt;/em&gt; faz questão de se distanciar do tempo mitológico, citando referenciais da realidade contemporânea, através de um cinismo singular, o narrador de Caim também o faz, como na passagem em que ele traça um paralelo entre a destreza náutica da arca de Noé e a lerdeza de vôo do Zeppelin Hindenburg.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Além da destituição da autoridade cosmogônica Saramago se aprofunda ainda mais nas frestas da exegese do Velho Testamento e provoca judeus, católicos e quem quer que seja e que esteja ligado ou religado à legitimação da palavra revelada de qualquer religião. Não há perdão para Saramago, para ele o discurso religioso é uma grande trapaça. Quando ele coloca deus e o diabo com minúsculas, ele não só rebaixa o mito da divindade e da queda, através de uma humanização das duas maiores entidades do eterno maniqueísmo entre o bem e o mal, como também ele rebaixa a própria condição humana ao colocar os dois como sádicos, violentos, sujos e sem escrúpulos, tal qual a escória humana que controla as nações e as corporações. Esse é o grande trunfo lúdico de Saramago: entornar a humanidade e sua história dual de mito e realidade em um só caldo nefasto de decadência absoluta, através de aproximações e distanciamentos, construções e desconstruções. Não é a toa que Caim troca de identidade com Abel. Ora está vivo, ora está morto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O assassinato de Abel é apenas o ponto de partida para uma série de aniquilamentos. A linguagem literária de Saramago é tão carregada de significados que a própria eloqüência e a grandiosidade que se requer para uma narrativa épica do fim da humanidade para um recomeço promissor, foram categoricamente desconstruídas por pequenas narrativas de coisas pequenas dos personagens em um cotidiano pequeno, que aparentemente não têm razão ou força literária. O próprio assassinato é narrado em duas frases rápidas, sem qualquer espetaculismo. Esse aniquilamento se desdobra em fatos diversos, como o aparecimento de Lilith em mito e em obscenidade, que representa a mulher decaída, mas poderosa em sua capacidade de procriar a decadência e o mal. Essa não é a única amante de Caim, que se deita em lascívia e luxúria com todas as mulheres que cercam Noé, mas acaba assassinando todas, para que a raça humana não deixe vestígios, apenas ele, Caim, a decadência imortal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;É possível perceber a força impiedosa do esvaziamento na narrativa de &lt;em&gt;Caim&lt;/em&gt; nesse fragmento tão desconcertante quanto magnético, um diálogo travado entre Deus e Caim, diante de Noé e sua engenhosidade: “(...) Não me disseste que vieste aqui fazer, disse deus, Nada de especial, senhor, aliás não vim, encontrei-me cá., Da mesma maneira que te encontraste em Sodoma ou nas terras de us, E também no monte Sinai, e em Jericó, e na torre de babel, e nas terras de nod, e no sacrifício de Isaac, Tens viajado muito, pelos vistos, Assim é, senhor,mas não que fosse por minha vontade, pergunto-me até se estas constantes mudanças que me têm levado de um presente a outro, ora no passado, ora no futuro, não serão também obra tua, Não, nada tenho que ver com isso, são habilidades primárias que me escapam, truque para épater Le bourgeois, para mim o tempo não existe, Admites então que haja no universo uma outra força, diferente e mais poderosa que a tua, É possível, não tenho por hábito discutir transcendências ociosas (...)”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Caim&lt;/em&gt; é para ser lido sem os olhos do fundamentalismo e sem a estupefação imbecilizada do burguês diante do mito esfacelado em pedaços. Se cabe alguma crença na leitura desse míssil nuclear teleguiado pelos séculos sem fim amém, é justamente a crença suprema no poder infalível da grande arte não resolver absurdamente nada, inclusive o absoluto, com todos os seus disfarces noturnos e diurnos em ser aquilo que é, sem nunca ter sido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4309867925625385682?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4309867925625385682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4309867925625385682' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4309867925625385682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4309867925625385682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/11/os-caes-de-caim-raca-humana-nao-existe.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/Swl_UYbj6gI/AAAAAAAAA70/ZK2i2a3WB-g/s72-c/caim1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1981835625633945071</id><published>2009-09-22T15:53:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T15:54:01.088-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;A eternidade de um segundo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Arrastem o corpo de Ramiro&lt;br /&gt;Por todas as ruas estreitas&lt;br /&gt;Em torno do mercado central&lt;br /&gt;Risquem sem piedade com&lt;br /&gt;O sangue fresco toda a largura&lt;br /&gt;De toda avenida perimetral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortem os sinais vermelhos&lt;br /&gt;E com o zoom de nano celulares&lt;br /&gt;Registrem amadoristicamente&lt;br /&gt;Restos de carne de músculos&lt;br /&gt;E de gordura presos ao asfalto e&lt;br /&gt;Postem os arquivos na rede&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem nenhuma trapaça deixem&lt;br /&gt;Que ele vire carcaça exposta&lt;br /&gt;Pendurada no próprio mau cheiro&lt;br /&gt;Bem em frente às oportunidades&lt;br /&gt;Do maior Atacadão de um real&lt;br /&gt;Que fica vizinho à moderna lotérica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não esqueçam nunca de&lt;br /&gt;Rejeitar com toda a veemência&lt;br /&gt;A mais remota possibilidade da&lt;br /&gt;Décima terceira Alice também ter&lt;br /&gt;Sido maravilhada ao ser bolinada em&lt;br /&gt;Sua volumosa vulva de breve idade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1981835625633945071?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1981835625633945071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1981835625633945071' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1981835625633945071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1981835625633945071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/09/eternidade-de-um-segundo-arrastem-o.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1242615180866478763</id><published>2009-09-16T14:58:00.000-07:00</published><updated>2009-09-16T14:59:06.891-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;193 minutos depois&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dos danos da alma&lt;br /&gt;E da efusão dos afazeres&lt;br /&gt;Filomena tem a precisão&lt;br /&gt;Recenseada de uma bomba&lt;br /&gt;De gasolina eletrônica fincada&lt;br /&gt;Além dos vapores submersos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abismada em cismas de&lt;br /&gt;Recombinações sentimentais&lt;br /&gt;Ela deriva o delírio de rever&lt;br /&gt;Averiguações teóricas sobre &lt;br /&gt;A tese dos simulacros do&lt;br /&gt;Francês Jean Baudrillard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconhece e desconhece&lt;br /&gt;Caminha sozinha sobre o&lt;br /&gt;Concreto escovado da calçada&lt;br /&gt;Entra na loja de necessidades&lt;br /&gt;Aberta vinte e quatro horas&lt;br /&gt;O caixa baba o sono imperfeito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sempre compra&lt;br /&gt;Absorventes com abas após&lt;br /&gt;Se masturbar menstruada&lt;br /&gt;Na penumbra de velórios&lt;br /&gt;Até ser enxotada por Deus&lt;br /&gt;Pela madrugada a fora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1242615180866478763?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1242615180866478763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1242615180866478763' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1242615180866478763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1242615180866478763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/09/193-minutos-depois-dos-danos-da-alma-e.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7835069160976141058</id><published>2009-08-14T20:07:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T20:11:57.431-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SoYm4a3S5zI/AAAAAAAAA7k/EVEZkWFPggk/s1600-h/untitled1210.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370022356411672370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 215px; CURSOR: hand; HEIGHT: 352px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SoYm4a3S5zI/AAAAAAAAA7k/EVEZkWFPggk/s400/untitled1210.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;O Cavaleiro Inexistente – Italo Calvino&lt;br /&gt;A retroversão da ausência&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Italo Calvino é um arquiteto da palavra e um contador de histórias cheio de encantamento. A inventividade de Calvino tem muitas facetas e uma delas é o estranhamento fantástico de seus enredos singulares, fragmentados em um caldeirão de signos e referências. “O Cavaleiro Inexistente” faz parte da hiperbólica trilogia “Os Nossos Antepassados”, em que o autor apresenta uma Idade Média ludicamente destituída das suas idealizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia, os jogos literários, as paródias, as intertextualidades, a metalinguagem e o experimentalismo fazem de Italo Calvino um dos maiores escritores do século XX. No entanto, todo esse aparato literário por si só não é suficiente para projetar um escritor no grupo dos essenciais. É preciso ter voz única e uma especificidade que justifique o falível e o infalível inerente à autenticidade. Isso ele tem de sobra. As pouquíssimas páginas de sua trilogia primordial atestam todo seu talento ímpar, através de um poder de síntese mágica, reservada para uma minoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Cavaleiro Inexistente” teve a sua primeira edição em 1959 e conta a história impossível de um nobre cavaleiro das gloriosas tropas de Carlos Magno, que inexiste em sua armadura reluzente. Agilulfo Emo Bertrandino dos Guildiverni e dos Atri de Corbentraz e Surra, cavaleiro de Selimpia Citeriore e Fez, contraria a existência através da sua inexistência que existe. Ele é o último de uma linhagem legítima de nobres idealizados em meio a uma decadência generalizada prestes a esfarelar os valores de uma era inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz metálica dentro da armadura impecável é carregada pela angústia anônima dos destinados a religar o fim ao início da história, que se recusa a passar e se quer eterna. O paladino Agilulfo é decidido a se entregar à causa cristã, respaldada que é pela poderosa armada do grande imperador Carlos Magno e sua sede de conquista em nome de Deus. Entre uma batalha e outra Agilulfo tem a sua condição de nobre cavaleiro questionada. De imediato ele parte em busca de provar a sua honra, vai atrás de uma virgindade defendida em um passado remoto. Isso é suficiente para um enredo inesperado criar forma.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370022757663903666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 355px; CURSOR: hand; HEIGHT: 293px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SoYnPxpSD7I/AAAAAAAAA7s/d0LSNo5UZmQ/s400/italo_calvino.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A engenhosidade de Calvino não está apenas na criação em abismo, em que uma freira é condenada a escrever o próprio livro da sua vida – que é o livro que se lê -, tendo Agilulfo como uma esfinge incapaz de decifrar o seu cativo enigma. Calvino vai além disso, ele adiciona uma farta dose de ironia anárquica onde existia apenas o riso de Cervantes ao desconstruir o cânone dos romances de cavalaria, além de permear uma densidade de signos e símbolos, construtora da opacidade maior desse enredo maravilhado. Italo Calvino desdobra Cervantes e Rabelais em um constante processo de metalinguagem, de apropriações e desapropriações estéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através da simetria insípida, racional e burocrática de Agilulfo, que se auto proclama instrumental: “Não ofendo ninguém: limito-me a explicitar fatos, lugar, data e uma grande quantidade de provas!”, Calvino aponta para o objeto deslumbrado com o próprio objeto, como um simulacro da eternidade que expurga qualquer resquício da subjetividade e da miserável paixão humana, alimentada pela assimetria do aleatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agilulfo tem voz, mas não tem linguagem pulsante. Ele não conhece o sabor da derrota, do fracasso, ele é um infalível sem falo, por isso inumano, apenas uma farsa, uma fantasmagoria. Ele é a própria embalagem a vácuo da assepsia contemporânea, como uma cosmogonia que revela o universo do nada, da antimatéria. Mas isso não é tudo. O enredo reserva ainda muitas surpresas, através de uma narrativa extremamente encantatória, hipnotizadora, revestida de um humor refinado, capaz de criar cenas verdadeiramente antológicas dentro da literatura universal. O mais espantoso é que tudo isso está contido em apenas 133 páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer obra de qualquer escritor medíocre, tipos como Gurdulu, o escudeiro mais improvável das histórias de cavalaria; a viúva Priscila, que tem o caos dos desejos sexuais pintado em suas unhas libidinosas; Torrismundo, que arrasta um baú de ressentimentos insolúveis; Rambaldo, que se deslumbra com a precisão de Agilulfo, mas que se enreda nos vacilos viçosos da paixão; e Bradamante, a própria divisória entre o sagrado e o profano em sua eterna guerra pelos caminhos errantes da terra; precisariam de páginas e mais páginas para respirar e ter vida. Com Italo Calvino não, pois ele é mestre. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7835069160976141058?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7835069160976141058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7835069160976141058' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7835069160976141058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7835069160976141058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/08/o-cavaleiro-inexistente-italo-calvino.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SoYm4a3S5zI/AAAAAAAAA7k/EVEZkWFPggk/s72-c/untitled1210.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3487028908583025366</id><published>2009-08-12T18:23:00.000-07:00</published><updated>2009-08-12T18:28:16.098-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SoNrzf5rVxI/AAAAAAAAA7U/KpPMbWM4qBQ/s1600-h/alex-ross-capa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369253713236678418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; CURSOR: hand; HEIGHT: 349px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SoNrzf5rVxI/AAAAAAAAA7U/KpPMbWM4qBQ/s400/alex-ross-capa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;O resto é ruído&lt;br /&gt;Escutando o Século XX – Alex Ross&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A complexidade da arte no século XX é verdadeiramente inegável. Suas várias tendências e suas várias implicações histórico-filosóficas exigem agora uma reapropriação desse material denso e opaco para uma melhor leitura e compreensão. No campo da música clássica esse é um livro que preenche essa funcionalidade com uma invejável grandeza e fôlego, fornecendo referenciais e propondo redimensionamentos essenciais. “O Resto é Ruído – Escutando o Século XX”, de Alex Ross, editado pela Companhia das Letras, 679 páginas, tem lugar garantido em qualquer estante destinada às obras fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alex Ross é um renomado crítico musical americano. Só mesmo a hipocrisia e a falta de maturidade intelectual podem contestar o papel da crítica em qualquer ambiente artístico. Alex Ross é crítico de música clássica contemporânea da revista “New Yorker”. Além de um vasto conhecimento teórico de orquestração e harmonização, ele também apresenta nesse livro estupendo, um meticuloso trabalho de pesquisa documental, que resulta na revelação de um complexo aparato histórico que deu sustentação para a origem das inúmeras tendências analisadas tanto no cenário da música clássica contemporânea, como no jazz, no rock e no pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de quase 700 páginas, Alex Ross mostra como o mundo viu a ideologia romântica austro-alemã dar lugar a uma multiplicidade de tendências que surgiram a partir do abandono gradativo da tonalidade em busca do atonalismo, do serialismo, das intervenções, do minimalismo, das colagens, dos ruídos e das preparações eletrônicas. O grande lance de Ross é ressaltar como a música, e qualquer expressão artística, não se desvencilham do seu tempo, da sua política, da sua economia, da sua filosofia, da sua cultura e dos seus arquétipos. Outra cartada de mestre de Ross é evidenciar a influência direta dos bastidores no resultado final das relações de trocas no mercado simbólico da dita música séria, de concerto.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369253923917974274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; CURSOR: hand; HEIGHT: 325px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SoNr_wwAywI/AAAAAAAAA7c/sPZnIGz2Njg/s400/alex-ross-interna.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Depois da leitura dessa obra-prima você compreenderá perfeitamente como os dois grandes conflitos mundiais foram importantes para o surgimento do radicalismo em experimentações estéticas das mais diversas. É muito gratificante entender como a ação de regimes totalitários como o nazismo, o fascismo, e o comunismo, bem como a esquizofrênica democracia americana da guerra fria atuaram diretamente no cenário musical de forma nefasta e hedionda. Da mesma forma que é possível, logo nos primeiros contatos, conceber o quanto que, infelizmente, é plausível a presença do preconceito racial, econômico e sexual, por trás dos grandes nomes da música clássica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “O Resto é Ruído”, Alex Ross esmiúça obras, autores, grupos, escolas, tendências e dissidências da música clássica do século XX e XIX, com um conhecimento de causa impressionante. Ele aponta relações estéticas, influências e desdobramentos a partir da análise cuidadosa de grandes obras, cada uma inserida em seu tempo e em sua localidade. Assim fica fácil perceber que o velho mundo não é civilizado como se pensa. Ações e reações se misturam em uma dialética social em que o extremismo e a violência imperam, sejam de forma material ou imaterial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, e de outras vertentes embutidas na composição dos capítulos, o leitor encontrará subsídios suficientes para a explicação da decadência e estagnação da música clássica e da conseqüente transformação dos repertórios em verdadeiros museus. Outros mitos também são desnudados, como por exemplo, a concepção imaculada de que a música clássica não tem brega, não tem música de má qualidade. Entre inúmeros nomes e tendências, Alex Ross vai mostrando quem é quem no cenário da música clássica do século XX, quem atravessou o século XIX como canastrão é quem realmente é responsável por abrir portas e determinar tendências. Na realidade, tudo isso escrito até aqui, é muito pouco em relação ao que esse livro pode oferecer de fato. É necessário que você leia, e acima de tudo, escute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3487028908583025366?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3487028908583025366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3487028908583025366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3487028908583025366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3487028908583025366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/08/o-resto-e-ruido-escutando-o-seculo-xx.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SoNrzf5rVxI/AAAAAAAAA7U/KpPMbWM4qBQ/s72-c/alex-ross-capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-5128446527867473876</id><published>2009-08-06T13:46:00.000-07:00</published><updated>2009-08-06T13:54:52.794-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SntCQkI2V8I/AAAAAAAAA68/3IvCOgOWcnk/s1600-h/terra-sonambula_rep_300.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366956233288210370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 191px; CURSOR: hand; HEIGHT: 303px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SntCQkI2V8I/AAAAAAAAA68/3IvCOgOWcnk/s400/terra-sonambula_rep_300.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;Terra Sonâmbula – Mia Couto&lt;br /&gt;Uma estrada que nunca é a mesma&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mia Couto é, além de um grande contador de histórias, um arquiteto da linguagem, um criador de teias, de corredores e de portas que se comunicam através de espelhos mágicos. A arte literária de Mia Couto está distante dos best Sellers, assim como a obviedade não está inserida em sua lógica criativa. Terra Sonâmbula é o primeiro romance desse moçambicano cheio de imaginações. Lançado em 1992, ele faz parte de uma trilogia do autor completada por “A Varanda do Frangipani” e “O Último Vôo do Flamingo”, em que ele aborda a trajetória moçambicana antes e depois da independência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os principais aparatos literários de Mia Couto partem da oralidade, da riqueza cultural, dos mitos e das lendas do seu povo, sofrido e maturado por uma colonização traumática e 30 anos de guerra civil. A poesia está inserida em seu imaginário literário, ela é o esteio em que se apóiam as suas possibilidades de desdobramentos do realismo fantástico, do realismo mágico e do realismo maravilhoso. Ele sofre influências diretas de Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, José Saramago, de outro escritor moçambicano: Craveirinha, e do escritor angolano José Luandino Vieira, autor do estupendo “O Livro dos Rios”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não quer dizer que Mia Couto tenha uma escrita capenga, em que suas influências escrevem por si. Muito pelo contrário, esse é apenas um ponto de partida, pois esse moçambicano escreve porque tem talento e originalidade, além de uma literatura de interferência social viva, mas não panfletária, mas não sectária. Ler “Terra Sonâmbula” é entrar em transe, em comunicação direta com os mundos paralelos e descontínuos da história, é visitar o estranhamento da poesia legítima. O mundo fantástico do velho Tuahir e do menino desmemoriado Muidinga revela um emaranhado de interligações entre a história e a ficção.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366956587290287426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 343px; CURSOR: hand; HEIGHT: 273px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SntClK5hXUI/AAAAAAAAA7E/Bv3qaQowrb4/s400/FILME_TERRA_SONAMBULA_-_IMAGEM.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O pano de fundo de “Terra Sonâmbula” é a guerra civil de Moçambique e sua portentosa força de destruição e aniquilamento. Mas a perspectiva histórica tradicional é descartada. Não existe a presença de documentos, de datas presumidas, de testemunhos protocolados, de provas e contraprovas. O que emerge das 206 páginas dessa obra-prima contemporânea são os rebotalhos vivos das trincheiras espirituais daqueles que sobreviveram ao massacre indiscriminado ou que morreram anonimamente nas curvas sorrateiras das estradas do destino de um povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mia Couto utiliza a técnica de construção em abismos para desenvolver o enredo de “Terra Sonâmbula”, que narra a trajetória fantástica de Tuahir e Muidinga, que vagam pelos ermos de um país devastado pela sangria desenfreada provocada pela insensatez humana. Depois que os dois encontram um ônibus carbonizado na beira da estrada, o velho resolve fazer morada, a contragosto de Muidinga, que não vê futuro permanecer ao lado de tantos cadáveres. Depois de resolvido que se abrigariam ali, eles buscam enterrar os mortos. É quando Muidinga encontra uma mala ao lado de um corpo perfurado por balas. Nela estão os maravilhosos cadernos de Kindzu, que jaz ali mergulhado em seu silêncio misterioso.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366956945285182850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 311px; CURSOR: hand; HEIGHT: 210px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SntC6AiJ9YI/AAAAAAAAA7M/B7I5DVOemkE/s400/MiaCouto.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;As histórias de Muidinga e de Kindzu irão se encontrar e se misturar, da mesma forma que a história e a ficção. A narrativa de Mia Couto é repleta de oralidade e de narrativas dentro de outras narrativas, em uma circularidade mágica em que desfilam tipos e estirpes, deuses e homens, identidades e entidades, através de uma reflexão densa sobre a necessidade de se juntar os pedaços e as desapropriações materiais e imateriais de um povo fustigado ao extremo pela tragédia, pela separação e pelo deslocamento. Após iniciar a leitura dos cadernos de Kindzu, Muidinga percebe que a estrada muda constantemente suas formas e suas paisagens. Com o aprofundamento das leituras ele percebe que ela muda também o significado das trajetórias, dos caminhos e dos transeuntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse encantamento fantástico se perpetua ao longo da narrativa de Mia Couto, que se desdobra em várias outras recontações mágicas e maravilhosas. Os personagens que vão aparecendo nos cadernos de Kindzu vão trazendo elementos para que Muidinga reconstrua o seu imaginário perdido devido a uma doença. Tuahir, que trabalhava enterrando mortos em covas coletivas e que recolheu Muidinga de um amontoado de cadáveres, passa a perceber que aqueles cadernos podem muito mais do que restituir a memória do seu protegido, eles podem alimentar a própria vontade de prosseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro de Mia Couto fala da guerra, mas não através das suas entranhas, mas através das suas sombras, dos seus ecos. Em um jogo de aproximações e distanciamentos, de palavras criadas e veneradas, de junções e disjunções, o leitor vai tomando pé da situação sem que ele queira de fato que essa situação adquira uma forma definida, pois ele descobre pela força poética do autor que aquela é uma história de retalhos, de mosaicos, de ladrilhos pacientemente fixados ao logo dos caminhos e descaminhos. “Terra Sonâmbula” é uma história em que a completude não tem pertinência. E esse é justamente o lampejo genial de Mia Couto: saber ilustrar a força que a guerra tem em descompletar.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-5128446527867473876?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/5128446527867473876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=5128446527867473876' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5128446527867473876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5128446527867473876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/08/terra-sonambula-mia-couto-uma-estrada.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SntCQkI2V8I/AAAAAAAAA68/3IvCOgOWcnk/s72-c/terra-sonambula_rep_300.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3039043737693469326</id><published>2009-08-03T08:29:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T08:37:36.902-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SncC9hDLUNI/AAAAAAAAA6M/IMufOp89vco/s1600-h/O_ANO_DA_MORTE_DE_RICARDO_REIS_1231167555P.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365760736902205650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 301px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SncC9hDLUNI/AAAAAAAAA6M/IMufOp89vco/s400/O_ANO_DA_MORTE_DE_RICARDO_REIS_1231167555P.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;Arte e artifícios&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Desde a propagação dos mitos e das lendas, fundadoras do inconsciente coletivo da humanidade, existem conceitos e definições de arte. A fragilidade dessas elaborações teóricas findantes se dá pelo fenômeno da sincronicidade entre o objeto de arte e o espectador. Entre eles existe um vasto espectro de meios e fins, articulados e desarticulados, construídos ou desconstruídos, que se movimentam esteticamente dentro do implacável arcabouço do tempo, do espaço e da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo como ponto de partida o livro “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de José Saramago, mas não como de chegada, pois isso é irrelevante na abordagem da arte, é possível perceber que a criação artística pode até parecer um caminhão de japonês canonizado como o ensimesmamento absoluto da coletividade, mas quando se chega perto é mais possível ainda perceber que cada um tem intestinos e metabolismos próprios, como merdas e proventos distintos. O que define verdadeiramente o fedor da bosta e a eficácia do alimento é a perplexidade crítica do indivíduo diante do objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo do livro não poderia ser mais simples: Ricardo Reis volta do Brasil para Portugal, após a morte do poeta Fernando Pessoa. Uma pincelada solta no impressionismo lúdico das relações &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SncDLbGQpRI/AAAAAAAAA6U/H7meLL4IbwQ/s1600-h/Pessoa_-_Ricardo_Reis2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365760975822693650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 189px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SncDLbGQpRI/AAAAAAAAA6U/H7meLL4IbwQ/s400/Pessoa_-_Ricardo_Reis2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;interpessoais. Nada mais próprio, nada mais singular, nada mais recolhido ao privado, se não fosse a grandiosidade da inserção criativa, que transborda existências fictícias ou históricas, em ramificações, em derivações e em mosaicos que tendem para o assimétrico a partir das profundezas da sua simetria. Mas é preciso estar atento, pois os códigos dessa obra de arte não trazem manual do proprietário, só mesmo a possibilidade de devolução, caso a satisfação do consumidor não tenha sido garantida. O que é essa a essência legitimadora de toda grande obra, inserida no vasto e esquisito mercado das trocas simbólicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As interações criadoras se multiplicam nesse livro feito uma espécie inovadora da criação em abismo (mise em abyme), teorizada pela primeira vez, em 1893, pelo escritor francês André Gide. Ricardo Reis é um heterônimo de Fernando Pessoa, que por sua vez é retomado por Saramago para dar luz ao fim dos seus dias, próximo do seu criador. Mas acontece que Ricardo Reis chega do Brasil a bordo do navio Highland Brigade, lendo o livro “The god of the Labyrinth”, do escritor Herbert Quain, sendo que tanto o livro como o escritor foram inventados por outro escritor, Jorge Luis Borges. Quando Ricardo Reis vai embora para o além, com Fernando Pessoa, depois da simbologia mágica dos nove meses, para vida e morte, ele leva debaixo do braço o livro que ele não consegue terminar de ler, durante toda a narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a abertura desse livro monumental: “Aqui o mar acaba e a terra principia. Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas de barro, há cheia nas lezírias. Um barco escuro sobe o fluxo soturno, é o Highland Brigade...” Essas palavras iniciais configuram o encantamento fantástico que permeia as 428 páginas desse magnífico exercício de pura arte. O labirinto, as concepções de deus e suas criaturas, dão as caras, de forma extremamente complexa, desde as primeiras palavras. “Aqui o mar acaba e a terra principia.”, é uma intertextualidade invertida do verso que inicia “Os lusíadas” de Camões. Evocando e invocando a suprema fusão épica entre história e ficção. As águas turvas, a cidade pálida, o barco escuro, o fluxo soturno, nos remetem direto à travessia do Aqueronte, ao âmago do maior enigma da humanidade: a morte e seus desdobramentos em labirintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SncDhdPHt8I/AAAAAAAAA6c/PVJZxBERV_c/s1600-h/saramago-award.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365761354353850306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 165px; CURSOR: hand; HEIGHT: 234px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SncDhdPHt8I/AAAAAAAAA6c/PVJZxBERV_c/s400/saramago-award.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas esse é apenas um livro que não se enquadra no conceito de arte utilitária. E nem em qualquer outro conceito existente de arte. É apenas arte. Os aspectos que segredam as relações internas e externas do leitor com o livro se estruturam de forma particular, mas a partir de um universo próprio do autor, concebido como um aparelho e não como um aparelhamento. São epifanias mútuas. No entanto, nada impede que em sua teia criativa, o autor insira elementos críticos da, sobre e para a história viva dos homens, enxertados em suas culturas e em seus universos que procriam outros universos. Mas isso é apenas arte. Ou como melhor diz o próprio Herbert Quain em carta escrita para Jorge Luis Borges, no dia 6 de março de 1939: “Sou como as odes de Cowley. Não pertenço à arte, mas à mera história da arte.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o leitor não tiver esses elementos para uma possível compreensão do material estético do autor e do seu aparato criativo? A obra de arte, momentaneamente, não se completa. Mas apenas momentaneamente, pois o seu caráter, como criação, é mesmo fragmentário e descontínuo, ela está viva, independentemente do seu espectador. Obra de arte para mim é isso, o resto é artifício. É claro que esse é um propósito crítico. Como da mesma forma é proposital a inserção da obra de Quain, na obra de Borges, na obra de Saramago, em contraponto com as obras de Fernando Pessoa, Ricardo Reis e Camões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é à toa que o conto de Jorge Luis Borges, de onde saiu a intertextualidade de Saramago, tem o título de “Exame da Obra de Herbert Quain”. Trata-se de um ensaio crítico. São espelhos que se replicam em forma criativa. De forma irônica o tema da complexidade estética da obra de arte é colocado em pauta no conto, em que são citados Flaubert, Henry James e Shakespeare. Ironia maior é o crítico e Herbert Quain não concordarem que essa seja a essência da obra de arte, eles defendem a simplicidade do comum. A ironia se torna mais sintomática quando os dois concordam, também, que o fato estético não pode prescindir de algum elemento do assombro. Eis a provocação de dois artistas excepcionais, que não tinham a menor condescendência com a ignorância artística dos seus possíveis leitores. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De fato, que a ignorância se exploda! &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3039043737693469326?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3039043737693469326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3039043737693469326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3039043737693469326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3039043737693469326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/08/arte-e-artificios-desde-propagacao-dos.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SncC9hDLUNI/AAAAAAAAA6M/IMufOp89vco/s72-c/O_ANO_DA_MORTE_DE_RICARDO_REIS_1231167555P.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1383861176073927831</id><published>2009-07-30T12:47:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T12:50:31.981-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SnH5N8Zsx1I/AAAAAAAAA5U/GxqaMrYRc1I/s1600-h/5020discos-macacobong-artistaigualpedreiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364342649122506578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 363px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SnH5N8Zsx1I/AAAAAAAAA5U/GxqaMrYRc1I/s400/5020discos-macacobong-artistaigualpedreiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;Macaco Bong&lt;br /&gt;Instrumental sem macacada&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Uma surpresa boa sempre rola bem. Quem me apresentou o som do Macaco Bong foi Manoel Barros, velho amigo de inúmeras viagens sonoras, transubstanciadas no velho Cariri cearense, com os pés sempre alocados no universal. Combatemos juntos na trincheira cultural dos sebos, eu com o Et Cetera e ele com o Alan Poe. Ele resiste firme com o Solaris, reduto de cultura e bons tempos. Sempre nos encontramos e falamos sobre música e a mercadoria sonora, essa puta velha, cheia de truques e manhas seculares. O Macaco apareceu no último encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Power trio cuiabano surpreende de várias formas. É rock instrumental, mas não é pirotecnia guitarrística esclerosada dos fritadores de plantão. É independente, mas não tem parentesco nenhum com a merdologia indie que assola os universos paralelos e alternativos. É fora do eixo sul-sudeste, mas não tem a pretensão de resgatar porra nenhuma da cultura popular. Além disso, não cabe em nenhum rótulo ou tags existentes na falida imprensa especializada. Macaco Bong é rock instrumental sem macacadas e sem a sombra sorumbática da virtuose. O que já é muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda já foi um quarteto e já lançou dois Eps. Macaco Bong nasceu em 2004, em Cuiabá (MT). Recentemente a banda lançou o seu primeiro cd “Artista Igual Pedreiro”, que faz parte do excelente projeto do selo Trama: Álbum Virtual da Trama, em que você tem disponibilizado trabalhos integrais de artistas com downloud grátis, inclusive com direito a capa, fotos e extras. São iniciativas como essas que mantêm arestas para a verdadeira música respirar livremente, em meio ao intenso mercado escravo dos jabás. Eis o endereço da redenção: &lt;a href="http://www.tramavirtual.com.br/"&gt;http://www.tramavirtual.com.br/&lt;/a&gt;. O endereço específico da banda Macaco Bong é : &lt;a href="http://www.tramavirtual.com.br/macaco_bong"&gt;http://www.tramavirtual.com.br/macaco_bong&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364342846174882946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 376px; CURSOR: hand; HEIGHT: 234px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SnH5ZaepbII/AAAAAAAAA5c/sNiJVng6MNY/s400/154842.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente a banda é integrada por Bruno Kayapy (guitarra), Ynaiã Benthroldo (batera) e Ney Hugo (baixo). O som que essa garotada faz é uma mistura de rock, jazz, psicodelia, hardcore, noise, hard e pop. As dez faixas do disco apresentam uma verdadeira parede sonora, com texturas modais, mudanças de andamento, ruídos, climas, dinâmicas e tensões sonoras da mais fina origem da vagabundagem musical do rock’n’roll. Os timbres mudam, mas não com tanta freqüência. Praticamente não existem solos, só em duas músicas: “Bananas For you all” e “Compasso em ferrovia”. O som do Macaco Bong é para quem não se preocupa em encontrar a peça mais intelectualizada ou a composição mais fodona do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os destaques ficam por conta da magnífica “Fuck you lady”, com belas passagens acústicas e climas em oitavas de muita inspiração. A super densa, dissonante e psicodélica “Noise James”, com uma pegada de peso, com uma guitarra saturada na válvula e mudanças de timbres sutis. A super climática, com belo tema em oitavas e timbre de guitarra praticamente limpo, “Bananas For You All”, com direito a um solo econômico, com texturas de delay e chorus. E a mais surpreendente de todas, “Compasso em Ferrovia”, climática, meio jazz-rock, com solo modal e um sustain de guitarra infinito, que prenuncia uma parede experimental de ruído e tensão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Macaco Bong é a prova de que nem tudo está perdido na cena rockeira brasileira. Se por um lado o rock brasileiro vive do pastiche comercial de bandas como NXZero e outras porcarias do gênero, por outro lado o caminho indie é repleto de porcarias que imitam outras porcarias gringas. Mas existe um caminho do meio, bem ao estilo Macaco Bong, capaz de proporcionar prazeres inimagináveis, com ou sem trocadilho.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1383861176073927831?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1383861176073927831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1383861176073927831' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1383861176073927831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1383861176073927831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/07/macaco-bong-instrumental-sem-macacada.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SnH5N8Zsx1I/AAAAAAAAA5U/GxqaMrYRc1I/s72-c/5020discos-macacobong-artistaigualpedreiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8369893492393259723</id><published>2009-07-15T21:40:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T21:42:52.152-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffcc66;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;O rodopio aperreado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Foi quando&lt;br /&gt;Apareceram os espectros&lt;br /&gt;E a multiplicação dos miasmas&lt;br /&gt;Pelas cercanias guardadas&lt;br /&gt;Por Deus e pela sua própria&lt;br /&gt;Versão irada em risadas áridas&lt;br /&gt;No seu favor está a vida&lt;br /&gt;A sua ira dura só um momento&lt;br /&gt;O choro pode durar uma noite&lt;br /&gt;A alegria vem pela manhã&lt;br /&gt;Assim se espera que&lt;br /&gt;As esporas sejam esporádicas&lt;br /&gt;E as lágrimas magmáticas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E riram&lt;br /&gt;Descontroladamente&lt;br /&gt;Todos os loucos&lt;br /&gt;E copularam histéricos&lt;br /&gt;Todos os infindáveis reclusos&lt;br /&gt;E todos os inocentes apascentaram&lt;br /&gt;Todos os incautos trêmulos&lt;br /&gt;E todo o mijo foi vertido&lt;br /&gt;Diante do imensamente inseguro&lt;br /&gt;E estava todo o instável&lt;br /&gt;Assim se vocifera que&lt;br /&gt;As esmolas sejam imoladas&lt;br /&gt;E as perdas perdoadas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Solano&lt;br /&gt;Aquele dos dentes de ouro&lt;br /&gt;Foi visto sorrindo para a morte&lt;br /&gt;Mas ela não viu riqueza ali&lt;br /&gt;Ele passou a morder o&lt;br /&gt;Próprio desespero cadavérico&lt;br /&gt;Joana das Trevas teve os seus peitos&lt;br /&gt;Repartidos por sete desejos esganiçados&lt;br /&gt;Teobaldo da Catingueira matou&lt;br /&gt;Vivos e mortos sem qualquer piedade&lt;br /&gt;Assim se considera que&lt;br /&gt;As contas sejam recontadas&lt;br /&gt;E as preces apreciadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouquidão&lt;br /&gt;Não é um mero nome&lt;br /&gt;Pendiam de todos os lábios&lt;br /&gt;Todas as palavras pronunciáveis e&lt;br /&gt;Todas elas eram surdas mais que mudas&lt;br /&gt;E toda sorte de cacarecos ali fora&lt;br /&gt;Espalhada e nada foi juntado&lt;br /&gt;E tudo se somava para diminuir&lt;br /&gt;Justamente quando se mais ia&lt;br /&gt;Mais se voltava em voltas&lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;As pragas sejam propagadas&lt;br /&gt;E as dores adoradas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farelentos&lt;br /&gt;Os fazedores de estradas&lt;br /&gt;Se foram daqui sem qualquer&lt;br /&gt;Pernoite de angústias em hóstias&lt;br /&gt;E se foram a sós tangendo todos os tatus&lt;br /&gt;E todas as saídas ficaram em saias&lt;br /&gt;Deixando para os sorrisos maternos&lt;br /&gt;Como hímens aritméticos&lt;br /&gt;O esguio máximo que há em um&lt;br /&gt;Apurado de leite em pó&lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;Os peitos sejam respeitados&lt;br /&gt;E os partos repartidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martiniano&lt;br /&gt;Aquele das sementes sangradas&lt;br /&gt;Furou seus furúnculos com&lt;br /&gt;Filetes de balas perdidas&lt;br /&gt;E de imediato cresceu ao seu redor&lt;br /&gt;Um pântano de alucinações&lt;br /&gt;Dídimo Sem Piedade contou&lt;br /&gt;Com todos os seus dedos&lt;br /&gt;E até o quanto pôde os dísticos&lt;br /&gt;Que circulam uma maldição&lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;Os fardos sejam fardados&lt;br /&gt;E os nomes nomeados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imensidão&lt;br /&gt;Foi o que Salete Sozinha viu&lt;br /&gt;Ao olhar para o céu sem astúcia&lt;br /&gt;E pedir ao Supremo o controle&lt;br /&gt;Sobre os próprios dentes&lt;br /&gt;Para que suas palavras de repúdio&lt;br /&gt;Não tivessem sílabas amputadas&lt;br /&gt;Já Eva de Tudor não pôde impedir&lt;br /&gt;Que os gritos de sua prole se evadissem&lt;br /&gt;Tomando rumos ignorados&lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;Os signos sejam signatários&lt;br /&gt;E os ditos editados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vieram&lt;br /&gt;Uma a uma e depois aos montes&lt;br /&gt;As descendências túmidas&lt;br /&gt;E de prontamente vieram me chutar&lt;br /&gt;Não estranhei nada&lt;br /&gt;Nem os olhos vermelhos&lt;br /&gt;E assim as fizeram como assim&lt;br /&gt;Eu bem sei que essas pedras&lt;br /&gt;E essas lenhas todas são minhas e&lt;br /&gt;Em fogo querem me pertencer&lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;Os fatos sejam fatiados&lt;br /&gt;E os exércitos exercitados&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E eu&lt;br /&gt;Que já te vi nua&lt;br /&gt;E agora envolta em névoa&lt;br /&gt;E agora me enervando&lt;br /&gt;Com tantos nomes e tantos retalhos&lt;br /&gt;E tanto e tanto estraçalhar&lt;br /&gt;Agora se me ergue em vapor de um&lt;br /&gt;Vulcão voraz a estripar até vozes&lt;br /&gt;A me dizer em zeros e vírgulas&lt;br /&gt;Que não existe vazio sem vórtices &lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;As marcas sejam demarcadas&lt;br /&gt;E as cóleras encoleiradas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esse&lt;br /&gt;Choro cheio de estiagens&lt;br /&gt;Que eu vi refundar o despedaçar&lt;br /&gt;É também por ti Eponina&lt;br /&gt;Ele corre sem escorrer&lt;br /&gt;Evacuado em vapores decimais&lt;br /&gt;Assim eu procurei em vão&lt;br /&gt;Por todos os sentidos&lt;br /&gt;E todos eles se estilhaçaram&lt;br /&gt;Por todos os desvãos&lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;As forças sejam reforçadas&lt;br /&gt;E as farpas esfarrapadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E partiram&lt;br /&gt;Aqueles que foram destinados&lt;br /&gt;E os deslocados revelaram as&lt;br /&gt;Apostasias dos apóstolos&lt;br /&gt;Eram trinta e dois os debruçados&lt;br /&gt;E mais de cem incrustados&lt;br /&gt;No vento em posição de feto&lt;br /&gt;Eram setenta e três as orações&lt;br /&gt;Cuspidas em línguas mortas&lt;br /&gt;E só um o desespero maior&lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;Os sinos sejam assinados&lt;br /&gt;E os amparos reparados&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi quando&lt;br /&gt;Eu vi Anunciada descendo&lt;br /&gt;Pelas escadas flutuantes&lt;br /&gt;Com trezentas entidades enrugadas&lt;br /&gt;Seguras pelas goelas&lt;br /&gt;Do cemitério recuado brotaram&lt;br /&gt;Arcanjos sob uma árvore frondosa&lt;br /&gt;Assim o cruzeiro primordial&lt;br /&gt;Foi lavado com larva&lt;br /&gt;Em divina dádiva atávica&lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;Os atentos sejam atentados&lt;br /&gt;E as provas provocadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem povo&lt;br /&gt;O povoado era um ovo&lt;br /&gt;Sem ovários irrevogáveis&lt;br /&gt;O rio silencioso agora é um&lt;br /&gt;Charco imóvel embebido em&lt;br /&gt;Memórias remuneradas&lt;br /&gt;Um peixe azul voa entre as&lt;br /&gt;Borboletas sutis anunciando assim&lt;br /&gt;Um narrador multiplicado&lt;br /&gt;Para as divisões da história&lt;br /&gt;Assim se pondera que&lt;br /&gt;Os cursos sejam discursos&lt;br /&gt;E os desertos desertados&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8369893492393259723?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8369893492393259723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8369893492393259723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8369893492393259723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8369893492393259723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/07/o-rodopio-aperreado-foi-quando.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-6313327157770383427</id><published>2009-06-27T20:45:00.000-07:00</published><updated>2009-06-27T20:53:47.281-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SkbobkD-_1I/AAAAAAAAA30/vlyGM9sDrf8/s1600-h/cover-146595-600.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352220767410913106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 278px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SkbobkD-_1I/AAAAAAAAA30/vlyGM9sDrf8/s400/cover-146595-600.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;O Modernismo sob a ótica&lt;br /&gt;De Peter Gay&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez a editora paulista Companhia das Letras é responsável pela publicação de uma verdadeira obra de arte contemporânea, através da completa acepção da palavra pertinência. Agora a editora celebra a cultura em um calhamaço de 578 páginas sobre a origem e expansão do Modernismo, escritas pela competência e erudição do respeitadíssimo historiador alemão Peter Gay, autor de obras consagradas como “O Estilo na História” e “Freud: uma vida para o nosso tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Modernismo – O Fascínio da heresia - de Baudelaire a Beckett e mais um pouco” é o extenso título desse livro urgente para aqueles que vivem de aparências, imprescindível para aqueles que necessitam de uma alimentação saudável e fundamental para quem tem sua parcela de culpa, direta ou indireta, em nosso quadro universal do fracasso escolar, terra em que a pilantragem é matéria farta para teses de doutorado e o exibicionismo de títulos é a legitimação da mediocridade indelével. Nessa obra basilar, Peter Gay despiu a linguagem da cosmética teórica e assumiu corajosamente suas particularidades e preferências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos incontáveis códices estéticos que servem “cientificamente” para fundamentar o arcabouço artístico do Modernismo, Peter Gay se utiliza, de forma minimalista, praticamente de dois axiomas: a heresia estética – como ele chama a transgressão aos cânones artísticos estabelecidos desde o período clássico até a famigerada era vitoriana – e o intenso mergulho psicológico da abordagem da existência do ser e do estar, em que pesem aí a descontinuidade do discurso e a fragmentação da realidade. Para tanto, o autor desvenda com muita habilidade e proficiência, como a história forneceu os motivos e os elementos que proporcionaram uma mudança tão radical, que foi o Modernismo, na forma de conceber, produzir e vender a arte.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352221025419039522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SkboqlN6kyI/AAAAAAAAA38/A95In_91P7A/s400/Sigmund_Freud_LIFE.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;“Modernismo – O Fascínio da heresia - de Baudelaire a Beckett e mais um pouco” é um magistral compêndio histórico de segmentos artísticos, de autores e de obras que perfazem a práxis modernista, abarcando de uma só vez literatura, teatro, artes plásticas, música, balé, cinema e arquitetura. Mesmo sem a pretensão de ser uma história social do Modernismo, Peter Gay não deixa de aprofundar as implicações da história, das ciências, da política e da economia, com todos os seus desdobramentos no cotidiano das relações sociais, na formação do paradigma modernista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que isso significa, bem como o que isso sugere, o leitor descobre através de uma leitura extremamente agradável e prontamente alertada para outras abordagens complementares, afinal de contas são galáxias complexas para caberem totalmente em um universo de apenas 578 páginas. Já na tomada inicial, quando o autor estabelece a presença de Charles Baudelaire como uma das pedras fundamentais nessa guinada estética, o leitor mais atento sente que um detalhamento do ambiente da segunda revolução francesa, de 1848, fornecerá muito mais subsídios para a aceitação da importância toda do maldito das flores do mal. Nesse caso, se o leitor tiver em mãos o livro “O Velho Mundo Desce aos Infernos”, de Dolf Oehler, também da Companhia das Letras, a festa será repleta de transversais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A erudição e o refinamento das idéias de Peter Gay nos remetem diretamente à leitura de outros livros cheios de contigüidade tais como “A Emoção e a Regra”, com organização de Domenico de Masi, da editora José Olympio, que aborda os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950 e atesta para o leitor que o paradigma modernista nãos se restringiu apenas a arte; e “Pós-Modernidade: a lógica cultural do capitalismo tardio”, de Fredric Jameson, da editora Ática, que mostra para o leitor os desdobramentos culturais, políticos e econômicos que vieram depois do Modernismo. A leitura desses outros livros não indica uma deficiência no livro de Peter Gay, muito pelo contrário, comprovam a envergadura e complexidade dessa obra magnífica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria enfadonho esboçar aqui uma lista de autores e obras, bem como de tendências e peculiaridades expostas por Peter Gay ao longo de sua obra. É bem mais profícuo afirmar que até o mais perdulário dos imbecilóides reacionários, após a leitura desse livro, retirará das suas fuças o ar de parvo e a atitude de beócio diante de um quadro de Kandinsky ou de uma composição de Varèse. Mas se o incauto leitor não souber quem é nenhum dos dois nomes citados é melhor continuar acreditando que questão de gosto não se discute.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352221351282480930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 254px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/Skbo9jJ0FyI/AAAAAAAAA4E/qHdOjZ-GmR8/s400/kandinsky.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Munido de um conhecimento espetacular Peter Gay esmiúça com seu escafandro intelectual como o ódio à burguesia tornou-se um dos instrumentos que solaparam os quadrantes da estética conservadora rumo aos caminhos tortuosos e abismados da arte pela arte, até chegar ao litígio completo com o senso comum, passando pelo viés anarquista do desconstrucionismo das vanguardas, traduzido dramaticamente pela negação da própria arte em obras desconcertantes, como as sátiras prolíferas de um Marcel Duchamp, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352221593748720594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SkbpLqaRS9I/AAAAAAAAA4M/gFaedFfLPzk/s400/marcelduchamp.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Vale ressaltar que uma obra com uma temática dessa desnatureza jamais fugiria da polêmica. Sendo assim, a obscuridade e o enigma, que são próprios do desfazer modernista, se apresentam na obra de Peter Gay justamente através de algumas ausências inesperadas. É paradoxal atribuir uma importância descomunal à poesia de T. S. Eliot, sem fazer nenhuma menção à genialidade poética de Ezra Pound, o verdadeiro mestre do Modernismo e do próprio T. S. Eliot, ou até mesmo nenhuma referência às vertigens abissais de Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é surpreendente como o autor alemão detalha o atonalismo musical até Schoenberg, passando por John Cage, sem abranger o concretismo eletrônico de Karlheinz Stockhausen. Outras tangências irremediáveis dizem respeito a nenhuma citação de Jorge Luís Borges e José Saramago, quando Peter Gay constrói uma cádetra justa a outro mestre do Realismo Fantástico, que é Gabriel Garcia Marques. Mas isso é o de menos. O saldo é muito mais superior em informações do que em formações, o que torna essa obra um verdadeiro antídoto à picaretagem, à ignorância e ao achismo provinciano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-6313327157770383427?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/6313327157770383427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=6313327157770383427' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6313327157770383427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6313327157770383427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/06/o-modernismo-sob-otica-de-peter-gay.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SkbobkD-_1I/AAAAAAAAA30/vlyGM9sDrf8/s72-c/cover-146595-600.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-461575132123324850</id><published>2009-06-03T10:18:00.001-07:00</published><updated>2009-06-03T10:18:49.400-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;A dama de ferro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Só minhas&lt;br /&gt;De fato abortaria eu&lt;br /&gt;As muralhas da China&lt;br /&gt;Se outrora apetecido estivesse&lt;br /&gt;De tê-las parido em paralelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cagaria velhas fotografias&lt;br /&gt;Enredadas de novos conflitos&lt;br /&gt;Se houvera um dia ter saboreado&lt;br /&gt;A docilidade calculista da vitória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não estão os mortos&lt;br /&gt;Aqui em suas contraproducências&lt;br /&gt;Amplamente duvidadas&lt;br /&gt;Como dívidas indevidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo dos meus fatos&lt;br /&gt;Pontiagudos em amarguras&lt;br /&gt;Corre um rio fantasma&lt;br /&gt;Ausente de si e de ser e estar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São nessas águas&lt;br /&gt;Molhadas pelo aparente vazio&lt;br /&gt;Que se banha o meu deus falido&lt;br /&gt;Livre das torturas que agora são&lt;br /&gt;Só minhas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-461575132123324850?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/461575132123324850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=461575132123324850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/461575132123324850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/461575132123324850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/06/dama-de-ferro-so-minhas-de-fato.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8704752476346975497</id><published>2009-06-03T10:17:00.001-07:00</published><updated>2009-06-03T10:17:54.411-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;Três e trinta e três p.m.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Isso não é um cachimbo&lt;br /&gt;Mas há sem dúvidas&lt;br /&gt;Um vendaval sob&lt;br /&gt;A chuva ácida que cai&lt;br /&gt;Sobre Bombaim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ela mesma que&lt;br /&gt;À distância sabota os&lt;br /&gt;Seus órgãos internos&lt;br /&gt;Para alimentar o ansioso&lt;br /&gt;Mercado negro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preferível que nesse&lt;br /&gt;Carrinho de compras virtual&lt;br /&gt;Você não coloque&lt;br /&gt;A orelha de Van Gogh&lt;br /&gt;Como absorvente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem bote&lt;br /&gt;Feito serpente&lt;br /&gt;O fêmur de James Ensor&lt;br /&gt;Como um impávido&lt;br /&gt;Estimulador clitorial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preponderante&lt;br /&gt;Que depois de gozar&lt;br /&gt;Com um vibrador&lt;br /&gt;Desenhado em Paris&lt;br /&gt;E fabricado em Pequim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que você mije com o&lt;br /&gt;Frescor da menstruação&lt;br /&gt;Sobre a última grade&lt;br /&gt;Abstraída da última&lt;br /&gt;Úlcera de Mondrian&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe secar ao sol&lt;br /&gt;Com o passar do tempo&lt;br /&gt;Você sentirá o prazer&lt;br /&gt;Do ócio orientado ocidental&lt;br /&gt;De entrega em domicílio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8704752476346975497?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8704752476346975497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8704752476346975497' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8704752476346975497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8704752476346975497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/06/tres-e-trinta-e-tres-p.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3136170007037809927</id><published>2009-06-03T10:00:00.000-07:00</published><updated>2009-06-03T10:02:12.032-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SiasZbZHz2I/AAAAAAAAAzc/uRHJNwFUJDc/s1600-h/%257BDDD57D58-3071-41C0-BB1A-F11898D0B556%257D_caetano2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343147560771506018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SiasZbZHz2I/AAAAAAAAAzc/uRHJNwFUJDc/s400/%257BDDD57D58-3071-41C0-BB1A-F11898D0B556%257D_caetano2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;Caetano Veloso em Juazeiro do Norte&lt;br /&gt;A sagração da iconoclastia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O dia 30 de maio de 2009 entrou carnavalescamente pela porta dos fundos da história cultural da tribo Cariri. Uma das cenas mais grotescas já encenadas no teatro rabelístico caririense anunciou a premência do burlesco: quando Caetano Veloso entrou no Palco da Aplausos, encontrou uma platéia com mil e uma cadeiras de plásticos na cabeça. Estava fundada, pois, naquela noite sem devolução, a versão da inversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da alegórica transferência localizada da bunda e do assento, Caetano Veloso inverteu muito mais, colocou no lugar da província o universal; a arte no lugar da desarticulação; no lugar da idolatria a iconoclastia; o ontológico no lugar da antologia; no lugar do envolvido ele colocou o evoluído, que trouxe consigo o futuro para uma imensa parte daquela gente presa ao passado mumificado. Assim a chuva demonizada em forma líquida, indesejada pelas pranchinhas e pelo brilho fácil das jóias folheadas, veio em forma de uma inesperada inundação estética civilizatória, provinda de uma banda pós-moderna e de um artista atemporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem foi para o show esperando encontrar um Caetano milagreiro, capaz de reacomodar o que já estava acomodado nos recônditos miseráveis dos barzinhos de ponta de rua, encontrou um Veloso exorcista, capaz de reduzir a migalhas os seus demônios cultivados e os demônios incultos, possuidores de boa parte da platéia, que confundiu espetáculo musical com evento social e ingresso com convite para a proclamação da inutilidade da primavera no baile do Lions Club, só faltaram as doações generosas de alimentos não perecíveis para as vítimas – coitadas - das cheias, elas mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano Veloso estava e sempre esteve íntegro artisticamente. Com um repertório impecável para quem o concebe livre para criar e um repertório imperdoável para quem o conserva cativo para lembrar, Caetano cantou, dançou e profanou a sagração dos medíocres. A maioria das músicas do repertório do show está no disco novo “Zii e Zie”. A parte menor das músicas do repertório, e nem por isso minúscula, faz parte do período do exílio do compositor e de outras fases de sua carreira extensa e internacional, com mais de quarenta discos de inéditas lançados no mercado interno e externo.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343147643906732674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 359px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SiaseRGGsoI/AAAAAAAAAzk/dbC84sbl9Dw/s400/capacaetanoj.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Mais pitoresco do que os guarda-chuvas na platéia, que lembraram as arquibancadas do Romeirão em dia de Icasa e Guarani, foram as reações dos “emergentes”, imbecilizados pela falta de civilidade e enfeitados pelo excesso de penduricalhos inócuos, ao vaiarem e apuparem Caetano Veloso com expressões como bicha e outras idiotices, a cada música nova apresentada. Enquanto isso, do outro lado, no avesso desse universo de baixarias, outra parte do público se deliciava com aquela chuva fina, sutil e translúcida de talento, competência, profissionalismo, estética contemporânea e arte, que Caetano Veloso e a Banda Cê, fizeram cair sobre a Aplausos, para lavar de uma vez por todas o lixo cultural que ainda teimava em ecoar entre aquelas paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa postura com requinte de camelódromo e de cobrador de van, apresentada por uma boa parte da platéia de grife, é mais do que compreensível e lamentável, pois quem tem sido educado intensamente pela filosofia de cabaré e álcool dos Aviões do Forró, Solteirões do Forró e outras macacadas do forró, não poderia jamais reagir positivamente à poesia de vanguarda de Caetano Veloso, principalmente em uma roupagem tão refinada e alternativa proporcionada pelo trio Pedro Sá, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes, respectivamente, guitarra e baixo, bateria, piano e baixo. Seria tão impossível quanto esperar de um vendedor de discos piratas da São Pedro uma conceituação sobre o dodecafonismo de Schoemberg. Não é à toa que ele foi vaiado em Fortaleza também, pois filha de peixe piranha é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano Veloso se renova a cada ano e se distancia a cada ano do grosso de sua antiga platéia dos anos 60, 70 e início dos 80. A maioria nunca ouviu falar em Artic Monkeys, Pixies, Sofa Surfers ou Cidadão Instigado. Bem antes do disco Cê, de 2006, que Pedro Sá é o escudeiro de Caetano Veloso. Com ele veio a pegada mais roqueira, mais dissonante, mais distorcida e mais experimental. Mas experimentalismo não é novidade para quem protagonizou o Tropicalismo e lançou discos como Araçá Azul e Jóia. Dessa vez, em lugar do concretismo na poesia e da estética hippie na música, está o existencialismo político e o minimalismo dissonante, que Pedro Sá trouxe como herança da banda carioca “As Mulheres que só dizem sim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver e ouvir Caetano Veloso em plena criatividade foi ter certeza que ele é, sem dúvidas, um dos mais importantes artistas brasileiros de todos os tempos, não só pelo serviço prestado, mas também pela continuidade de um caminho completamente alheio ao óbvio e ao pastiche. O que se viu no palco da Aplausos foi um artista vivo, atuante, diametralmente oposto ao conformismo, livre do exibicionismo, do virtuosismo e do formato comercial. A partir da perspectiva imobilizada dos museus e afins, bem como do asseio anômalo dos entrepostos de verduras e contrabandos do Paraguai, nada mais natural do que boa parte da platéia não ter entendido nada, inclusive a dedicatória de duas músicas em memória de Augusto Boal. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3136170007037809927?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3136170007037809927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3136170007037809927' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3136170007037809927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3136170007037809927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/06/caetano-veloso-em-juazeiro-do-norte.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SiasZbZHz2I/AAAAAAAAAzc/uRHJNwFUJDc/s72-c/%257BDDD57D58-3071-41C0-BB1A-F11898D0B556%257D_caetano2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1742789703942846686</id><published>2009-05-12T11:30:00.001-07:00</published><updated>2009-05-12T11:36:53.296-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SgnAb4ppERI/AAAAAAAAAyc/T-ICqPxB_iM/s1600-h/orquestra_imperial_carnaval_so_ano_que_vem.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335006818893107474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SgnAb4ppERI/AAAAAAAAAyc/T-ICqPxB_iM/s400/orquestra_imperial_carnaval_so_ano_que_vem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;Orquestra Imperial&lt;br /&gt;Nem tudo o que balança é swing&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O mercado fonográfico brasileiro é muito peculiar, às vezes brinca amadoristicamente de ser profissional e outras profissionalmente leva a sério ser amador. Esse é o caso da numerosa banda Cult Orquestra Imperial, que tem um magote de músicos da cena carioca, que nasceu com o intuito de “resgatar” a verdadeira essência cultural da gafieira e adjacências, mas que não passa de uma banda extrapolada demograficamente, que resolveu compor o seu próprio material, saindo do barzinho sem o barzinho sair dela. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ao vivo e tocando o repertório dos outros essa banda é perfeita e com pouquíssimas cenas de canastrice musical. Em estúdio e tocando o próprio repertório a banda parece encenar um decadente teatro de revista, sem pique e sem a menor criatividade e isso é o que mais surpreende do que espanta, tendo como referência os inúmeros talentos envolvidos no projeto, que de início parecia despretensioso e que gora resolve entrar para o campo autoral. O disco “Carnaval só ano que vem”, é bem gravado, bem executado, mas é morno, extremamente morno. Sendo que em alguns momentos o disco se torna radicalmente careta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A escolha da faixa de abertura, “O mar e o ar”, não poderia ter sido pior, com o desafinado Rodrigo Amarante cantando um samba canção sem a menor convicção de que um cantor não vive sem ser um ator musical. O xilofone e a guitarra havaiana ainda tentam dar um ar mágico às coisas do mar, sem que as ondas sirvam para surfar. A faixa dois, “Não foi em vão”, é um samba com um dos arranjos mais quadrados de metais da música popular brasileira, tão careta que chega a dar saudade de Lincon Olivetti. A faixa seguinte, “Ereção”, celebra o ambiente sensual dos bailes de gafieira e trata da ereção, tão comum nas danças coladas. A mídia amiga afirma que esse é o lado bem humorado da banda, mas que na realidade é a baba do babaca. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A faixa “Jardim de Alah” é um lenga lenga sem fim, é o jeito Rodrigo Amarante de cantar fazendo escola. A caretice dos metais prossegue em rota épica, ganhando os mares e os bares, com ar de fim de festa. A faixa seguinte, “Rui de mes souvenirs”, é uma espécie de bolero-bossa-samba cantado em francês, pense numa porcaria que não deveria ter entrado no repertório nem como faixa bônus. A saga dos metais argonautas continua, com notas alongadas e naufrágios aprofundados. A Orquestra tem inúmeros cantores e colocam logo Rodrigo Amarante para cantar uma rumba, que acabou transformando a música, “Yarusha Djaruba”, em um sonrisal dissolvido em uma cuba-libre, com rum do Paraguai. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335008047615891698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SgnBjZ_-2PI/AAAAAAAAAyk/xHMDUg3PgbI/s400/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A faixa seguinte, “Era bom”, é um sambão quadrado, pé-duro, guarda roupa de quitinete, com direito a todos os laraialás possíveis e imagináveis, bem como uma letra que mistura metalinguagem sobre as próprias raízes sambistas e sexo de quinta categoria. Os metais continuam reféns de arranjos dignos de Roberto Carlos se apresentado em um cassino do Panamá. A outra faixa, “Salamaleque”, é outro sambão quadrado, pé-duro, guarda roupa de quitinete, com direito à rima esperta de pileque com salamaleque, essa é dose de fubuia de renovação. Mas em se falando em letra tenebrosa, nada supera a poética ginasial de “Ela rebola”: “Ela rebola pra lá / ela rebola pra cá / mas pra mim bola ela não dá / ela rebola pra cá / ela rebola pra lá / mas bola pra mim eu sei que ela lalalah...” Essa babaquice monumental é de autoria de Jorge Mautner, que participa da última faixa do disco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O disco se encaminha para o final com, “De um amor em paz”, outra música que deveria ter ficado de fora do repertório, outro lenga lenga sobre o amor, com os metais enchendo o saco com um arranjo de sinfonia para velório. Nina Becker não cante essa música mais nunca, pelo amor aos seus fãs. Só na última faixa, “Supermercado do amor”, é que a verdadeira Orquestra Imperial dá as caras, mas aí já é tarde e o baile está acabando e só resta pegar duas conduções de volta para casa, arrependido. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Provável formação: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;THALMA DE FREITAS (voz) - NINA BECKER (voz) - MORENO VELOSO (percussão e voz) - RODRIGO AMARANTE (voz) - WILSON DAS NEVES (voz e percussões) - NELSON JACOBINA (guitarra e violão) - BARTOLO (guitarra) - PEDRO SÁ (guitarra) - RUBINHO JACOBINA (teclado) - BERNA CEPPAS (sintetizadores e percussão) &amp;amp; KASSIN (baixo) -.DOMENICO LACELOTTI (bateria) - STEPHANE SAN JUAN (percussão) - BODÃO (percussão) -.LEO MONTEIRO (percussão eletrônica) - FELIPE PINAUD (flauta) - MAX SETTE (trompete e flugelhorn) - BIDU CORDEIRO (trombone) - MAURO ZACHARIAS (trombonista) &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1742789703942846686?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1742789703942846686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1742789703942846686' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1742789703942846686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1742789703942846686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/05/orquestra-imperial-nem-tudo-o-que.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SgnAb4ppERI/AAAAAAAAAyc/T-ICqPxB_iM/s72-c/orquestra_imperial_carnaval_so_ano_que_vem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3311536695572921508</id><published>2009-05-11T14:29:00.000-07:00</published><updated>2009-05-11T14:32:49.510-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SgiZG-j4mjI/AAAAAAAAAx8/8uRviTVaZoU/s1600-h/Little_Joy_-_Little_Joy_-_capa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334682103772125746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SgiZG-j4mjI/AAAAAAAAAx8/8uRviTVaZoU/s400/Little_Joy_-_Little_Joy_-_capa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;Little Joy&lt;br /&gt;Sonífero para cavalo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Através das esquinas que norteiam o chamado rock alternativo brasileiro é possível perceber que o pastiche e o simulacro dominam o que praticamente já nasceu dominado, com raríssimas exceções. Além da falta de originalidade e de talento, o que pesa ainda mais é a cara de pau de posar para imprensa como novidade. Esse é o caso do embrulho no estômago chamado Little Joy, liderado por Rodrigo Amarante, ex-Los Hermanos e Fabrizio Moretti, do The Strokes, que já nasceu possuído, com cara de ressaca e com o barulho de moedas velhas no bolso da calça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Desde o último (?) lançamento do Jumbo Electro e de outras porcarias do gênero, eu não tinha escutado um disco tão ruim. Até parece que faz parte da estética indie não saber cantar e não saber tocar porra nenhuma. Mas a imprensa especializada em mercado adora esse ar blasé, essa melancolia de corno de balcão de bodega, essa sonolência de lombra de chá de zabumba, esse cheiro constante de merda sonora. O disco do Little Joy reinaugura a estética do entulho: só ocupa espaço e não serve para nada, nem mesmo para promoção dos dias dos namorados arrependidos de ter transformado um fica num problema.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas o último disco de estúdio dos Los Hermanos já anunciava o cansaço, o marasmo, a falta de criatividade da dupla de compositores da banda. É tanto que a ele se seguiram o horripilante ululante “Nós”, de Marcelo Camelo, e depois esse glorioso barbeador enferrujado, prostrado na margem direita do rio Tietê, que atende pelo singelo nome Little Joy (um trocadilho para pequeno prazer) engendrado nas entranhas da frieira mais macabra do dedo mínimo do pé esquerdo de Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti. Sem que a ficha tenha dado o ar da graça, eles, ainda como Los Hermanos, lançaram o pastelão da impostura, ao vivo, na Fundição Progresso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O disco abre até com vontade de enganar o mais incauto dos desconfiados com a faixa “The next time around”, uma balada indecisa em ir para frente ou ir para trás, embalada com uma das letras mais babacas do disco. O clima retrô permanece na segunda faixa, “Brand new start”, uma das poucas que se salvam nessa inesquecível ruma de músicas ruins. “Play the part”, terceira faixa do disco, se supera em todos os sentidos: mal cantada, mal arranjada, mal tocada, melodia ridícula, letra imbecil, e o vocal de fundo... bem, o vocal de fundo é trágico, sem conseguir nenhuma raspa de comicidade. Essa faixa é só para quem segura o ovo esquerdo de Rodrigo e vigia o direito. Ruim é pouco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“No ones better sake” é a única faixa que presta de verdade e tem uma pegada mais parecida com alguma coisa, mas nada que possa salvar a bruxinha se afogando. Logo em seguida o travesseiro definitivo é servido, uma obra prima de mediocridade. O famigerado vocal de fundo reaparece em “Unattainable”, cantada por Binki Shapiro, através da verdadeira fórmula do diazepan, e se prolonga em forma de anestesia para elefante na faixa seguinte, “Shoulder to shoulder”, que tem o solo de guitarra mais cretino do disco, e “With strangers”, que tenta parecer o lado imóvel do Los Hermanos. Aliás, dizer que existe alguma coisa musical nesse disco é muita generosidade. Little Joy é realmente pequeno e sem significado ou significante.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334682427413845026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 256px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SgiZZ0OFVCI/AAAAAAAAAyE/NJUCScKCgWk/s400/02_MHG_joy02.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Já estamos na faixa oito do disco, “Keep me in mind”, e a cretinice se instala de vez. Essa faixa é um pastiche desacelerado dos Strokes, que vexame, que mico, justamente para quem já participou diretamente de dois dos maiores discos da história do rock brasileiro: “Bloco do eu sozinho” e “Ventura”. Não vou nem comentar a presença do músico Moretti, por que de fato ela não aconteceu, ainda mais com esse timbre ridículo de caixa e bumbo. Acho até que ele deveria ter arranjado algum tempo no Brazil e feito um curso intensivo com Pantico ou Pupilo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas o pastiche continua na faixa seguinte, “How to hang a warhol”, em que parece que Juliann Casablancas, vocalista e líder dos Strokes, depois de tomar trezentas caipirinhas nos cabarés da Lapa, resolve dar uma canja.Binki Shapiro, namorada de Fabrizio e modelo profissional volta a atacar em, “Don`t watch me dancing”. Ao longo dessa cansativa audição, não sei se a banda tenta parecer Cat Power ou Cowboy Junkies, mas see que ela não conseguiu um mínimo de legitimidade. No entanto o tratamento mais radical contra a insônia só termina onze faixas depois, com “Evaporar”, um letárgico Rodrigo Amarante desfiando uma pífia filosofia sobre o tempo, que só faz reafirmar a certeza de que o primeiro disco do Little Joy é uma verdadeira perda de.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eis os responsáveis:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fab Moretti – guitarra / vocais&lt;br /&gt;Binki Shapiro – vocais / teclados&lt;br /&gt;Rodrigo Amarante – vocais / guitarra / teclados&lt;br /&gt;Todd Dahlhoff - baixo&lt;br /&gt;Noah Georgeson – guitarra / teclados&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3311536695572921508?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3311536695572921508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3311536695572921508' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3311536695572921508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3311536695572921508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/05/little-joy-sonifero-para-cavalo-atraves.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SgiZG-j4mjI/AAAAAAAAAx8/8uRviTVaZoU/s72-c/Little_Joy_-_Little_Joy_-_capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-5693635100441544329</id><published>2009-05-10T12:08:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T12:09:04.252-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;Quinze minutos e não mais&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há um utilitarista&lt;br /&gt;Dentro do capuz azul&lt;br /&gt;Dentro do cu da codorniz&lt;br /&gt;Doido pra fazer um&lt;br /&gt;Fundamentalista feliz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que importa&lt;br /&gt;Se a lista é longa&lt;br /&gt;E se os produtos permanecem&lt;br /&gt;Imóveis na prateleira à espera&lt;br /&gt;Do irrevogável John Stuart Mill&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que importa&lt;br /&gt;Se o impostor se masturba&lt;br /&gt;Olhando para a camponesa&lt;br /&gt;Do rótulo vermelho&lt;br /&gt;Da lata de manteiga&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-5693635100441544329?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/5693635100441544329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=5693635100441544329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5693635100441544329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5693635100441544329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/05/quinze-minutos-e-nao-mais-ha-um.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-5776113177024218732</id><published>2009-05-08T15:07:00.002-07:00</published><updated>2009-05-08T15:09:29.894-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alguns segundos antes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Agora o que possuo&lt;br /&gt;É esse dia trinta e três&lt;br /&gt;Olho com meus dedos&lt;br /&gt;Essa antinomia falida&lt;br /&gt;Sinto o cheiro corcunda&lt;br /&gt;Do cafezinho que foi&lt;br /&gt;Servido a toda a escória&lt;br /&gt;Aquela mesma que tem&lt;br /&gt;Roubado a minha alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus apelos já não são&lt;br /&gt;Mais sinceros como antes&lt;br /&gt;A padaria em que eu&lt;br /&gt;Hipotequei minhas vísceras&lt;br /&gt;Virou um estacionamento&lt;br /&gt;Olho para minhas pernas&lt;br /&gt;Ainda trêmulas e sinto&lt;br /&gt;Que Maiakovski nunca&lt;br /&gt;Foi um canalha como eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o que possuo&lt;br /&gt;É da corja da esquina&lt;br /&gt;Também pudera a corja&lt;br /&gt;Toda me pertence inteira&lt;br /&gt;Estão lá perambulando meus&lt;br /&gt;Desejos embalsamados&lt;br /&gt;E meu prazer infinito de&lt;br /&gt;Ser chicoteado até o sangue&lt;br /&gt;Pela balconista zarolha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-5776113177024218732?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/5776113177024218732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=5776113177024218732' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5776113177024218732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5776113177024218732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/05/alguns-segundos-antes-agora-o-que.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-2025416141579142002</id><published>2009-05-08T15:07:00.001-07:00</published><updated>2009-05-08T15:08:51.274-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;Os famosos quinze minutos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não conheço&lt;br /&gt;A teogonia defendida&lt;br /&gt;Pelos mulçumanos&lt;br /&gt;Muito menos vejo&lt;br /&gt;Percevejos na barba culpada&lt;br /&gt;Atribuída aos judeus&lt;br /&gt;Na crucificação de Jesus&lt;br /&gt;Nem sei do sangue&lt;br /&gt;Escorrido em Constantinopla&lt;br /&gt;Pouco me importa também&lt;br /&gt;Se Napoleão cagava de cócoras&lt;br /&gt;Suas mágoas na ilha de Elba&lt;br /&gt;Ou se o parvo D. João VI&lt;br /&gt;Babava gordura pelo&lt;br /&gt;Canto da boca após devorar&lt;br /&gt;Cinco frangos de uma vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única história&lt;br /&gt;Que me interessa de fato&lt;br /&gt;É documentar com&lt;br /&gt;Meus olhos de cafajeste&lt;br /&gt;Belarmina armada até os dentes&lt;br /&gt;Com um velho barbeador bic&lt;br /&gt;Depilar sua linda vulva&lt;br /&gt;E se cortar pelo menos&lt;br /&gt;Por três vezes&lt;br /&gt;E quando ela afasta&lt;br /&gt;O lábio esquerdo ainda mudo&lt;br /&gt;E passa a lâmina rente&lt;br /&gt;Á varize encravada&lt;br /&gt;Na reentrância da perna&lt;br /&gt;Eu tenho a imperdoável certeza&lt;br /&gt;Que já não me pertenço mais&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-2025416141579142002?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/2025416141579142002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=2025416141579142002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2025416141579142002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2025416141579142002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/05/os-famosos-quinze-minutos-nao-conheco.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-2684583424951638280</id><published>2009-05-08T15:07:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T15:08:05.755-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;Uma e um&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem no coração da cidade&lt;br /&gt;Existe um ferro velho&lt;br /&gt;Carcomido pela esperança&lt;br /&gt;De dias melhores&lt;br /&gt;Lá as carcaças enferrujadas&lt;br /&gt;Sonham com velocidades amenas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem no coração de Sebastião&lt;br /&gt;Quando posto ele entre dentes&lt;br /&gt;Um gosto de aço urdido&lt;br /&gt;Aflora sem nenhum polimento&lt;br /&gt;Quando ele imagina estuprar a irmã&lt;br /&gt;Dentro do fusca esmaecido&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-2684583424951638280?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/2684583424951638280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=2684583424951638280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2684583424951638280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2684583424951638280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/05/uma-e-um-bem-no-coracao-da-cidade.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-2358581525822315908</id><published>2009-04-20T15:09:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T15:13:33.260-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/Sezy1MlBbeI/AAAAAAAAAxc/0F7HarIpmp4/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326899454995951074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 275px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/Sezy1MlBbeI/AAAAAAAAAxc/0F7HarIpmp4/s400/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;Estômago&lt;br /&gt;Um filme para quem tem fome de arte&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As locadoras acabaram de receber a versão para DVD de uma das mais elaboradas películas do cinema nacional. “Estômago” não funda nenhum movimento, não trai nenhum movimento, não desconstrói nada, não apresenta nenhuma alternativa nova para o mercado Cult, é sem mirabolâncias ou invencionices iridescentes, apenas resgata a narratividade do cinema. E é justamente aí que reside a genialidade dessa verdadeira obra de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe da merdologia global, do engajamento social, das soluções cretinas dos efeitos especiais, bem como do pseudo historicismo panfletário que povoam os editais públicos e privados do país da corrupção, “Estômago” nasce como o recrudescimento da verdadeira arte cinematográfica brasileira, sem se quedar ao provinciano ranço fáustico do: “tem que ser mambembe para ser genuinamente brasileiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma produção bi-nacional, brasileira e italiana, um canal oficial de cooperação tecno-artística pouco utilizada pelos produtores brasleiros. É uma realização das produtoras Zencrane e Indiana, brasileira e italiana, respectivamente. O filme tem a excelente direção de Marcos Jorge, que estréia em grande estilo, construindo uma carreira premiada, reconhecida pela sua capacitação profissional e pela sua legitimação artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estômago” nasceu de um conto de Lucas Silvestre, roteirista, e narra a saga epifânica de Raimundo Nonato, existencialmente transformado em Alecrim. O enredo é magistralmente bem modelado em sua simplicidade e magnificamente complexo em sua alegoria crítica da decadência dos valores universais. “Estômago” não nega as suas filiações felinianas e do Realismo italiano como um todo, mas não se apropria indebitamente de nenhuma estética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de transitar pelos conceitos e limitações do Neo-Ralismo e do Neo-naturalismo, a direção e o roteiro fornecem identidade ao filme. A breve epopéia de Raimundo Nonato é engrandecida ainda mais pela espetacular atuação de João Miguel, o mesmo que estrelou “Cinema, aspirinas e urubus”, “O céu de Suely” e “Mutum”, entre outros. Com a presença grandiosa de Fabíola Nascimento, no papel da prostituta Íria, o enredo navega em sua semiologia do desejo humano.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326899810157977618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 256px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SezzJ3qP4BI/AAAAAAAAAxk/WXhxSGN31Bw/s400/est2.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Não espere um filme sobre receitas e pratos delicados. A ironia corrosiva do enredo extrapola, projeta para além do amor e da morte a trajetória trágica desse anti-herói brasileiro. A épica de Raimundo Nonato é contada em dois momentos, que se completam e se desdobram. Mas a metáfora do alimento que saciará a fome dos desejos, não é só dele, é nossa também. O canibalismo de Raimundo é a própria transmutação selvagem da libido pós-moderna, que fornece instrumentos e aparelhamentos para a sofisticação da nossa decadência mais profunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo de “Estômago” é tão bem arquitetado que eu corro o risco de quebrar o grande barato de assisti-lo. Mas vale a pena aqui ressaltar que é através da culinária que Raimundo Nonato cria o seu decadente reduto de poder. Ele percorre os ritos de passagens em que o transformam em Alecrim com a suprema ironia do encanto e desencanto. O crescendo da trama é cheio de implicações interpretativas, que vão da sutileza da combinação das cores do ambiente e do figurino até a carga dramática reveladora da mais animalesca natureza humana.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326900046235035682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SezzXnHZ6CI/AAAAAAAAAxs/PJc6lsR-xm0/s400/est.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;É muito gratificante perceber como ainda é possível utilizar a arte para criticar a bestialidade humana. A comida aqui é a alegoria da usinagem humana que transforma a sagração da existência em excremento. Não é aleatório o fato de “Estômago” começar com um close na boca de Raimundo Nonato e terminar com outro close no seu traseiro. Aliás, nada é aleatório nessa obra de arte. Desde a trilha sonora do discípulo de Enio Morricone, Giovanni Venostra, passando pelos ambientes claustrofóbicos, até aos gestuais próprios dos nichos sociológicos apresentados, está perfeitamente interligado à epifania de Raimundo Nonato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas cenas de “Estômago” já fazem parte da novíssima antologia da novíssima geração de cineastas brasileiros, que vieram como uma falange, espantar de uma vez por todas, a falta de técnica, a escassez de temáticas, e a inoperância estética de velhas figuras carimbadas do cinema nacional, que se tornaram órfãos da criatividade após as quedas da ditadura militar, do muro de Berlim e das torres gêmeas. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-2358581525822315908?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/2358581525822315908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=2358581525822315908' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2358581525822315908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2358581525822315908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/04/estomago-um-filme-para-quem-tem-fome-de.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/Sezy1MlBbeI/AAAAAAAAAxc/0F7HarIpmp4/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3987727550872867896</id><published>2009-04-15T14:48:00.000-07:00</published><updated>2009-04-15T14:51:51.128-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SeZWx3k_LKI/AAAAAAAAAw8/8Xh4A1wuvOc/s1600-h/patativa-do-assare-poster01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325039024144854178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 281px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SeZWx3k_LKI/AAAAAAAAAw8/8Xh4A1wuvOc/s400/patativa-do-assare-poster01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;Patativa do Assaré - Ave Poesia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;O dito pelo não dito &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Patativa do Assaré já não se pertence mais, o materialismo histórico já providenciou o esvaziamento de sua propriedade. Até mesmo a obviedade canastrona das metáforas do homem pássaro e da poesia alada já perdeu o protocolo de posse e grilagem. Sobre o ícone histórico de um dos maiores poetas brasileiros paira uma solerte sombra de reforma agrária do seu legado poético, em que o aparelhamento de sua imagem e do seu prestígio atende aos mais diversos fins, como se a história fosse um pano de cozinha capaz de ser retorcido ao extremo. O documentário “Patativa do Assaré – Ave Poesia”, de Rosemberg Cariry, é um exemplo desse processo de reificação do poeta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao término da exibição do filme, a sensação que o espectador mais desavisado tem é que Patativa do Assaré só não fez parte da resistência armada contra a ditadura militar, em grupos como o MR-8, VPR ou VAR-Palmares, por puro capricho do destino, que em espetaculosa chantagem emocional existencialista o transformou em um poeta cantor do pathos das vítimas da exploração latifundiária e da escravidão capitalista, ainda reservando uma canonização heróica, dentro da mais pura utopia romântica revolucionária. Reduzir a esse patamar a vida e a obra de um dos mais profícuos poetas do século XX é tentar engarrafar mil rosários, trezentas enxadas, oitocentas rabecas e mais trinta mil chapéus de palha, em uma garrafa pet e vender como souvenir em um congresso de um partido populista de esquerda qualquer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O cineasta Rosemberg Cariry não consegue ultrapassar as fronteiras amareladas do Cinema Novo e sua concepção nacionalista de que o homem novo surgiria messianicamente do seio do povo, das entranhas das raízes populares da cultura, o único portal cósmico capaz de formatar a verdadeira identidade brasileira. Essa postura ideológica de esquerda, às vezes festiva, de encontrar a legítima essência brasileira a partir de uma celebração inconteste das camadas populares e suas respectivas culturas foi fomentada e sedimentada principalmente nas fileiras dos Centros Populares de Cultura, do Partido Comunista, e da célebre Revista Civilização Brasileira, entre 1968 e 1978, através de artigos de autores da resistência intelectual como Octavio Ianni, Roberto Schwarz, Heloísa Buarque de Hollanda e Ferreira Gullar, entre outros. A partir daí nasceram e cresceram as inúmeras diluições sectárias do herói brasileiro, ora com fundamentações marxistas-lenistas, ou maoístas, ou trotskistas, ou de outras vertentes mais incautas ou mais caricaturais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por um lado, algumas idiossincrasias chamam a atenção nesse documentário, às vezes pela ironia da própria história desapropriada, às vezes pela ironia apropriada pela própria história. De fato existe esse aspecto de crítica social na obra do maior poeta cearense, vivo ou morto, com ou sem recompensa. Não há como refutar isso. Mas também é fato que a trajetória literária e existencial do poeta é muito maior e muito mais diversificada, é um trem com diversos vagões e diversas estações, nem sempre concatenadas com esse ideário criado para ele, como uma aureola redentora. Dentro do contexto geral do documentário não dá para disfarçar, por exemplo, a dicotomia escatológica da imagem de Tarso Gereissatti e alguns outros políticos da mesma estirpe rodeando o caixão do poeta mitografado em seu velório.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, algumas imagens escolhidas do poeta são formidáveis, bem como algumas figurações são indeléveis. No que pese a força criativa de um poeta inspirado e desimpedido pelas amarras da totalização cultural, em que o produto vale muito mais do que o produtor, todas as recitações do poeta são marcadas pela legitimidade, pela honestidade e pela dignidade de um homem supremo em sua arte de analisar o mundo que o rodeia e o concebe. A poesia de Patativa do Assaré é bem maior do que uma cicatriz marcada por um regime político de exceção, não menos descomunal é sua simplicidade em cenas domésticas. Ele sim, em sua plenitude criativa e existencial, carrega em si uma dramaticidade repleta de vigor, capaz de emocionar até mesmo o mais anacrônico dos comunistas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a name="Ficha_Técnica"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; -Título Original: Patativa do Assaré - Ave Poesia Gênero: Documentário -Tempo de Duração: 84 minutos - Ano de Lançamento (Brasil): 2009 - Estúdio: Cariri Filmes / Iluminura Filmes - Distribuição: Direção: Rosemberg Cariry - Roteiro: Rosemberg Cariry - Produção: Petrus Cariry e Teta Maia - Música: Patativa do Assaré, Fagner, Fausto Nilo, Mário Mesquita, Ricardo Bezerra, Pingo de Fortaleza e irmãos Aniceto - Fotografia: Jackson Bantim, Ronaldo Nunes, Beto Bola, Kin, Rivelino Mourão, Luiz Carlos Salatiel e Fernando Garcia - Edição: Rosemberg Cariry &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3987727550872867896?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3987727550872867896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3987727550872867896' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3987727550872867896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3987727550872867896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/04/patativa-do-assare-ave-poesia-o-dito.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SeZWx3k_LKI/AAAAAAAAAw8/8Xh4A1wuvOc/s72-c/patativa-do-assare-poster01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3882531145670352629</id><published>2009-04-03T13:05:00.001-07:00</published><updated>2009-04-03T13:05:51.831-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;Cinco e vinte&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os ônibus cobram&lt;br /&gt;O ônus do ar com seus&lt;br /&gt;Ânus de metal mundano&lt;br /&gt;Recobrem com&lt;br /&gt;Camadas sombrias&lt;br /&gt;O ferro oxidado&lt;br /&gt;Por asilos azedados&lt;br /&gt;Onde as lágrimas&lt;br /&gt;De Matilde respingam&lt;br /&gt;Em esgrimas furtivas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua é imberbe&lt;br /&gt;Nela nada cresce&lt;br /&gt;Em forma de perdão&lt;br /&gt;O trânsito trafica&lt;br /&gt;Em segredo o sol&lt;br /&gt;Apagado da solidão&lt;br /&gt;Em um silêncio postergado&lt;br /&gt;O velho portão perdeu&lt;br /&gt;O domínio total&lt;br /&gt;Das suas fronteiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matilde apenas olha&lt;br /&gt;Fabrica soluços&lt;br /&gt;E embala em lenços&lt;br /&gt;Que transportam&lt;br /&gt;Para sua alma o lixo&lt;br /&gt;Cuidadosamente estocado&lt;br /&gt;Em seus aposentos&lt;br /&gt;Ela chora a ausência&lt;br /&gt;Da sodomia do seu cão&lt;br /&gt;Atropelado recentemente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3882531145670352629?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3882531145670352629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3882531145670352629' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3882531145670352629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3882531145670352629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/04/cinco-e-vinte-os-onibus-cobram-o-onus.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1399222349527687038</id><published>2009-02-28T11:27:00.001-08:00</published><updated>2009-02-28T11:29:30.705-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SamQR8DifwI/AAAAAAAAAwM/fzitcibQAtc/s1600-h/o_amor_e_um_cao(8).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307932273685987074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 205px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SamQR8DifwI/AAAAAAAAAwM/fzitcibQAtc/s400/o_amor_e_um_cao(8).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;“O amor é um cão dos diabos”&lt;br /&gt;Charles Bukowski – Um fantasma urbano&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Bukowski nunca morreu. Ele passou por um processo de destilação. Foi depurado. E também dependurado pela infâmia, enforcado como um indigente intelectual. Seus escritos cheiram a detergente de banheiro público. E como os velhos pombos que se revezam para cagarem na estátua do passado, ele não se esforça mais para reaparecer, alguém faz isso por ele. Afinal de contas, sempre alguém tem que fazer o serviço sujo, seja no sentido lato seja no sentido estrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez foi a L&amp;amp;PM Editores, além de outros títulos desse poeta maldito, foi publicado em uma pequena tiragem “O amor é um cão dos diabos”, com tradução de Pedro Gonzaga, de 2007 e ainda não esgotada. O livro conserva em garrafas de vinho barato uma coletânea de poemas escritos entre 1974 e 1977. Neles o velho safado faz referências ao sexo pago, aos balcões de quinta categoria, às drogas, às bebedeiras, às corridas de cavalos e à onipotente decadência da sociedade americana como um todo. Entre um vômito e outro, uma puta e outra, não faltam referências metalingüísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bukowski nunca foi beat. Bukowski nunca ligou para a estética. A sua concepção de arte é uma luta de boxe, é uma corrida de cavalos, ganha quem apostar certo. Quem perder pegue suas coisas e caia fora, sem precisar lavar as mãos ou a bunda. Para imaginar o Senhor Buk recitando o seu poema cínico: “Como ser um grande escritor”, é preciso nublar a mente e entorpecer as pretensões ou faça como quem vai comprar uma dúzia de ovos para bebê-los na casca ainda manchada pela cloaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim os versos surgem como uma hemorragia de um pilantra esfaqueado em uma noite desiludida: “Arranje uma grande máquina de escrever / e assim como os passos que sobem e descem / do lado de fora de sua janela / bata na máquina / bata forte // faça disso um combate de pesos pesados // faça como um touro no primeiro ataque // e lembre dos velhos cães / que brigavam tão bem: / Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun.” Essa verve tem a erupção repentina de um sexo reprimido por tanto tempo. Assim serpenteia na velha cidade decrépita a língua pagã do poeta degenerado.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307932525032291954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 273px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SamQgkZKvnI/AAAAAAAAAwU/x9dgTQE6Erg/s400/1978-charles_bukowski_in_french_television.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Bukowski nunca foi honesto. Da mesma forma que ele nunca pagou uma conta inteira, ele sempre camuflou sua linguagem com a despretensão canastrona dos espiões. Ele desconstruía a sua técnica para não parecer estranho à porção de bacon frito com conhaque de um dólar. Isso ele fazia como ninguém. Ele era, da sua sarjeta, um voyeur da sarjeta alheia. Ele sentia prazer em lamber a lâmina da faca infectada. “Frequentemente vou comer nesse / lugar / por volta das 2h30 da tarde / porque todas as pessoas que almoçam / ali estão particularmente arruinadas / felizes pelo simples fato de estarem vivas e / comendo feijão / próximas a uma janela de vidros espelhados / que impede a passagem do calor / e não deixa que os carros e as / calçadas cheguem ao interior.” Rosna ele em “Uma janela de vidros espelhados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O realismo sujo desse poeta alemão-americano não é o mesmo empalhado nas pulgas, percevejos e carrapatos vendidos diluidamente em livrarias de avenidas com grande fluxo e consumido e imitado por poetas nanicos que bebem e depois lavam os aparelhos dos dentes com listerine para esconderem a ressaca. O latido desse cão só é fiel ao cio da sua própria existência. Esse é o realismo de quem de fato brigou intensamente com a vida. Quando criança Bukowski era espancado constantemente pelo pai alcoólatra. Na adolescência tornou-se mais pobre ainda e ganhou inflamações cutâneas por todo o rosto e tórax, que transfiguraram a sua solidão para sempre. Definitivamente ele entrou para a marginalia urbana como um velho trilho por onde não passam mais trens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bukowski nunca foi um queridinho da mídia. Sempre foi um velho anarquista. Começou a escrever tardiamente, já com 35 anos, e o fez com a paixão de um maníaco, bem mais do que cem livros. Escreveu prosa e poesia, boa e ruim. Praticou a grande literatura e a literatura barata, que não serve nem para enrolar peixe na beira do cais. Mas esse é que é o grande barato ao ler Bukowski: descobrir quais são os caminhos que levam a um boteco enfumaçado e cheio de putas e marginais ou aqueles que levam aos grandes salões freqüentados pelas boas famílias e pelos estelionatários culturais.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1399222349527687038?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1399222349527687038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1399222349527687038' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1399222349527687038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1399222349527687038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/02/o-amor-e-um-cao-dos-diabos-charles.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SamQR8DifwI/AAAAAAAAAwM/fzitcibQAtc/s72-c/o_amor_e_um_cao(8).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8463066882411207317</id><published>2009-02-27T09:44:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T09:46:09.046-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;&lt;strong&gt;Cinco para as quatro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eis um rio desaguado&lt;br /&gt;Que solidão insólita aquela&lt;br /&gt;Sem dentição aparente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na margem direita&lt;br /&gt;A desolação do velho sofá&lt;br /&gt;Sem reino e sem níqueis&lt;br /&gt;Retidos em segredos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na margem esquerda&lt;br /&gt;A disjunção onírica&lt;br /&gt;Das cápsulas deflagradas&lt;br /&gt;Que não decifram o inimigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na margem incontida&lt;br /&gt;O prazer inafiançável de&lt;br /&gt;Se dependurar em grampos&lt;br /&gt;Sob a pele em sala escura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis uma inundação&lt;br /&gt;De espermas nas pernas&lt;br /&gt;Sem restrição aparente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8463066882411207317?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8463066882411207317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8463066882411207317' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8463066882411207317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8463066882411207317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/02/cinco-para-as-quatro-eis-um-rio.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7525920962372445957</id><published>2009-02-25T07:44:00.000-08:00</published><updated>2009-02-25T07:50:12.477-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SaVoIg5y3eI/AAAAAAAAAuc/wPtXgEhP0PY/s1600-h/174819g.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306762231406583266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 153px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SaVoIg5y3eI/AAAAAAAAAuc/wPtXgEhP0PY/s400/174819g.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Torquatália&lt;br /&gt;Torquato Neto em obras reunidas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A editora Rocco lançou obras reunidas de Torquato Neto em dois volumes, com organização de Paulo Roberto Pires, sob os títulos de Torquatália Volume I (do lado de dentro) e Torquatália Volume II (geléia geral). Todos muito bem organizados e muito bem pesquisados, mas com capas poquissimamente transadas, como diria o vampiro, o nosferatu urbano. Mas o que importa é o conteúdo, é estar por dentro, sem deixar nada por fora, sem deixar de constranger o constrangimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos dois um me chamou mais a atenção, o volume dois, que tem as colunas escritas pelo poeta piauiense, o período do Jornal dos Sports, com a coluna Música Popular; a curta colaboração no encarte Plug, do Correio da Manhã; e a deliciosa fase da coluna Geléia Geral, do jornal Última Hora. São escritos deferidos à queima roupa, em grande estilo bang, visceralmente passionais, desbundadamente transados, sem grilos, desbaratinados, sem nada nos bolsos ou nas mãos, apenas uma câmera na cabeça e um cometa iridescente entre os dedos, deixando um rastro imenso de história viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as referências históricas, tidas ou retidas, são narrativas vivas - no sentido de Baudrillard - tenham ou não cursividade e sem nenhum cunho de verdade absoluta. Mas existem algumas referências históricas que são imanentes em suas revelações e que acabam por traduzir o idioma mais estranho do significado. As colunas de Torquato, que não era Hércules e nem Quasímodo, servem para desmoronar mitos e relíquias, reconstruindo, elas mesmas, um novo descaminho para a indulgência sub-repticiamente engalanada pela benevolência crítica.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306762304455804514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SaVoMxCFhmI/AAAAAAAAAuk/BchvpTRzf4A/s400/torquato.gif" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Lendo os escritos da coluna Musica Popular, em que o então paladino das purezas estéticas postula suas fileiras de resistência cultural à invasão globalizada do rock e outras milongas, fica fácil perceber que aquelas velhas paridades dialéticas entre o velho e o novo, evidentes em um Brasil remoto(?) da Semana de Arte Moderna, estavam mais vivos do que nunca. Sendo que curiosamente o lado da vanguarda clamava pela tradição, assim, a palavra que mais se escreve é samba, em que se deve ler preservação; imobilidade; gôndolas de mansinho na mesmice; defesa inconteste da isonomia cultural brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torquato escrevia sinceramente e deliberadamente determinava seus domínios e seus redutos. Já era ditadura em seus princípios. A esquerda defendia o que era “nosso”, purificada cultura cabocla e popular. A direita se quedava ante os encantos reacionários americanos. A igreja agradecia os milagres da repressão. A sociedade prosseguia com sua extensa marginalia provinciana. O mercado fonográfico assumia ares demoníacos e capitalistas. Surgiam Chico Buarque, Gilberto Gil, Sidney Miller, Caetano Veloso e Sérgio Ricardo, entre outros, que defenderiam nos grandes e pequenos festivais a música brasileira das impurezas. Era o tempo de marchas, modinhas, sambas e similares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande inimigo era o iê-iê-iê na forma de pastiche e a tendência de eletrificação da música popular. Há quem afirme que era o proto-rock brasileiro. São incríveis as secularizações dos ambientes, das pessoas, dos artistas, dos empresários e da convivência cultural no eixo Rio-São Paulo, registradas por Torquato Neto, nem sempre com propriedade crítica, mas sempre munido de opinião e coragem, verdadeiramente os únicos recursos que nos podem salvar dos Chapolins Colorados da ética e das etiquetas intelectuais.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306762439464271122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 348px; CURSOR: hand; HEIGHT: 327px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SaVoUn-nPRI/AAAAAAAAAus/DLJipK8ynHs/s400/torquato-neto-cr2.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Já no período final dessa fase, com a decisão de eletrificação da música por Gilberto Gil, registrado em artigo do dia primeiro de outubro de 1967, sob o título de Compositores e Críticos, é muito delicioso perceber como a percepção intelectual de uma grande figura começa a ser moldada em pleno conflito ideológico. É muita riqueza existencial: eis o verdadeiro pf cultural, alimenta o espírito e a conduta, sem afetações ou messianismos. Para alguns exegetas mais apressados aqui se delineia um dos principais ingredientes existenciais que culminariam no suicídio de Torquato Neto, em 1972.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito legal perceber como a mudança ideológica, diria até, a busca incessante, modifica o signo e a linguagem. Bem mais maduro esteticamente, mas grandemente dialético ideologicamente, Torquato se mistura, se mescla, se traveste de outras faces e de outras facetas. Uma sintaxe fluida ao mesmo tempo em que fragmentada e descontínua, apresenta fatos, versos e versões sob um olhar atento aos novos tempos ao mesmo tempo em que desatento aos mesmos contentos. Eis o vampiro, que não se cansa de transfusões. Adoro o som dessa metralhadora giratória. Algumas coisas devem ser realmente metralhadas, diante da sensibilíssima alienação dos cânones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de lá, da famosa Geléia Geral, que se erguem e se espalham os baratos, os grilos, as transas e os parangolés opinativos de maior grandeza. Os laços afetivos se expandem pouco, mas se solidificam em trincheiras acesas, em guetos, em células de resistência, em aparelhamentos e patrulhas, como estrategicamente queriam os criminosos da ditadura militar, agora em plena tragédia social. Torquato escreve e pensa sobre cinema, música e arte em geral. Torquato confessa e exibe suas inquietações, escreve poesia e deixa um rastro indelével em nossa cultura. Nas entrelinhas é possível perceber o fim trágico, mas jamais o término, pois isso não se finda, se desdobra em encantamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns detalhes transformam curiosidades em outras narrativas. Em momento nenhum se lê a palavra, o nome, a entidade: Tom Zé, a não ser pelo organizador, na cronologia inserida como último capítulo. Hermeto Pascoal também não é citado, como também Rogério Duprat. E deveriam? Em nenhum momento existe menção direta ao Tropicalismo, como um movimento, em nenhum escrito de nenhuma coluna. São apenas ossos do ofício? Leia o livro e tire suas conclusões. Eu recomendo, do alto da minha insolência crítica.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7525920962372445957?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7525920962372445957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7525920962372445957' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7525920962372445957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7525920962372445957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/02/torquatalia-torquato-neto-em-obras.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SaVoIg5y3eI/AAAAAAAAAuc/wPtXgEhP0PY/s72-c/174819g.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1759548205178443857</id><published>2009-02-06T16:25:00.000-08:00</published><updated>2009-02-06T16:27:29.711-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Três e trinta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Em cada esquina&lt;br /&gt;O tempo ejacula um poste&lt;br /&gt;Com um entroncamento&lt;br /&gt;De fios de alta tensão&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Por onde entre ângulos exóticos&lt;br /&gt;De paralelos elétricos se vê&lt;br /&gt;Um avião planar seus metais&lt;br /&gt;Antes de pousar sua melancolia&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Enquanto a corrente passa&lt;br /&gt;Fazendo um zumbido seminal&lt;br /&gt;Os micro-ondas agendam&lt;br /&gt;Seus compromissos eletrônicos&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Uma janela decaída&lt;br /&gt;Do primeiro andar decaído&lt;br /&gt;Em tese se alimenta da luz lilás&lt;br /&gt;De um supremo abajur&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Lá naquele intransigente&lt;br /&gt;Apartamento decaído&lt;br /&gt;Florinda toda acorrentada&lt;br /&gt;Treme de gozo a cada chicotada&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1759548205178443857?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1759548205178443857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1759548205178443857' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1759548205178443857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1759548205178443857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/02/tres-e-trinta-em-cada-esquina-o-tempo.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8212578747278816820</id><published>2009-02-05T09:35:00.000-08:00</published><updated>2009-02-05T09:36:12.271-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;Fração de segundos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sete parafusos balançam&lt;br /&gt;Afoitos na fuselagem da fuligem&lt;br /&gt;Toda vez que os sete ratinhos fundam&lt;br /&gt;A anarquia e roem as fantasmagorias&lt;br /&gt;Das flores alegóricas que rondam&lt;br /&gt;A vagina virgem de Madalena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do horizonte&lt;br /&gt;É possível vislumbrar a sombra&lt;br /&gt;Dos soldados sem soldos que lutam&lt;br /&gt;Pela transubstanciação do mito&lt;br /&gt;Os coágulos dormem sob os dígitos&lt;br /&gt;As moscas fecundam os signos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8212578747278816820?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8212578747278816820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8212578747278816820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8212578747278816820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8212578747278816820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/02/fracao-de-segundos-sete-parafusos.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-6371232911824166337</id><published>2009-02-04T12:46:00.000-08:00</published><updated>2009-02-04T12:47:22.398-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;&lt;strong&gt;Doze em ponto&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por tanto tempo&lt;br /&gt;Essa canção em costelas e pele&lt;br /&gt;Se esgueira pelas frestas do cabaré em festas&lt;br /&gt;Os ouvidos imundos são bem mais&lt;br /&gt;Mundanos do que sortudos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A usura dessas pústulas&lt;br /&gt;É serem divertidas por tanto tempo&lt;br /&gt;Esquadrinhados em balcões cabisbaixos&lt;br /&gt;São esses os cotovelos velados&lt;br /&gt;Na fila torta da sopa embalsamada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trezentos porcos famintos&lt;br /&gt;Chafurdem por tanto tempo nos desejos&lt;br /&gt;Sumários de Das Dores Sem Piedade&lt;br /&gt;Conhecida por suas complexas depilações&lt;br /&gt;Eróticas com borboletas enferrujadas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-6371232911824166337?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/6371232911824166337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=6371232911824166337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6371232911824166337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6371232911824166337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/02/doze-em-ponto-por-tanto-tempo-essa.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' 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class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Vez ou outra ela&lt;br /&gt;Escorre pelo corredor&lt;br /&gt;Comprime a vulva sem vírgulas&lt;br /&gt;Na aba do assento e sente&lt;br /&gt;Mais que um leve tremor&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1800313352164461416?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1800313352164461416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1800313352164461416' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1800313352164461416'/><link rel='self' 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depois&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E mesmo assim&lt;br /&gt;Toda aquela área será interditada&lt;br /&gt;O envenenamento foi pelo excesso de&lt;br /&gt;Parágrafos carcomidos e incisos&lt;br /&gt;Evasivos em pura lascívia&lt;br /&gt;E logo logo estavam todos ali&lt;br /&gt;Olhares sedentos e botas&lt;br /&gt;Muito bem lustradas&lt;/p&gt;                  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Apesar do prédio esquelético&lt;br /&gt;Com vidraças quebradas&lt;br /&gt;E infiltrações informais&lt;br /&gt;Ela parecia flutuar em uma vitrine&lt;br /&gt;Dependurada em cordas que&lt;br /&gt;Ela amava amarrá-las&lt;br /&gt;O silêncio era soberbo como&lt;br /&gt;Um diploma bem dobrado&lt;/p&gt;                  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E mesmo assim&lt;br /&gt;Toda aquela área será interditada&lt;br /&gt;Vão aproveitar a fiação elétrica&lt;br /&gt;Para vender no quilo&lt;br /&gt;Aquela impávida máscara negra&lt;br /&gt;Sem suspiro para os olhos&lt;br /&gt;Será a posse secreta de um&lt;br /&gt;Sobrenome bem nascido&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7330024190775561825?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7330024190775561825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7330024190775561825' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7330024190775561825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7330024190775561825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/01/vinte-e-quatro-horas-depois-e-mesmo.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7843984625861847554</id><published>2009-01-20T18:48:00.000-08:00</published><updated>2009-01-20T18:52:24.481-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quinze para as seis&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                            &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E ela sentada&lt;br /&gt;Sobre aquele velho banco de Kombi&lt;br /&gt;No meio do terreno baldio&lt;br /&gt;Com a ponta de cigarro&lt;br /&gt;Queimava as fuligens proto-plásticas&lt;br /&gt;Que esbravejavam o futuro esmigalhado&lt;br /&gt;Com os olhos em eterna pesquisa&lt;br /&gt;Vasculhava os recônditos&lt;br /&gt;Daquela alma tão pequena&lt;br /&gt;Posta naquele tão pequeno piolho&lt;br /&gt;Perdido e cheio de nostalgia&lt;br /&gt;Perdido na pele engelhada do seu joelho&lt;br /&gt;Tão pequeno e tão sujo&lt;/p&gt;                            &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Aquela voz parecia&lt;br /&gt;Embrulhada em uma velha sacola&lt;br /&gt;Expatriada clandestinamente&lt;br /&gt;De algum supermercado de subúrbio&lt;br /&gt;Você sabe o que é ducha dourada?&lt;br /&gt;É você abrir as pernas sujas&lt;br /&gt;E mijar sobre mim esse espasmo letal&lt;br /&gt;Tire com um abridor de latas&lt;br /&gt;O pecado que há nisso&lt;br /&gt;E ela sentada sobre as sobras serenas&lt;br /&gt;Daquele velho banco de Kombi&lt;br /&gt;No meio do terreno baldio&lt;br /&gt;E ela sorria apenas com o olhar&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7843984625861847554?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7843984625861847554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7843984625861847554' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7843984625861847554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7843984625861847554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/01/quinze-para-as-seis-e-ela-sentada-sobre.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3770157896137645499</id><published>2009-01-19T10:44:00.000-08:00</published><updated>2009-01-19T10:49:41.269-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SXTKlf80pHI/AAAAAAAAAsE/JAC6Hm-yvyc/s1600-h/200px-TomWaits-BoneMachine.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293078207647753330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SXTKlf80pHI/AAAAAAAAAsE/JAC6Hm-yvyc/s400/200px-TomWaits-BoneMachine.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;Bone Machine – Tom Waits&lt;br /&gt;O existencialismo surreal de um trovador&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Alguns o rotulam como experimentalista, outros o tratam como maldito e alguns fazem referências reservadas à sua relação estreita com o bizarro e o grotesco, como se fora fruto de uma mente atormentada. Muitos dão às costas à sua estética musical, fugindo dela como os cães fogem das entidades soturnas da noite. Já outros percebem o poder das suas letras e das suas composições, que funcionam como toras de madeira que flutuam ofertadas após um naufrágio trágico. No entanto, poucos têm a devoção que eu tenho por Tom Waits e seu universo existencialista e surreal, enquanto que sagrado e profano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente não é uma experiência comum ouvir Tom Waits. Sua figura em palco também não é menos estranha. Suas letras extrapolam de todas as formas o tradicional e as receitas de flatulências fartas do mundo pop. Sua voz... Sua voz?! Bem, sua voz é simplesmente um instrumento de travessia entre as dimensões da vida e da morte. Ela é rouca, áspera, grave, soturna, contundente, misteriosa, cínica, irônica, confessional, lírica, sentimental, estratosférica e esquisitamente poderosa em seu encantamento de tudo aquilo que respira e vibra, mesmo que de vidro, de aço, de plástico, de carne, sangue e ossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O muro para Tom Waits pode representar uma clausura enquanto fechado em seus fetiches pós-modernistas ou uma libertação enquanto destronado pelas alternativas de convivência com o decadente e ilusório, que se tornou o mundo da alta tecnologia, com suas exclusões clássicas, suas mercadorias, seus consumos e seus acúmulos de lucros. Mas nunca representa para ele o lugar ideal para sentar a bunda e ficar apreciando a paisagem de aniquilamento, com a baba descendo pelo canto da boca. Por isso que ele é infinitamente radical. Por isso que a sua alma é habitada por subúrbios, por trilhos de metrô que se cruzam em uma malha subterrânea, por transeuntes maculados pela vida, que desafogam ou afogam suas mágoas em templos, em infernos ou em bares enfumaçados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tom Waits nunca gasta por conta. Sua música é minimalista em seu instrumental, mas transborda elementos em seu entrelaçamento estético. É possível escutar em suas composições traços do blues, do gospel, do rock, da música de cabaré, do jazz, da vanguarda, das trilhas de filmes e de teatro, entre outros itens mais exóticos como o tribalismo e os ruídos. Suas letras são existenciais, com traços fortes do surrealismo, além de um vasto rebotalho urbano, em que a vida, a morte, as demências, os assassinatos, as prostitutas, o amor e o esplendor vivenciados nos cantos e recantos das metrópoles são abordados com freqüência. O olhar de Tom Waits é povoado por ruas, avenidas, pontes, viadutos, carros, vitrines, prédios, terrenos baldios, lixos e mais lixos, vez ou outra parques, além do ser humano em suas mais variadas vertentes, com ou sem segredos.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293078763134537442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 271px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SXTLF1TMTuI/AAAAAAAAAsM/ZjLkYhSmmlU/s400/17090101-17090103-large.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;“Bone Machine” é o décimo quarto disco de Tom Waits, realizado em 1992, pela Island Records. Esse é um disco referencial em sua carreira, não só pelos prêmios arrebatados e pelo deslumbramento da crítica especializada do mundo todo, mas também pela preservação da ousadia sonora e pela liberdade de criação. O disco foi gravado em uma sala de cimento cru, provedora de uma rica textura de ecos sutis, do Prairie Sun Recording studios, na California. A instrumentação, orquestração e arranjos são tão bizarros quanto às temáticas das composições, algumas já clássicas do cancioneiro alternativo internacional. A crítica alardeou as participações de Les Claypool, do Primus, e de Keith Richards, dos Stones. No entanto, elas passam apenas a fazer parte de um universo particular do autor, sem a menor chance de roubarem a cena ou qualquer coisa que o valha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As dissonâncias permanecem, bem como um certo ar teatral das interpretações. As percussões metálicas povoam todo o disco, além de guitarras acústicas, distorcidas e com timbres inusitados, fazendo companhias a pianos e baixos acústicos encharcados de melancolia soturna. Vez ou outra aparece uma bateria pela metade. Esse é o mesmo caso de alguns sopros. A mixagem das músicas também preserva o estranhamento característico desse autor, que é um dos mais inquietos e radicais de todos os tempos. O resultado final é um dos discos mais importantes da cena contemporânea, simplesmente único. Prefiro não falar das faixas e mandá-los diretamente para a audição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.torrentreactor.net/find/tom-waits-bone-machine &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3770157896137645499?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3770157896137645499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3770157896137645499' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3770157896137645499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3770157896137645499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/01/bone-machine-tom-waits-o.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SXTKlf80pHI/AAAAAAAAAsE/JAC6Hm-yvyc/s72-c/200px-TomWaits-BoneMachine.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-5965117569823989253</id><published>2009-01-16T08:07:00.000-08:00</published><updated>2009-01-16T08:09:49.756-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SXCxNor7pRI/AAAAAAAAArM/9tMFaYzMsnQ/s1600-h/59417g.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 125px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SXCxNor7pRI/AAAAAAAAArM/9tMFaYzMsnQ/s400/59417g.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291924409978430738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 102);font-size:180%;" &gt;A história sem embustes&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 102);"&gt;Os donos do Poder – Raymundo Faoro&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 102);"&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(255, 255, 102);"&gt;A história da formação do Estado brasileiro&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Muito mais infecciosa e nociva do que a interpretação bronca da história é o assujeitamento ideológico que se faz dela. O embuste ideológico da formação do estado brasileiro atende a vários interesses escusos, devidamente dissimulados pela santidade e pela pilantragem dos que estão no poder ou daqueles que dele querem se assenhorar. Eis uma questão de durabilidade e conservação. No intuito de separar o dito do não dito, a pústula da posteridade, bem como o prazo do vencimento, nada melhor do que uma leitura apurada do livro “Os donos do poder – Formação do patronato político brasileiro”, de Raymundo Faoro, esse sim, um verdadeiro patrimônio imaterial da cultura brasileira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Verdadeiramente essa é uma obra plural, com verdadeiros desdobramentos dentro da história, da sociologia, das ciências políticas, da antropologia e da economia. O livro “Os donos do poder” segue uma trajetória típica de uma obra referencial para todos aqueles que pretendem conhecer a fundo a formação do estado brasileiro, sem embustes, diga-se claramente. Raymundo Faoro desenvolveu uma larga pesquisa e tornou pública a sua tese em 1958. A primeira edição desse livro tinha pouco mais de duzentas páginas, sendo que o autor fez algumas revisões e acréscimos ao longo dos anos, sendo que em sua última edição, em 2001, ela atingiu 913 páginas, que tornaram imensas as suas propriedades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Faoro tem um estilo próprio, com um poder de contextualização peculiar, bem como um poder imagético fora da órbita tecnicista. Como toda obra referencial tem suas próprias referências, foi em Max Weber que Faoro instituiu o seu ponto de partida para sua tese, valendo-se principalmente dos conceitos de “patrimonialismo”, “estamento” e “capitalismo dirigido”, além de outros conceitos, largamente utilizados por Weber em sua monumental obra “Economia e Sociedade”. Assim, a tese defendida por Faoro e acolhida por um número extremamente significativo de estudiosos do mundo inteiro, foge da concepção marxista da formação do estado brasileiro através de uma herança imperial de vassalagem, bem como do dualismo defendido por Celso Furtado e seus simpatizantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Em seu caminho paralelo ao cânone e fundamentado em aprofundamentos históricos, além do mapeamento de documentos e a ordenação simplista de fatos, - expedientes típicos dos historiadores escravizados pelo apelo das bijouterias midiáticas e pela miopia de patranhas das pesquisas engendradas em folhetins lidos nas salas de esperas de proctologistas – Faoro faz um abalisado estudo crítico da formação do estado português, desde a sua fundação com a dinastia de Avis, para chegar ao Brasil colônia, Brasil império, com o Brasil república de Getúlio Vargas. Faoro analisa detalhadamente como surgiu e como recrudesceu o patrimonialismo da monarquia portuguesa, em que o estado é patrimônio do rei, absoluto em sua engorda de autoritarismo, ficando abaixo apenas de Deus, em que pese aí o complexo aparelhamento de dominação do coloio igreja e estado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Depois de estabelecer as raízes e a expansão do patrimonialismo tradicional em Portugal, Faoro chega ao patrimonialismo modernizador da era pombalina na segunda metade do século XVIII, revelando em minucias a máquina opressora do estado portugues através da horda parasitária da aristocracia transformada em uma elite burocrático-técnica a serviço do estado, sendo ela mesma propriedade inconteste do rei, alimentada e dominada pela generosa distribuição de títulos e benefícios imediatos, criando assim uma extensa e podre rede de corrupção despótica, em que o famoso “Livro da Capa Verde” – Regimento Diamantino – é um indelével exemplo da crueldade tirânica que estruturou a ganância e a bandidagem da monarquia portuguesa no Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Quando Faoro analisa a transição do patrimonialismo modernizador para o patrimonialismo estamental liberalista do Brasil imperial, contextualizando todo o arcabouço de tramóias, canalhices e usurparções geridas pela chegada da família real, pelo repatriamento carcerário do rei, pela regência mórbida e derrocada frente à república, até chegar aos estamentos e cooptações políticas da velha e nova repúblicas, tem-se a nítida revelação de que as fundações de um modelo político com origens feudais, a partir da posse de terras, com seus mecanismos monárquicos de manutenção do poder é apenas um simulacro da realidade do patronato político brasileiro. Percebe-se facilmente, sob a nitidez crítica de Faoro, que a nefasta práxis de apoderação do patrimônio público, através de roubalheiras, acordos e politicagens, por parte dos representantes públicos, é na realidade uma herança portuguesa, com certeza, viabilizada pela perenização dos estamentos oriundos dacriação do estado portugues e da colonização brasileira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Obviamente a falta de uma estratificação mais detalhada sobre os vários tipos de estamentos, como uma exposição aprofundada da participação da igreja, das armas e do sistema educacional, desde a criação e manipução de um cânone, até os desdobramentos desses tentáculos de manutenção do poder nos ensinos básicos, não mancham absolutamente em nada o mérito indiscutível dessa obra. Vale salientar, também, que o tempo de leitura e o aparato intelectual para a abordagem dessa obra fantástica, vão muito além do necessário para se abordar &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;periódicos canhestros como a veja, cadernos provincianos do Diário do Nordeste e toda uma gama de anedotários do google e cia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-5965117569823989253?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/5965117569823989253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=5965117569823989253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5965117569823989253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5965117569823989253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/01/histria-sem-embustes-os-donos-do-poder.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SXCxNor7pRI/AAAAAAAAArM/9tMFaYzMsnQ/s72-c/59417g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7248751771856845501</id><published>2009-01-06T10:40:00.001-08:00</published><updated>2009-01-06T10:42:17.779-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SWOl9w-f0sI/AAAAAAAAAq0/Y_Zx1U60C54/s1600-h/Digitalizar0003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288252868000731842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 392px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SWOl9w-f0sI/AAAAAAAAAq0/Y_Zx1U60C54/s400/Digitalizar0003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;As Claras - Bá Freire&lt;br /&gt;Música brasileira para brasileiros gringos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um disco repleto de brasilidade e muito sentimento musical é o que você encontra em “Às Claras”, terceiro disco de Ba Freyre, esse paraibano de coração caririense e voz internacional. Dono de harmonias sofisticadas e melodias que extrapolam em sensibilidade, Ba reaparece em disco com a maturidade própria de quem está há muito tempo na estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ba tem uma ligação muito forte com o Cariri. Aqui ele fez parte da grande banda “Ases do Ritmo”, com uma formação inesquecível: Cleivan Paiva, Hugo Linard, Demontie de Lamone, Neno Batera, Fanca, Jairo Starkey e Bill Soares, que depois faria parte do “Papa Poluição”, lendária banda de rock-rural. Depois Ba liderou um dos grupos mais promissores da música nordestina daquele período: “Aves de Arribação”, participando com destaque em vários festivais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo contava então com essa formação: Ba Freyre; Cleivan Paiva; Izanio Santos, que também fez parte do “Ases do Ritmo”,; Demontier de Lamone; e Tapioca (Audizio Gomes), também conhecido como Audizinho, que também fez parte dos Ases do Ritmo e do grupo “Nessa Hora”, que acompanhava Abidoral Jamacaru.Depois de conseguir ganhar prestígio no meio artístico de São Paulo, o grupo acabou se desfazendo e cada um seguiu seu caminho artístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ba lançou seu primeiro disco, “Nação Cariri”, depois de desenvolver uma sólida carreira de shows e parcerias importantes em São Paulo, como Tom Zé e Zeca Bahia. Como todos de sua geração, sofreu na pele a imensa dificuldade para lançar o trabalho em vinil, pois o mercado era extremamente fechado e os custos eram exorbitantes. Mesmo assim lançou esse disco com composições com o seu parceiro maior Rosemberg Cariry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muitas andanças Ba viaja para Israel e lá consegue se destacar em diversos festivais de jazz, devido à sua forte formação musical brasileira. Lá ele formou sua banda e fez carreira reconhecida nacionalmente naquele país e lançou seu segundo disco, sendo esse ao vivo. Já com um nome feito e uma reputação de cantor e compositor de latin jazz, Ba Freyre desenvolveu sua carreira pela Europa, participando de vários festivais, chegando a abrir um show de Gal Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Às Claras” é uma espécie de balanço geral de todas essas experiências. É um disco que tem bossa, samba, xote, bolero, funk e baladas, além da étnica “Bahia Lugar de Amor”, faixa que fecha o disco, apontando para uma mistura de ritmos e culturas. Todas as faixas do disco respiram, inspiram e transpiram a brasilidade musical de Ba Freyre, formado na escola nordestina de Luiz Gonzaga e Hermeto Pascoal, bem como no delírio harmônico da bossa-nova. O disco conta com o apoio dos músicos Ítalo Almeida, teclados e arranjos; Cainã Cavalcante, violões, guitarras, cavaquinhos e violas; e Miguéias de Sousa, baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os destaques vão para as faixas “Acender”, um sambossa de harmonia elegante e melodia sofisticada; “O canto da volta”, um baião irresistível, cheio de manhas e malandragens de quem conhece esse ritmo com identidade legítima; “Toma lá dá cá”, um sambafunk com groove classudo, cheio de grife brasileira; “Deusa do Oriente”, uma pegada étnica com swuingue policultural, com ecos da África e de Cuba; “Céu da boca”, uma parceria minha e dele, nascida na mansidão do Parque Ibirapuera, de São Paulo, em uma tarde inesquecível: pelas cores, pelos brilhos, pela viagem, e pela amizade selada em grande harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Flor da Magia” é uma faixa que merece destaque especial, pela sua harmonia e pela sua melodia, além da interpretação inspirada de Ba Freyre. A letra é de Zeca Bahia, autor de várias músicas inesquecíveis, como “Porto Solidão”. O tratamento acústico dado a essa composição faz dela uma das grandes canções de 2008. Essa é uma grande composição, rara em nosso cenário atual e que confirma o talento nato de compositor desse paraibano de Souza. Além de todo esse talento indiscutível, Ba é um músico extremamente moderno e um cantor de mão-cheia, com uma afinação perfeita e um timbre de voz que recebeu com agrado a generosidade do tempo. É com uma satisfação imensa que eu digo: que bom rever você meu amigo! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7248751771856845501?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7248751771856845501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7248751771856845501' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7248751771856845501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7248751771856845501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/01/as-claras-b-freire-msica-brasileira.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SWOl9w-f0sI/AAAAAAAAAq0/Y_Zx1U60C54/s72-c/Digitalizar0003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7492112177534772795</id><published>2009-01-05T08:28:00.000-08:00</published><updated>2009-01-05T08:30:30.129-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SWI1gpjklQI/AAAAAAAAAqU/5QfGwVjdH3Y/s1600-h/CapaCD_Cabelos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 286px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SWI1gpjklQI/AAAAAAAAAqU/5QfGwVjdH3Y/s400/CapaCD_Cabelos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287847747513521410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cabelos de Sansão – Tiago Araripe&lt;br /&gt;A força continua presente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ontem, dia 04 de janeiro de 09, foi o lançamento do cd remasterizado “Cabelos de Sansão”, de Tiago Araripe, editado pelo selo Saravá, de Zeca Baleiro. O palco escolhido foi o do teatro do Sesc em Crato. Foi um dia para rever amigos e relembrar momentos importantes de minha trajetória em São Paulo, na qual vivenciei todo o período de efervescência cultural da Lira Paulistana, em que esse trabalho de Tiago está inserido.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;No início dos anos 80 a cidade de São Paulo foi arrebatada por uma cena artística musical revolucionária, com as tendências independentes apresentando suas alternativas de criação e difusão, enquanto que o esquemão apostava suas fichas na rebeldia fake do chamado brock e no pastiche pop da sonoridade plastificada dos Olivetes e Massadas da vida. Eram tempos de crise e de esperança, pois prenunciava no horizonte a concretização do fim da criminosa ditadura militar.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Além dos chavões de praxe, nomes como Ritchie; Itamar Assumpção; Absynto; Grupo Um; Radio Táxi; Aguilar e Banda Performática; Marquinhos Moura; Arrigo Barnabé; Tiago Araripe; Tetê Spíndola; Eliete Negreiros; Pé Ante Pé; Rumo; Premê; Língua de Trapo; RPM; Rosangela; Jessé; e tantos outros tragáveis e intragáveis dividiam inusitadamente o mesmo tanto que extremadamente as atenções e as intenções. Aparentemente havia espaço para todos, no entanto os independentes conquistavam terreno com unhas e dentes.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Para mim foi um momento de grandes descobertas e muito dinamismo. Por minha conta eu misturava, a partir de um radicalismo jamais repetido, Derrida e Lacan com Leonardo Boff e Ariano Suassuna; Zappa e Sun Ra com João do Vale e Elomar; Foucoult e Barthes com Leminsk e Mautner; Husker Dü e Sonic Youth com Medusa e Tiago Araripe; além de outras receitas mais insondáveis envolvendo de Blavatsky a Heisenberg, de Walter Smetack a Terj Rypdal. Tudo isso relembrado em lampejos, ouvindo Tiago Araripe falar mansamente sobre a sua trajetória em São Paulo e a concepção desse grande disco.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O LP foi lançado em 1982 e o cd remasterizado foi lançado no início de 2008. Só agora, no início de 2009 eu tive a oportunidade de colocar as mãos, os ouvidos, a alma e a mente sobre essa sonoridade, agora entendida por mim como transcendental, devido a tantos portais abertos e reabertos por esse autor que sempre esteve para mim tão próximo e tão anonimamente íntimo, seja através do Papa Poluição, que tive a oportunidade de assistir em Fortaleza e Recife, ou seja através das citações carinhosas e inúmeras dos seus companheiros Beto Carrera e Bill Soares, com quem convivi intensamente durante a montagem do show “Notícias Populares”, de Bá Freire.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O tratamento dado ao disco pelo selo de Zeca Baleiro é de uma elegância ímpar. São visíveis o carinho e o respeito ali depositados. Revisitar esse disco depois de tanto tempo, mais de vinte anos, é confirmar que os anos 80 deram frutos saborosos para quem soube enxergar. O disco é absurdamente atual, inclusive em seu senso de humor, como em Meg Magia, por exemplo, uma deliciosa crônica existencial. A musicalidade da banda Sexo dos Anjos permite a longevidade da estética de colagens de Cabelos de Sansão, bem como a lírica epicizante de Tiago garantem um perfeito senso de orientação entre tantas galáxias e nebulosas. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Quando eu ouvi pela primeira vez, no rádio, a música Coração Cometa, anunciada por Maurício Kubrusly, em um programa que ele tinha numa das rádios Fm de São Paulo, – que não lembro qual e nem o nome do programa – em que ele apresentava raridades e novidades, bem como os independentes, eu senti que naquela voz existia uma força criativa sendo trabalhada. Naquele momento eu senti uma grande satisfação e euforia por identificar ali o Crato e o Cariri. Essa sensação eu não havia sentido no show de lançamento e nem nos outros dois shows que eu assisti dele naquele período. O rádio tem essa magia.&lt;/p&gt;    &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Quando eu ouvi ontem Tiago cantando Cabelos de Sansão; Cine Cassino; Fios da Ligth; Estrela do Mar; Redemoinho e Asa Linda; eu senti que aquela força ainda estava ali, agora trabalhada e serena, convivendo equilibradamente entre o passado e o presente. Isso fez com que no palco brotassem novas flores e novos frutos em portais iridescentes, acomodados em uma áurea de sensatez e coerência contagiante. A busca espiritual tem essa magia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7492112177534772795?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7492112177534772795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7492112177534772795' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7492112177534772795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7492112177534772795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2009/01/cabelos-de-sanso-tiago-araripe-fora.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SWI1gpjklQI/AAAAAAAAAqU/5QfGwVjdH3Y/s72-c/CapaCD_Cabelos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8536211701472025657</id><published>2008-12-28T06:32:00.000-08:00</published><updated>2008-12-28T06:41:30.146-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O daguerreótipo&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;                      &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Para Valquíria foi fundado&lt;br /&gt;O imediato monumento movediço&lt;br /&gt;Entre o nascer e o pôr do sol&lt;br /&gt;A narcose da história provisória&lt;br /&gt;Construía e desconstruía em devoção&lt;br /&gt;Laços de lascívias civilizadas&lt;br /&gt;Em uma linha de produção impecável&lt;br /&gt;Com referentes empacotados em pactos&lt;br /&gt;E signos enlatados em latências&lt;br /&gt;Com prazo de validade estável&lt;/p&gt;                      &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ela não quis e preferiu um&lt;br /&gt;Canteiro de obras que imanava&lt;br /&gt;Corredores e intumescia o derredor&lt;br /&gt;E fazia chover gasolina em um pasto deposto&lt;br /&gt;Nas retinas opostas das vacas canonizadas&lt;br /&gt;Vapores moviam motores em&lt;br /&gt;Diacronia e sincronia placentária&lt;br /&gt;Ela contemplava esse novo atavismo&lt;br /&gt;E ofertava os resíduos para sua prole&lt;br /&gt;Em um templo erguido na sala de estar&lt;/p&gt;                      &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ela não quis e preferiu combater&lt;br /&gt;A solidão com a solene transição&lt;br /&gt;Dos metais preciosos para o cartão de crédito&lt;br /&gt;Com a degradação dos degraus a&lt;br /&gt;Linguagem tornou-se autônoma e surgiu&lt;br /&gt;A necessidade de venda para os olhos&lt;br /&gt;Para um sono tranqüilo surgiu antagônica&lt;br /&gt;A necessidade remarcada do escuro&lt;br /&gt;Tudo precisa ficar imóvel entre a&lt;br /&gt;Mobília e a paisagem imobiliária&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNoSpacing"&gt;Poema dedicado a Dihelson Mendonça&lt;br /&gt;Um conhecedor transcendental da&lt;br /&gt;linguagem secreta da música&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8536211701472025657?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8536211701472025657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8536211701472025657' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8536211701472025657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8536211701472025657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/o-daguerretipo-para-valquria-foi.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4324563605581313373</id><published>2008-12-22T17:00:00.001-08:00</published><updated>2008-12-22T17:02:28.114-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SVA4jXzUMbI/AAAAAAAAAp0/o0YLnEmVFqk/s1600-h/cidade1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 397px; height: 298px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SVA4jXzUMbI/AAAAAAAAAp0/o0YLnEmVFqk/s400/cidade1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282784543241417138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Crônica da Cidade Imóvel&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Agora, com esse nevoeiro próprio do período chuvoso, é possível o viajante vislumbrar, em descendo a Chapada do Araripe, a cidade do Crato flutuando em meio às nuvens, com uma imensa âncora pendendo de uma das suas extremidades. Para o viajante mais atento, é possível perceber, acima daquela cidade que flutua, um reflexo difuso, como em negativo, de outra cidade, como se ali existisse um espelho côncavo permanente. Agora aquele viajante que realmente descer a serra e adentrar no âmago da “Princesa do Cariri”, descobrirá que no solo, prenunciando o obscuro, existe outra cidade do Crato.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O Crato é uma cidade prima-irmã da cidade de Laudômia, trazida a lume pela mente brilhante de Ítalo Calvino, no livro “As Cidades Invisíveis”. Assim como o Crato, Laudômia são três cidades em uma, uma dos não-nascidos, uma dos mortos e outra dos vivos. Assim como em Laudômia, no Crato, as três cidades são interligadas, elas interagem de forma que existe uma permanente ilusão de que não existe em hipótese nenhuma a possibilidade desse intercâmbio existencial. Essa ilusão é tão poderosa que cria a estranha sensação de uma cidade única, poderosa, gloriosa, onipresente, completamente alheia à intensa convivência com a cidade dos mortos e a cidade dos não-nascidos. Convivência essa que se dá simultaneamente.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A cidade dos vivos, no Crato, se desprendeu da sua essência transbordada de primazia, no solo, e agora flutua bela e transcendental, por sobre uma arquitetura cinza, inebriada pelo marrom paralisante do conforme e da linhagem. O Crato essencial é uma cidade deveras ocupada, que trabalha incessantemente na manutenção e expansão do material ferroso que dá peso e significância à imensa âncora atrelada a uma das extremidades do Crato, a cidade dos vivos, que flutua, pairando indelével sempre na estranha possibilidade do seria.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A usinagem dessa âncora é feita ostensiva e orgulhosamente. Na cidade dos mortos, a essência da tradição, da família e da propriedade tem a seu dispor residências, repartições públicas, entidades privadas, fundações sócio-culturais, confrarias inusitadas e uma série de outras segregações mantenedoras da ordem, que fornecem material necessário para a usinagem desse inconsciente coletivo, logo transformado em material de largo poder de imobilização, devido ao seu peso irrefutável.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Nessa cidade mórbida existe uma eterna veneração pelo passado, existe uma entronização do tradicionalismo de forma que todo o formol produzido no mundo parece sair dessa cidade. As moedas de troca na convivência social do Crato essencial é a linhagem genética, são os títulos de propriedade e de formatura, bem como as senhas distribuídas na partilha do poder, em que só a alguns é dado a abrangência de compra da mercadoria mais barata que existe nessa cidade, o voto. Essa cidade tem a redoma opaca da religiosidade, legitimada pela presença suprema do bispado, para encobrir os escândalos políticos, econômicos, históricos, privados, públicos e notórios dos seus orgulhosos habitantes, nobres faladores da vida alheia. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A cultura dessa necrópole está fincada nos rincões do Parnasianismo, onde reinam solenes Olavo Bilac e Rui Barbosa, com suas formas fixas patéticas e suas retóricas de bodega nobre. Sua concepção de cultura ativa é a concepção arcaica e achatada dos museus-velórios. Seus atos heróicos foram embalsamados no sorumbático período imperial. Suas referências de dinamismo estão enquadradas em pergaminhos cartográficos, da época do descobrimento. Seus livros são empoeirados e suas músicas foram preservadas em pianolas francesas, com todo o respeito à Inglaterra, para que não se crie aqui um pastelão melodramático, com a corte portuguesa como anfitriã bufona. Mas todos são de boas famílias, com tradição e credo confirmados.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Subindo pela âncora imensa em sua capacidade de estagnação, não como ratos excluídos desse esquematismo, fadado às bordas, mas sim como um rebelde em progressão invasora, o viajante se depara com o Crato que flutua, vivo, mas dormente em sua dolência induzida. Aqui a cultura é plural, embora imberbe, pois existe uma força provinda da manutenção, que impede vôos mais altos, apenas flutuações. Aqui a economia é furtiva, aos poucos a manutenção está perdendo as forças e está sendo implodida, mas o comércio, em alguns pontos, ainda fecha para o almoço e o que vem de fora tem mais valor, pois é assim desde o princípio, a cidade mórbida nunca produziu nada, uma vez que a renda é pública e o vilipêndio é um ato de esperteza. O Crato que flutua é universitário, mas não é pesquisador e nem cientista, é professor, que é chamado de tio, mesmo sendo doutor. É advogado, que é chamado de doutor, mesmo sem encontrar respaldo legal para isso. É médico, que é chamado de doutor, mesmo sem ter nem mestrado. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O Crato que flutua vive no cartão de crédito e no cheque especial, mesmo sendo tido como abastado. Mas é nessa cidade que existem aqueles sem tradição, sem propriedade e sem família, mas que vivem honestamente, que trabalham, que estudam, que pensam em mudar o futuro, que querem deixar as suas marcas, mesmo sendo confundidos com ladrões, com descuidistas, com estelionatários. São grandes homens e grandes mulheres apequenadas pelo peso aniquilador da tradição, que não reconhece seus filhos bastardos. O Crato que flutua tem grandes escritores que não são lidos, tem grandes compositores que não vendem discos, tem grandes atores e diretores que não são assistidos, tem grandes artistas que não são reconhecidos. É esse Crato que é famoso no mundo inteiro pela sua cultura popular e pela riqueza natural de suas encostas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ou seja, o Crato que se vê, com uma grande âncora pendurada no pescoço, vive de aparências, pois o Crato essencial suga todas as forças, para poder manter viva a tradição. Já o Crato dos não-nascidos, aquela que vive de reflexos, é uma grande piada. Ela é a projeção das frustrações incontidas do Crato essencial, que imagina ser uma cidade poderosa, incólume, impávida, heróica, vitoriosa, nobre e diletante. É a utopia filosófica do que é sem jamais ter sido. É um grande jardim em que os pavões jogam xadrez e as ninfas bufam essências delicadas. O viajante que desce a serra e vislumbra a cidade que flutua, jamais reconhece de imediato os seus desdobramentos. Só se beber da sua água misteriosa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4324563605581313373?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4324563605581313373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4324563605581313373' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4324563605581313373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4324563605581313373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/crnica-da-cidade-imvel-agora-com-esse.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SVA4jXzUMbI/AAAAAAAAAp0/o0YLnEmVFqk/s72-c/cidade1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-6325119509135777072</id><published>2008-12-22T13:11:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T13:14:04.478-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SVADCjEAuAI/AAAAAAAAApc/PcATmzaI3gU/s1600-h/1056399_lenine_musica_180_199.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 199px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SVADCjEAuAI/AAAAAAAAApc/PcATmzaI3gU/s400/1056399_lenine_musica_180_199.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282725705212278786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;   &lt;p style="font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Labiata&lt;br /&gt;A permanência de Lenine&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Todo o espaço conquistado pelo compositor pernambucano, Lenine, está confirmado com o lançamento do seu novo disco, “Labiata”. Está confirmado com estilo, com elegância, com a apologia certeira de que o menos é muito mais e de que nada vale o virtuosismo se a criatividade e a originalidade não são suas guias. “Labiata” não é coisa que se finda, é coisa que se ilumina lentamente, ao sabor do devaneio, com ou sem trocadilhos.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Diz Lenine que o nome é de uma orquídea, em entrevista para Anderson Dezan, do site de notícias Ultimosegundo, ele afirma: “Três coisas me impressionam neste tipo de orquídea. Em primeiro lugar, a beleza da flor, sua exuberância. Depois, a diversidade da ocorrência dela. São mais de 40 mil espécies espalhadas pelo mundo e é possível encontrá-la no meio do deserto da Austrália, como no Tibete. Em terceiro lugar, a resistência. Ela tem essa capacidade de ser uma flor delicada e robusta. Esses três significantes permeiam o que é a música popular brasileira: a beleza, a diversidade e a resistência”.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;“Labiata” é o oitavo disco de Lenine e o primeiro de estúdio, depois de dois discos ao vivo: MTV acústico e InCité; e de uma trilha para balé Breu, encomendada pelo Grupo Corpo. Duas peculiaridades acompanham esse novo trabalho, o lançamento simultâneo em vinil e a composição integral das músicas feita em estúdio, em pleno período de gravação. Além disso, vale ressaltar a produção requintadamente equilibrada de Jr. Tolstoi e a manutenção da banda base do último disco, com o caririense Pantico, na bateria e Jr. Tolstoi, nas guitarras, efeitos e intervenções; mais o baixo de Guila.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O disco tem as participações super especiais do Quinteto da Paraíba; de Pedro Luís e A Parede; Arnaldo Antunes, em uma expressão sonora e parcerias; Carlos Muñez; e China. Além disso, os três filhos de Lenine fazem vocais na faixa que fecha o disco, “Continuação”, uma das duas músicas de autoria total de Lenine, a outra música é “Martelo Bigorna”, que abre o disco. As outras composições, todas inéditas, Lenine divide com velhos parceiros, como Lula Queiroga, Bráulio Tavares, Dudu Falcão e Paulo César Pinheiro. Dentre essas parcerias existe uma póstuma, com Chico Science, “Samba e Leveza”, dedicada a Goretti, irmã de Chico, que viabilizou a parceria.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O estilo é o mesmo, harmonias dissonantes e levada sincopada, com melodias simples em cima de letras espertas, distantes dos imediatismos de mercado que empesteiam a crise institucionalizada da música popular brasileira. Os traços rockeiros de Jr. Tolstoi permanecem em sua pegada visceral e extremamente contemporânea. Aliás, Jr. Tolstoi é o sideman que qualquer cantor ativo e renovado precisa. Ele é senhor de sua parafernália de efeitos e sabe como poucos guitarristas da nova geração, fazer uma cama de texturas para que a base flua, com peso e delicadeza ao mesmo tempo. O trabalho desse guitarrista esperto, com pedal whammi, na faixa “O céu é muito”, parceria com Arnaldo Antunes, é eficiente, técnico e criativo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Em seu trabalho de produção, Tolstoi deu a medida exata ao violão de Lenine e fez com que o cantor pernambucano também tocasse guitarra, com timbres limpos descolados. Mesmo nas faixas mais acústicas, que tiram o sono de qualquer produtor, Tolstoi manda bem nas captações e mixagens. As levadas funk das composições de Lenine, também foram bem tratadas, com a cozinha recebendo o devido destaque. Ao longo do disco, Tolstoi utiliza-se de filtros diversos, delays, compressores e reverbs bem dosados, sem a crueza patética de alguns discos indies e sem a plastificação de magazine de alguns discos atuais da MPB.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Os destaque ficam por conta das faixas “Martelo Bigorna”; “A Mancha”, com excelente letra de Lula Queiroga; “O céu é muito”, “É fogo”, tremenda levada; “Ciranda praieira”, extremamente climática, com intervenções, ruídos e efeitos de whammi na guitarra de Jr. Tolstoi; e a excelente “Excesso exceto” , o casamento perfeito entre o peso e a leveza, uma das poucas letras em que Arnaldo Antunes se livra do marasmo eterno do seu eterno nominalismo. Esse é um disco raro em meio a tanta porcaria lançada no mercado, visando as vendas de fim de ano. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-6325119509135777072?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/6325119509135777072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=6325119509135777072' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6325119509135777072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6325119509135777072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/labiata-permanncia-de-lenine-todo-o.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SVADCjEAuAI/AAAAAAAAApc/PcATmzaI3gU/s72-c/1056399_lenine_musica_180_199.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3375443024437720294</id><published>2008-12-22T11:14:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T11:17:23.284-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O dioptro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Existe um terreno baldio&lt;br /&gt;Nos confins do destino&lt;br /&gt;Onde os pórticos esfarelam&lt;br /&gt;E os arrimos atrofiam&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Só alguns peregrinos&lt;br /&gt;Conseguem encontrar lá&lt;br /&gt;Mapas desidratados e&lt;br /&gt;Cajados evolvidos de válvulas&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Não há lá cognição&lt;br /&gt;Mais pesada que o ar&lt;br /&gt;É preciso então evaporar&lt;br /&gt;Da alma desejos e dejetos&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Eponina esteve lá e lá&lt;br /&gt;Desenvolveu a sublime arte&lt;br /&gt;De extrair as sombras que&lt;br /&gt;Torturam a luz dos candeeiros&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3375443024437720294?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3375443024437720294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3375443024437720294' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3375443024437720294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3375443024437720294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/o-dioptro-existe-um-terreno-baldio-nos.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-485599553857165269</id><published>2008-12-17T09:26:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T09:30:37.203-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SUk22vt9WgI/AAAAAAAAAoU/f673JbhsNUo/s1600-h/65420_253.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 288px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SUk22vt9WgI/AAAAAAAAAoU/f673JbhsNUo/s400/65420_253.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280812352218683906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As cidades Invisíveis – Ítalo Calvino&lt;br /&gt;A arquitetura da linguagem&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Se você está em busca de novos ares e pretende reformular o seu manual de sobrevivência no imensurável entulho de informações descartáveis que bombardeiam sua vida cotidianamente, o livro “Cidades Invisíveis”, do escritor italiano Ítalo Calvino, é uma das saídas mais honrosas que se tem notícia nos infindáveis subúrbios decadentes das artes contemporâneas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Calvino morreu no dia 19 de setembro de 1985, na cidade de Siena, na Itália, aos 61 anos, de hemorragia cerebral. Apesar de falecido precocemente, o legado artístico desse que é um dos maiores intelectuais do nosso tempo, está mais vivo do que nunca, está próspero em seu caminhar para a eternidade. O descomunal da obra desse humanista italiano não está no tamanho, mas na inventividade, na arte indelével de manipular os signos lingüísticos e perscrutar o inusitado dentro das perspectivas existenciais humanas. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Calvino começa a sua trajetória literária dentro do neo-realismo, ainda sob influência de dois dos maiores escritores italianos dessa tendência, &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Cesare Pavese e Elio Vittotini, bem como tendo como fluxo literário as suas experiências como combatente na Segunda Guerra Mundial, quando integrou a Resistência Italiana, contra o fascismo. Ao longo da sua existência, e já como um sofisticado discípulo de Jorge Luís Borges, Calvino mudará radicalmente a sua estética literária, mas jamais perderá a História como a sua principal referência, seja a História próxima ou distante. É dela que ele extrairá os seus substratos existenciais, imaginários, mitológicos, simbólicos e fantásticos.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ítalo Calvino é daquela linhagem de escritores que considera a linguagem como um meio e não como um fim. Nada em seu texto é bastardo. Nada em seu texto é compromissado com a uniformidade, da mesma forma que em seu discurso nada é casual. Ele é um autor com ramificações estilísticas dentro dos conceitos do realismo-fantástico, do realismo-maravilhoso, do realismo-mágico, do surrealismo e do historicismo livre das narrativas contemporâneas, em que a simbiose entre história e ficção acaba gerando o fragmentário, o descontínuo e o impávido estranhamento da desconstrução narrativa.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O livro “As Cidades Invisíveis” tem tudo isso e mais ainda o encantamento próprio da oralidade medieval. Não é romance. Não é conto. Não é crônica e nem poesia, é um entrelaçamento narrativo, sem limites de nenhuma espécie. É aquilo que Genette conceitua como hipertextualidade, um eterno revolver de textos em um único e interminável texto. Inevitavelmente paira sobre “As Cidades Invisíveis”, bem como outras obras de Calvino, como em “&lt;em&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Se um viajante numa noite de inverno&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; “e&lt;em&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt; “O castelo dos destinos cruzados”, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;a marca inconfundível de&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; “&lt;em&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Mil e Uma Noites&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; “, de Sharazade.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Tendo como fragmento de personagens Kublai Khan e Marco Polo, Calvino arquiteta o seu discurso tendo como argumento as descrições de várias cidades feitas por Polo a Khan. O livro tem como tema se divisões: As cidades e a memória; as cidades e o desejo; as cidades e os símbolos; as cidades delgadas; as cidades e as trocas; as cidades e os olhos; as cidades e o nome; as cidades e os mortos; as cidades e o céu; as cidades contínuas; e finalmente, as cidades ocultas. Cada cidade tema tem cinco descrições, que por suas vezes são entrecortadas com diálogos etéreos e descontínuos entre Polo e Khan.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Parece tudo muito justo e muito planejado. No entanto, o que brota dessa moldura não tem nenhuma ligação com o estático, o leitor mergulha de forma ilimitada em um universo filosófico de existências, de vidas, de experiências, de objetos, de utensílios, de víveres, de afetos, de memórias, de tensões, de alusões, desilusões e projeções supremas para a libertação do espírito e do corpo, jamais visto na literatura, não da forma proposta por Calvino e sua mágica com as palavras. Eis o reino da transmutação. O símbolo tanto controla como descontrola qualquer enunciado.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Verdadeiramente o viajante italiano foi contratado por 17 anos pelo grande imperador mongol Kublai Khan, como embaixador do seu império. Marco Polo e sua trupe, a serviço do grande Khan,fundador da dinastia Yuan, na China, percorreram a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tart%C3%A1ria" title="Tartária"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;color:#000000;" &gt;Tartária&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/China" title="China"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;color:#000000;" &gt;China&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Indochina" title="Indochina"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;color:#000000;" &gt;Indochina&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, fazendo então relatos minuciosos de todas as suas incursões. São esses relatos que entraram para a história. Calvino aproveita essa deixa da história e cria uma das mais instigantes obras de ficção do nosso tempo. Simbolicamente todas as cidades descritas por Polo têm nomes de mulheres. Cada uma com sua peculiaridade, cada uma com seu segredo, cada uma com seu desdobramento surreal.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;As cidades de Ítalo Calvino são completamente diferentes das nossas, elas contém o imponderável e as possibilidades impossíveis da existência e da convivência. Laudômia, por exemplo, são três cidades em uma, uma dos não-nascidos, uma dos mortos e outra dos vivos. Em Eufêmia se troca de memória em todos os solstícios e equinócios. Em Melânia, toda vez que o viajante vai à praça ele se depara com fragmentos de diálogos, que mudam de acordo com as visitas. Em Leônia, quanto mais a cidade expele coisas, mais ela acumula coisas. Eutrópia não é apenas uma cidade, mas todas, sendo que apenas uma é habitada, as restantes são desertas. Já em Bersabéia existe a crença de uma outra Bersabéia suspensa no céu, onde gravitam os sentimentos e as virtudes mais elevadas...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Para qualquer viajante estelar das letras, essa é uma parada obrigatória. Aqui você renova os ânimos, recarrega o que tem que ser carregado e recolhe os mapas secretos das mais importantes trilhas do mundo, do submundo e do supramundo. Seja bem vindo e não dê satisfações de onde você vem e para onde você vai, o que importa é viajar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-485599553857165269?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/485599553857165269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=485599553857165269' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/485599553857165269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/485599553857165269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/as-cidades-invisveis-talo-calvino.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SUk22vt9WgI/AAAAAAAAAoU/f673JbhsNUo/s72-c/65420_253.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7786212702009574404</id><published>2008-12-17T06:36:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T06:38:22.591-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A ânfora&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O pior dos desertos&lt;br /&gt;É aquele que tem um outro&lt;br /&gt;Deserto dentro dele&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Um apaga os rastros&lt;br /&gt;Esculpidos no outro com um&lt;br /&gt;Vento que evoca invólucros&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Assim o término de um&lt;br /&gt;Labirinto é o início de outro&lt;br /&gt;Que tende para o infinito&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O pior desses grãos arremessados&lt;br /&gt;É que eles lapidam como lixas&lt;br /&gt;Que dissecam os sentidos&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Diante dessa imensidão&lt;br /&gt;Que se move para o devaneio&lt;br /&gt;É impossível não lembrar Estamira&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Que não salivava&lt;br /&gt;Que tinha o estranho dom&lt;br /&gt;De embalsamar palavras&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7786212702009574404?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7786212702009574404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7786212702009574404' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7786212702009574404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7786212702009574404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/nfora-o-pior-dos-desertos-aquele-que.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8215058125667575842</id><published>2008-12-16T16:56:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T17:00:28.606-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="font-weight: bold; color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Elmo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Conta-se com o&lt;br /&gt;Barulho e a infidelidade&lt;br /&gt;Das apostas feitas&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Conta-se com o&lt;br /&gt;Constante revolver&lt;br /&gt;Dos prognósticos&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Daí a sisudez ao incluir&lt;br /&gt;Ou excluir tudo aquilo&lt;br /&gt;Que se invade ou se evade&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mas não há lógica&lt;br /&gt;Em desbastar o sumo&lt;br /&gt;E empilhar os resquícios&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Assim se debulhavam&lt;br /&gt;Por entre a velha prótese&lt;br /&gt;As palavras de Adalgisa&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Já quaravam no anil&lt;br /&gt;As palavras antes de ela ser&lt;br /&gt;Rezadeira por dádiva&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Quando ela ainda flutuava&lt;br /&gt;Na força volátil do orvalho&lt;br /&gt;Bem antes de existir &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8215058125667575842?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8215058125667575842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8215058125667575842' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8215058125667575842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8215058125667575842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/o-elmo-conta-se-com-o-barulho-e.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1798685366052199788</id><published>2008-12-15T08:42:00.000-08:00</published><updated>2008-12-15T08:45:41.034-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O astrolábio&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Desta vez&lt;br /&gt;Eu conheci Zulmira&lt;br /&gt;Que se debatia em convulsões&lt;br /&gt;No chão da cozinha&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Depois os cabelos&lt;br /&gt;Amornados pelo fulgor&lt;br /&gt;Depois o olhar sereno&lt;br /&gt;Pousado sobre os subjetivos&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Desta vez&lt;br /&gt;O retorno se dera&lt;br /&gt;De solstícios e equinócios&lt;br /&gt;Deveras impronunciáveis&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Havia percebido que um&lt;br /&gt;Cemitério de falas mortas&lt;br /&gt;Não é o silêncio ainda&lt;br /&gt;O que muda não é a memória&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1798685366052199788?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1798685366052199788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1798685366052199788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1798685366052199788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1798685366052199788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/o-astrolbio-desta-vez-eu-conheci.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3912578601149747677</id><published>2008-12-09T16:27:00.000-08:00</published><updated>2008-12-09T16:32:08.337-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/ST8N8xRvkbI/AAAAAAAAAnU/g-gg4-s9T5s/s1600-h/2638937.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/ST8N8xRvkbI/AAAAAAAAAnU/g-gg4-s9T5s/s400/2638937.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277952625972580786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;   &lt;p style="color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Viagem do Elefante – José Saramago&lt;br /&gt;Um mestre conta uma história&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Depois de tantos anos com uma idéia na cabeça, desde 1999, Saramago entrega ao público uma viagem inusitada, cheia de ironias vigorosas, nada vigaristas, e sempre atravessando seus alvos com travessões travessos, questionadores da mormência histórica, obstinada em empilhar fuligens racionais por sobre os devaneios reais dos seres humanos em pleno absurdo da existência.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A idéia dessa narrativa surgiu quando ele almoçou em um restaurante de Salzburgo, na Áustria, chamado O Elefante, a convite de Gilda Lopes Encarnação. Neste restaurante algumas pequenas esculturas em madeira chamaram a atenção de Saramago, que logo ficou sabendo que eram representações de edifícios, que demarcavam a longa viagem de um elefante, de Lisboa a Viena. Nascia ali um conto singelo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A narrativa se baseia na manobra diplomática envolvendo o elefante Salomão, que no século XVI, mais precisamente em 1551, cruzou metade da Europa, de Lisboa a Viena, dado como um presente, embalado como um golpe baixo e conduzido como uma esfinge. Dom João III, rei de Portugal e Algarves, casado com dona Catarina d’Áustria, resolveu oferecer ao arquiduque austríaco Maximiliano II, genro do imperador Carlos V, como presente de casamento, o elefante, muito menos por se tratar de uma imensidão, do que pelo tamanho maior da desculpa em não recebê-lo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O livro levou cerca de dez anos para ganhar forma e foi escrito durante o período em que o escritor maior da língua portuguesa estava acometido por uma estranha e impertinente doença respiratória. O próprio autor achou que não escaparia e a narrativa ficaria inacabada. Mas, para o bem geral do povo culto, Deus disse que ele ficaria mais. Assim podemos conviver com mais esse filho da família Saramago, dona de uma linhagem astuta, elegante, provedora de signos e ironias, para além das habilidades técnicas da escrita, já nos domínios das esferas infinitas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;De acordo com Pilar del Río, mulher de Saramago, o autor entende essa narrativa como um conto e não como um romance. De fato, essa é uma deliciosa história contada ao pé da fogueira em um quintal vizinho. No entanto, nem de longe essa é uma obra pequena, claro que sem o fôlego de um O Evangelho Segundo Jesus Cristo, mas com o encantamento de Uma Jangada de Pedra. A técnica é de um exímio esgrimista em duelo indefinido com as palavras, com a planta dos pés postada no fio da navalha da criação.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A estética é nominal, leva a assinatura da contemporaneidade da obra de José Saramago, singular e plural, dialética, incontida em suas junções e disjunções, em suas diacronias e sincronias. A fusão entre história e ficção é uma das grandes janelas que arejam os ares da cansada literatura universal. Saramago é um dos seus mestres. É um duende que extrai de datas,decretos, de formulários e de protocolos, o sangue humano em sua mais sofisticada inventiva existencial.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Saramago fundamenta a história de Salomão, o elefante presente, e de seu conarca, o indiano Subhro, na mais pura metalinguagem, em que um narrador, que oscila em ser às vezes sim e às vezes não, observador, destila uma ironia fina sobre o ato da poética, sobre os valores da significação e sobre as intenções da escrita. O humanismo do teatro universal de Saramago está em todas as linhas, redimensionando os seres vivos, os mortos e os ressuscitados. As entranhas da convivência humana são revisitadas mais uma vez, como sempre, em tom quase que anárquico.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A forma como Saramago trata as formas do discurso continua a mesma. As falas são anunciadas apenas por maiúsculas, após vírgulas ou pontos. Os parágrafos são imensos, com imensas frases entrecortadas por imensas vírgulas. Agora as maiúsculas só aparecem para fundarem uma nova frase ou indicar uma fala, e não mais do que isso, todas as necessidades do uso delas está descartada, exceto as citadas. Existe um quê de descontinuidade e fragmentação no discurso poético de Saramago. Ele constrói para desconstruir, convidando o leitor para participar de seus estranhamentos específicos. Não podia faltar um toque de absurdo e de fantástico, senão não seria uma saga de Saramago.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Da mesma forma não poderia ficar de fora a abordagem especial que ele faz da estrutura caricatural da família real portuguesa, com seu ar infinitamente beócio, com suas digitais decadentes e seus rastros indolentes fincados no molde absconso da história. A burocracia patética do Estado português também recebe as suas devidas considerações irônicas. A igreja também é referenciada em seus mecanismos de burlas e dominações nefastas. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Entre tantos protagonismos da saga da comitiva, o episódio em que o elefante Salomão é obrigado a forjar um milagre, ao se ajoelhar frente à basílica de Pádua e frente a inúmeras autoridades do clero, para combater a expansão do luteranismo, é um caso à parte. É tão hilário quanto contundente o leitor se deparar com o livre comércio dos pelos do elefante como relíquias. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Assim conta o narrador, com ironia corrosiva, “Solimão (o elefante muda de nome ao chegar às mãos do arquiduque) recebeu em troca uma generosa aspersão de água benta que chegou a salpicar o conarca lá em cima, enquanto a assistência unanimemente, caía de joelhos e a múmia do glorioso santo Antônio estremecia de gozo no túmulo.” Esse é apenas um pedacinho dessa deliciosa jornada. Descubra você mesmo ela por inteira. Ela é encantada, como tudo que sai da imaginação desse fenômeno chamado José Saramago.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3912578601149747677?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3912578601149747677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3912578601149747677' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3912578601149747677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3912578601149747677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/viagem-do-elefante-jos-saramago-um.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/ST8N8xRvkbI/AAAAAAAAAnU/g-gg4-s9T5s/s72-c/2638937.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-2104317021176078290</id><published>2008-12-07T19:03:00.000-08:00</published><updated>2008-12-07T19:08:47.783-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="color: rgb(255, 255, 102);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dos hemisférios&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                                                                    &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Vou confessar&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;confesso que o farei&lt;br /&gt;mas sem muita convicção&lt;br /&gt;vou abrir o coração&lt;br /&gt;talvez a mente não&lt;br /&gt;pois ela mente&lt;br /&gt;é cheia de demências cotidianas&lt;br /&gt;gosta de elaborar fronteiras&lt;br /&gt;e me meter dentro de extensões&lt;br /&gt;que mais parecem caixas&lt;br /&gt;dentro de outras caixas&lt;br /&gt;sem consentimentos&lt;br /&gt;apenas formadas por formulários&lt;br /&gt;de alfândegas lotadas&lt;br /&gt;de funcionários corruptos&lt;br /&gt;assim tanto é que estive tão ausente&lt;br /&gt;ocupado com minhas perdas&lt;br /&gt;com braças e braças de terras ausentes&lt;br /&gt;que já não fazem parte dos meus domínios&lt;br /&gt;que me fazem sentir um retirante dentro de mim&lt;br /&gt;que me fazem sentir que o meu sofá já não mais me pertence&lt;br /&gt;como o velho computador que&lt;br /&gt;sente ir embora as vogais&lt;br /&gt;e vê o sistemático plano das consoantes&lt;br /&gt;se entramelar entrementes&lt;br /&gt;já o livro de Saramago&lt;br /&gt;com a viagem do elefante Salomão&lt;br /&gt;ainda me olha vislumbrado&lt;br /&gt;já os beijos para os filhos&lt;br /&gt;são imediatos como pés de patos&lt;br /&gt;já os beijos para a amada eterna&lt;br /&gt;resolveram estrelar um número novo nos trapézios&lt;br /&gt;voam com os seus e os meus limites&lt;/p&gt;&lt;p style="color: rgb(255, 255, 153);" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esse poema faz parte do livro inédito&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;"Manual de sobrevivência para astronautas"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;e é dedicado a Carlos Rafael e Domingos Barroso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-2104317021176078290?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/2104317021176078290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=2104317021176078290' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2104317021176078290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2104317021176078290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/12/dos-hemisfrios-vou-confessar-confesso.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-2467613961900832210</id><published>2008-11-24T05:34:00.001-08:00</published><updated>2008-11-24T05:35:54.078-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SSqtbfopZYI/AAAAAAAAAmU/Ry9esQRtwgA/s1600-h/StoogesStooges.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272217001650644354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SSqtbfopZYI/AAAAAAAAAmU/Ry9esQRtwgA/s400/StoogesStooges.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;The Stooges – 1969&lt;br /&gt;A lisergia primal&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Falar dos Stooges é falar do submundo, é procurar entender a contracultura, é perceber que a música não precisa necessariamente ser um fim, mas apenas um meio para expressar o sentimento da existência impura da contravenção, do aniquilamento imperdoável do tempo e do espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tantos anos e tantos rótulos fornecidos pela merdologia crítica do mercado musical, fica fácil enquadrar a banda em uma estética qualquer, como proto-punk, por exemplo. Mas isso é porcaria, sem função nenhuma. Aliás, não ter função era uma das intenções da banda, que começou a subverter a ordem até na sua própria concepção estética: eles se achavam psicodélicos, antagônicos ao movimento de Los Angeles. Inicialmente eles se proclamaram The Psychedelic Stooges, algo parecido como Os panacas psicodélicos, em tradução livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles achavam que ser psicodélicos era construir seus próprios instrumentos, como Harry Partch, um obscuro e injustiçado compositor americano, que desenvolveu uma marginalizada estética baseada em escalas microtonais e atonais, fabricando seus próprios instrumentos para isso. É também de Harry Partch que vem boa parte da performance corporal de Iggy Pop no palco. Harry Partch fez uma junção de música, discurso e expressão corporal em várias de suas peças, entre elas a descomunal interpretação operística do poema “Sophocles’ Oedipus”, de Willians Butler Yeats.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos primórdios da banda a percussão era baseada em tonéis de metal vazios e outros apetrechos. Uma guitarra sem quase nenhuma técnica em volume estratosférico e um vocal desesperado, com Iggy Pop cantando suas apatias vestindo uma camisola de maternidade e empunhando uma tábua de lavar amplificada. Eles evoluíram, se é que se pode afirmar isso, para uma banda com formação comum e impressionaram um executivo da Electra, que havia viajado para Detroid com o intuito de contratar o MC5. O som não impressionou tanto, mas Iggy Pop cortando o próprio corpo com vidro e se lambuzando com pasta de amendoim no palco, enquanto berrava o seu tédio, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para registrar o primeiro disco, intitulado apenas “The Stooges”, a banda precisou completar o material, pois eles só tinham cinco músicas no repertório: 1969; No fun; I wanna be your dog; We will fall e Ann. A banda vivia de longas improvisações no palco. Boa parte delas está registrada em seus discos, com sessões históricas, repletas de álcool, drogas e experiências diversas. As músicas Real cool time; Not right e Litle doll foram compostas, então, em uma madrugada e tocadas pela primeira vez no estúdio. Uma boa parte de We will fall também foi acrescida no estúdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco teve a produção de ninguém mais do que John Cale, líder do Velvet Underground, que ainda tocou piano em I wanna be your dog e viola em We will fall. O som é cru, é visceral, é na cara, sem constrangimentos de nenhuma espécie. A maioria composta em três notas, suficientes para descabelar qualquer um que busque complexidade harmônica, como também suficientes para entusiasmar qualquer um que esteja cansado de hermetismos musicais e prolixidades discursivas.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272217155873978146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 307px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SSqtkeKWtyI/AAAAAAAAAmc/5LY-_LlRTN0/s400/t4vec7.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;1969 é sem nenhuma esperança. É uma espécie de shufle anarquista, abre o disco como um verdadeiro cartão de visitas de vendedor de aspirador de pó. A ironia fica por conta desse vendedor estar em um bairro pobre, sem grana e sem futuro. O wha da guitarra de Ron Asheton ficou marcado para sempre, esse é um dos hits mais Cult de todos os tempos. I wanna be your dog é um clássico, um hit natural, com uma seminal parede fuzzy de guitarra, além de uma percussão pernóstica, que lembra sons de natal. Iggy Pop não canta essa música, ele proclama. Imperdivelmente sujo, marginal, submundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We will fall é uma faixa bizarra e experimental. Tem o minimalismo apresentado muitas vezes nas músicas do Velvet. Depois de tanto tempo passado o clima soturno dessa faixa não envelheceu e é o que mais se aproxima de uma pegada psicodélica. No fun, a faixa seguinte, é deliciosamente marginal, um hino ao desperdício juvenil, retratando a falta de perspectiva americana. A bateria de Scott Asheton e o baixo de Deve Alexander recebem o auxílio de palmas, bem ao estilo roots. Essa faixa tem a autenticidade cretina que faltou aos Rolling Stones e a ironia satírica marginal que nunca esteve presente nos Beatles. Também não sei se era preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Real Cool time, Ann, Not right e Litle doll fecham o disco com o estilo legítimo dos Stooges: com ironia e improvisações, com direito à lisergia em Ann e ao peso cru nas duas últimas músicas. Esse é um disco histórico, não por pertencer a um passado rico artisticamente, mas por ter feito história, na concepção maior do termo. A grande contribuição desse disco é justamente fundar a não estética, o não virtuosismo. Sobre ele pesa a atitude de uma geração que se viu ludibriada pelos ilusionistas do way of life americano. Ouvir esse disco depois de tanto tempo é muito gratificante, principalmente para aqueles que entendem o rock como um meio e não como um fim. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-2467613961900832210?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/2467613961900832210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=2467613961900832210' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2467613961900832210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2467613961900832210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/stooges-1969-lisergia-primal-falar-dos.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SSqtbfopZYI/AAAAAAAAAmU/Ry9esQRtwgA/s72-c/StoogesStooges.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7584296114894240770</id><published>2008-11-22T13:17:00.001-08:00</published><updated>2008-11-22T13:19:07.964-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dos Mistérios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Afetado o alfinete&lt;br /&gt;Paira absoluto&lt;br /&gt;Refletindo o que&lt;br /&gt;Parece ser através&lt;br /&gt;Do reflexo da redoma&lt;br /&gt;Na sua propriedade&lt;br /&gt;De estagnar o signo&lt;br /&gt;Atravessando o plexo&lt;br /&gt;Do aracnídeo morto&lt;br /&gt;Parece reter o imprevisível&lt;br /&gt;Que se revela sideral&lt;br /&gt;Mas como Antífon&lt;br /&gt;Que escreveu sobre a verdade&lt;br /&gt;Desconhece a própria&lt;br /&gt;Natureza que defende:&lt;br /&gt;As águas não se repetem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7584296114894240770?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7584296114894240770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7584296114894240770' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7584296114894240770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7584296114894240770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/dos-mistrios-afetado-o-alfinete-paira.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1635528592439719140?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1635528592439719140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1635528592439719140' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1635528592439719140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1635528592439719140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/dos-elementos-os-elefantes-no-esquecem.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8504966717500015788</id><published>2008-11-22T13:10:00.000-08:00</published><updated>2008-11-22T13:19:59.729-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;Das Contentações&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por dois dias Assumpção ali&lt;br /&gt;Sentada naquela pedra&lt;br /&gt;Por dois dias dois séculos&lt;br /&gt;Sobrecarregaram inteiros&lt;br /&gt;Os seus dois ombros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De nada adianta&lt;br /&gt;Renegar de forma alguma&lt;br /&gt;O evadir-se de si&lt;br /&gt;E vê que essa fome não&lt;br /&gt;É nenhuma forasteira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por dois dias Assumpção ali&lt;br /&gt;E a pedra dentro dela&lt;br /&gt;A expandir por dois séculos&lt;br /&gt;A sua solidez sozinha&lt;br /&gt;sem nenhuma conta paga&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8504966717500015788?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8504966717500015788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8504966717500015788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8504966717500015788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8504966717500015788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/das-contentaes-por-dois-dias-assumpo.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-2196582135797917811</id><published>2008-11-11T12:49:00.000-08:00</published><updated>2008-11-11T12:50:02.917-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Das Inquisições&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em um gesto sinistro&lt;br /&gt;O Papa Sisto IV olhou-se no espelho&lt;br /&gt;E não viu Deus em seu sorriso&lt;br /&gt;Torquemada viu numa grande fogueira&lt;br /&gt;E depositou ali o seu cajado&lt;br /&gt;E em três velhos motores&lt;br /&gt;Jogados em um deserto&lt;br /&gt;Para quem a morte não tem segredo&lt;br /&gt;Depositou o sopro gélido&lt;br /&gt;De milhares de assassinatos&lt;br /&gt;E eles ficaram ali quase soterrados&lt;br /&gt;Sem ter para onde ir&lt;br /&gt;Tiveram desde então&lt;br /&gt;Pesadelos torpes com uma&lt;br /&gt;Longa estrada e uma tempestade&lt;br /&gt;De gasolina vinda do oriente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles foram descobertos&lt;br /&gt;Por uma tribo nômade e recorrente&lt;br /&gt;De achadores de cacimbas&lt;br /&gt;Por trás dos montes tem um&lt;br /&gt;Asfalto quente que leva&lt;br /&gt;Em sete léguas bem tiradas&lt;br /&gt;Ao templo erguido sobre as ruínas&lt;br /&gt;Disse um daqueles seres tão tênues&lt;br /&gt;Para um daqueles curiosos&lt;br /&gt;Que colhia restos como relíquias&lt;br /&gt;E veio um templário&lt;br /&gt;E disse aqui é o pagamento&lt;br /&gt;E veio um membro nobre do&lt;br /&gt;Priorado de Sião e disse&lt;br /&gt;Toda folha que seca&lt;br /&gt;Se quebra em pedaços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E logo chegaram os cátaros&lt;br /&gt;Das terras altas de Languedoc&lt;br /&gt;E disseram eis o Homem com um&lt;br /&gt;Vácuo entre seus dentes&lt;br /&gt;E veio um jesuíta em aparição e disse&lt;br /&gt;&lt;em&gt;exigit sincerae devotionis affectus&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;para o que ficou em um silêncio&lt;br /&gt;incapaz de mais guardar&lt;br /&gt;e veio o fantasma decadente&lt;br /&gt;de um rei ibérico com um tumor&lt;br /&gt;na próstata e disse já não&lt;br /&gt;posso mais mijar em seus tanques&lt;br /&gt;e fazer mover essas polias&lt;br /&gt;e essas engrenagens em torturas&lt;br /&gt;mas foi uma rezadeira que disse&lt;br /&gt;a verdadeira viagem é para dentro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-2196582135797917811?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/2196582135797917811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=2196582135797917811' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2196582135797917811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2196582135797917811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/das-inquisies-em-um-gesto-sinistro-o.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-6027113210574298714</id><published>2008-11-08T08:32:00.000-08:00</published><updated>2008-11-08T08:34:27.559-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sétimo Céu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, aquele cara que chegou no prédio puxando a solidão por uma coleira, ficou finalmente conhecido. E reconhecido. A fama é o alimento dessa era. Eram nem duas horas da madrugada, ele e os travestis que fazem ponto na esquina, quase em baixo do prédio, fizeram a festa. Cada um a seu modo, como é o hábito dessa era. Vindo de um coronel reformado do exército, crente e temente a Deus, defensor da ordem e da disciplina, que criou os filhos à imagem e semelhança da justiça, foi surpresa geral. Delírio moral é referência dessa era, cheia de rótulos, produtos e leis de mercado. O sêmem ainda escorrendo vacilante põe em dúvida a tese de suicído, que parte da família defende. O cinto afivelado no pescoço com a ponta enrolada na mão esquerda cria mitos existenciais. A boneca inflável jogada ao lado parece insatisfeita e espantada, nunca vira aquilo, sua configuração é de moça recatada. Sessenta e três  anos pesam, confiscam todo o ar do velório. A usinagem é a embreagem dessa era. Entre um cafezinho e outro, familiares e amigos do grupo de convivência da terceira idade preparam a versão oficial. De forma clandestina, que é a cara dessa era, falaram em bondage e hipoxifilia. Atribuíram aos travestis, que é gente que não conta, só espalha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-6027113210574298714?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/6027113210574298714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=6027113210574298714' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6027113210574298714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6027113210574298714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/stimo-cu-naquele-dia-aquele-cara-que.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1484863226862760238</id><published>2008-11-07T16:36:00.000-08:00</published><updated>2008-11-07T16:37:22.139-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;Das Bodegas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Áspera&lt;br /&gt; a fragrância precária&lt;br /&gt;ensaia sonora gargalhada&lt;br /&gt;gorgulhos navegam orgulhosos&lt;br /&gt;em um copo de cachaça&lt;br /&gt;tudo é balcão, arre! Tudo é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma chuva densa cai lá fora&lt;br /&gt;não se vê muito pela janela&lt;br /&gt;outrora caia ali o corpo de Barnabé&lt;br /&gt;mil demônios o esperavam do lado de lá&lt;br /&gt;há quem diga que de vez em quando ele se levanta&lt;br /&gt;e se aproxima balançando nos bolsos&lt;br /&gt;algumas pedras de gelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é um ato falho as mãos&lt;br /&gt;procurarem medir  com os dedos&lt;br /&gt;e as unhas o medo de um anão&lt;br /&gt;diante da grande vadiagem&lt;br /&gt;é melhor deixar que a carroça&lt;br /&gt;carregue seus ossos sem permissão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1484863226862760238?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1484863226862760238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1484863226862760238' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1484863226862760238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1484863226862760238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/das-bodegas-spera-fragrncia-precria.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1206218502895742862</id><published>2008-11-04T18:34:00.001-08:00</published><updated>2008-11-04T18:34:53.855-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;Dos Hemisférios&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por tantos anos&lt;br /&gt;Eu bati naquelas portas&lt;br /&gt;Por tantos anos&lt;br /&gt;Ninguém fez ranger&lt;br /&gt;Nenhuma dobradiça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tantos anos&lt;br /&gt;Nenhum grunhido&lt;br /&gt;Dissoluto ao meu redor&lt;br /&gt;Nem por menor que seja&lt;br /&gt;Nehuma fresta compelida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou mais&lt;br /&gt;Alimentar morcegos&lt;br /&gt;Que meus intestinos&lt;br /&gt;Me escutem e que minha&lt;br /&gt;Bexiga seja pertinente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vou cruzar o árido&lt;br /&gt;E o campo dos suprimidos&lt;br /&gt;Vou em busca do vale onde&lt;br /&gt;Dizem que o hipotálamo&lt;br /&gt;Tem um elmo cor de melro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já de agora olha e vê&lt;br /&gt;Sombreando a floresta&lt;br /&gt;A chapada onde os cavalos&lt;br /&gt;De Aquiles choram por Kaváfis&lt;br /&gt;A morte prematura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tantos anos&lt;br /&gt;Estarei  lá pisoteando ranhuras&lt;br /&gt;Por tantos anos&lt;br /&gt;Hei de serpentear encostas&lt;br /&gt;Em busca dos idos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1206218502895742862?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1206218502895742862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1206218502895742862' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1206218502895742862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1206218502895742862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/dos-hemisfrios-por-tantos-anos-eu-bati.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4389243144244603814</id><published>2008-11-04T15:39:00.000-08:00</published><updated>2008-11-04T15:40:32.124-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;color:#ffff66;"&gt;Muros&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sem cuidado, sem respeito nem pesar,&lt;br /&gt;Ergueram à minha volta altos muros de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora aqui estou, em desespero, sem pensar&lt;br /&gt;Noutra coisa: o infortúnio a mente me depreda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que tinha tanta coisa por fazer lá fora!&lt;br /&gt;Quando os ergueram, mal notei os muros, esses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ouvi voz de pedreiro, um ruído que fora.&lt;br /&gt;Isolaram-me do mundo sem que eu percebesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;Konstantinos Kafávis – 1911&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Tradução de José Paulo Paes&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4389243144244603814?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4389243144244603814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4389243144244603814' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4389243144244603814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4389243144244603814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/muros-sem-cuidado-sem-respeito-nem.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8103609413746500579</id><published>2008-11-04T15:37:00.000-08:00</published><updated>2008-11-04T15:38:47.501-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;Afterglow&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O ocaso é sempre comovente&lt;br /&gt;Por mais pobre ou berrante que seja,&lt;br /&gt;Porém mais comovente ainda&lt;br /&gt;É o fulgor desesperado e final&lt;br /&gt;Que enferruja a planície&lt;br /&gt;Quando o último sol mergulhou.&lt;br /&gt;É doloroso manter essa luz tensa e diversa,&lt;br /&gt;Essa alucinação que impõe ao espaço&lt;br /&gt;O medo unânime da sombra&lt;br /&gt;E cessa de repente&lt;br /&gt;Quando notamos sua falsidade,&lt;br /&gt;Como cessam os sonhos&lt;br /&gt;Quando sabemos que sonhamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;Jorge Luis Borges – 1923&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Tradução de Josely Vianna Baptista&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8103609413746500579?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8103609413746500579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8103609413746500579' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8103609413746500579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8103609413746500579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/afterglow-o-ocaso-sempre-comovente-por.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1291967403859147837</id><published>2008-11-04T14:57:00.000-08:00</published><updated>2008-11-04T14:58:20.810-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dos Mistérios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os arcanjos e arqueiros&lt;br /&gt;Estão locados entre as pedras&lt;br /&gt;Esperam sem asperezas o meio dia&lt;br /&gt;Retirar suas tolhas de mesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terreiro é vasto&lt;br /&gt;Mas os cães dominam o medo&lt;br /&gt;Quando não eles adubam&lt;br /&gt;A terra com uréia desguarnecida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ponteiros do relógio&lt;br /&gt;Roçam o tempo com memórias&lt;br /&gt;Não ficamos mais jovens agora&lt;br /&gt;Perdemos os fósforos no escuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se jogar da janela agora&lt;br /&gt;Vai  encontrar espantada&lt;br /&gt;Uma fila de ônibus que espera&lt;br /&gt;Estão todos calados agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cães amofinam&lt;br /&gt;Regojitam o ar das narinas&lt;br /&gt;Sinto o espírito de Francisca&lt;br /&gt;Que volta sem sorrir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que digo sentado sobre&lt;br /&gt;Os calos e os calcanhares&lt;br /&gt;Quem vem lá? Quem vem lá?&lt;br /&gt;É de paz? É de paz?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1291967403859147837?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1291967403859147837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1291967403859147837' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1291967403859147837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1291967403859147837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/dos-mistrios-os-arcanjos-e-arqueiros.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3157291029820140935</id><published>2008-11-02T15:46:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T15:49:34.416-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SQ48d4t790I/AAAAAAAAAj8/JAIdHKShygo/s1600-h/190x190_8503009021.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264211498581620546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 190px; CURSOR: hand; HEIGHT: 190px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SQ48d4t790I/AAAAAAAAAj8/JAIdHKShygo/s400/190x190_8503009021.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Konstantinos Kaváfis&lt;br /&gt;Poemas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Muito se tem refletido sobre a arte praticada nos anos iniciais do século XX, não só pela necessidade natural de uma revisão histórica, mas também pela imensa vacuidade artística da contemporaneidade, em que salvo algumas manifestações artísticas, o que se vê é pura diluição degradada. Dentro desse ponto de vista que nos oferece espelhos para uma evolução urgente, a partir do que é significativo no passado, está a seleção de poemas do grego Kaváfis, com tradução, notas e estudo crítico de José Paulo Paes, relançada pela editora José Olympio, na série Sabor Literário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Konstantinos Kaváfis, no Brasil, país de pouca leitura e vasta ignorância, não passa de um poeta obscuro, restrito apenas aos iniciados em poesia, a esparsos grupos de universitários ou aos guetos homossexuais, em que alguma louca intelectual goste de exibir em seus lábios trêmulos e afetados, a lascívia latente do poeta se reportando ao seu amor maldito e efêmero, nascido nos cafés soturnos de Alexandria. Nessa seleção, de pouco mais de 70 poemas, é possível perceber, entre outras coisas, que a poesia de Kaváfis tem bem mais facetas do que apenas a sua ousada manifestação homossexual em versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua nota introdutória José Paulo Paes demonstra com propriedade as raízes simbolistas e penumbristas do maldito poeta grego. É muito interessante ler esse ensaio literário, uma vez que é possível dimensionar a projeção de Kaváfis em seu tempo e entender como ele foi afetado pelo pensamento corrente. José Paulo Paes faz uma série de analogias entre o estilo libertário e libertino de Kaváfis, com vários estilos de outros poetas contemporâneos do grego.Vale ressaltar das personificações de Fernando Pessoa e Ezra Pound, em relação às personificações criadas pelo poeta Kaváfis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da simbologia, do uso da linguagem e das peculiaridades do metro, da rima e da estrofação, recursos utilizados pelo poeta, são destaques também a textura sutil da crítica social, do existencialismo e a ironia histórica utilizada em livres interpretações. Kaváfis foi contemporâneo de grandes poetas, entre eles, além dos citados, estão Jorge Luis Borges, Yeats, Unamuno, Max Jacob, Guillaume Apollinaire, Paul Valery, Rilke e Manuel Bandeira. Apesar dessa efervescência de estéticas e vanguardas, o poeta resguardou o seu estilo próprio, como fazem aqueles que possuem vozes singulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é muito interessante perceber como José Paulo Paes se esforça em valorizar os poemas menores de Kaváfis, através do estudo da sintaxe e da escolha lexical, recursos que têm pouquíssimos poderes de conceber uma grande literatura. Mas, de fato, são poucas as sobras contidas nessa seleção. Não por uma questão de estigma ou qualquer outro babado, os poemas menores fazem parte do cânone de temática homossexual. Alguns por serem confessionais demais, em que importam mais o desabafo e não a manipulação da linguagem, e outros por serem efêmeros, sem sustentação diante do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O legado todo de Kaváfis é de pouca produção, apenas 154 poemas. Mas a importância desse poeta não está na quantidade. Através de uma visão bem particular de compor versos, vários poemas seus entraram na história literária pela porta da frente, com a competência daqueles que são agraciados pela sensibilidade e pelo intelecto. Poemas como “Ítaca”, “À espera dos Bárbaros”, “O Deus Abandona Antônio”, “Idos de Março”, “Termópilas”, “Num Demo da Ásia Menor”, “Teódoto”, “Flores Brancas e Belas como Tão Bem Convinha”, “Ano 200 A.C.” e o surpreendente “Muros”, revigoram o espírito e aprimoram a perplexidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independente de seleções por afinidade ou outro aspecto qualquer, esse é um livro que deve ser sorvido e servido aos poucos. Use-o contra o tédio; para amenizar a chatice de ser o intelectual de plantão; ou para neutralizar a burrice reinante, que tanto nos esforçamos para não fazermos parte, mas basta dar uma olhada ao redor, que é fácil de flagrar caninos errantes. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3157291029820140935?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3157291029820140935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3157291029820140935' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3157291029820140935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3157291029820140935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/konstantinos-kavfis-poemas-muito-se-tem.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SQ48d4t790I/AAAAAAAAAj8/JAIdHKShygo/s72-c/190x190_8503009021.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-8247352900059715193</id><published>2008-11-02T15:41:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T15:42:03.289-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dos armistícios&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Logo ali&lt;br /&gt;Por trás da garrafa de café&lt;br /&gt;Seca e em pura solidão&lt;br /&gt;Havia uma tensão renomada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos untados na gordura dos bordéis&lt;br /&gt;Passaram-se três dias&lt;br /&gt;Os muros procurando o céu&lt;br /&gt;E tudo o que é pertencido permanece&lt;br /&gt;Mais triste ainda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade tenta se proteger&lt;br /&gt;Dos próprios rastros&lt;br /&gt;Rasteja e se confina em retalhos&lt;br /&gt;Diante do grande portão&lt;br /&gt;Está e esteja sempre com um&lt;br /&gt;Palmo de língua para fora&lt;br /&gt;Salgando os salmos com o suor&lt;br /&gt;Da leitura dos seus saldos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo ali&lt;br /&gt;Nas estrias da vigília&lt;br /&gt;Acima dos fracos&lt;br /&gt;E abaixo dos inocentes&lt;br /&gt;Amauri Caolho vê com a sua&lt;br /&gt;Única possibilidade um bando de ratos&lt;br /&gt;Cruzando o bosque de sucatas&lt;br /&gt;Estão indo embora sob nenhuma mira&lt;br /&gt;Já é tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não levaram as pulgas&lt;br /&gt;Deixaram todas para nós&lt;br /&gt;Disse cuspindo em distância&lt;br /&gt;Depois de mascar o próprio siso&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-8247352900059715193?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/8247352900059715193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=8247352900059715193' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8247352900059715193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/8247352900059715193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/dos-armistcios-logo-ali-por-trs-da.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4782273005481605746</id><published>2008-11-02T15:38:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T15:39:16.367-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dos Dísticos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Se existe uma palavra&lt;br /&gt;Que não caduca essa é astúcia&lt;br /&gt;Que se arma de finas armaduras&lt;br /&gt;E sórdidas urdiduras&lt;br /&gt;E em veias e músculos próprios&lt;br /&gt;Puxa com mãos próprias&lt;br /&gt;Os próprios cabelos&lt;br /&gt;Do Barão de Munchausen&lt;br /&gt;Diante da areia movediça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, Anacleto de Bertinha,&lt;br /&gt;Eis o perplexo: o universo&lt;br /&gt;Tem lá os seus rigores em suas&lt;br /&gt;Primeiras e últimas moradas&lt;br /&gt;No imenso pátio de um segundo&lt;br /&gt;Ele pode definir tudo&lt;br /&gt;Como o aroma do amor&lt;br /&gt;Nesse café forte que brota&lt;br /&gt;Das entranhas de Gertrudes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4782273005481605746?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4782273005481605746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4782273005481605746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4782273005481605746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4782273005481605746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/dos-dsticos-se-existe-uma-palavra-que.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-6176521513846346477</id><published>2008-11-02T15:32:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T15:33:42.724-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A cidade travestida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Katiúscia Priscila, Andressa Kelly, Tabata Regina, Amapola Toda Boa, Berta Lorena, Aline Grandona, Vera Virada, Veruska Bom Bom, são todos nomes de guerra, que trafegam em batalhas noturnas, nas transversais da cidade mais religiosa do Cariri. Em suas rondas noturnas, os travestis conseguiram dar a Juazeiro do Norte um toque de complexidade na maquiagem dessa cidade cheia de complexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você se depara com aqueles pequenos grupos de homens transmutados, vestidos com a sensualidade do caricato, expostos à venda - ou troca -, estrategicamente espalhados em lotes demarcados nas esquinas do centro da cidade, você pode ver tudo, menos pouca vergonha, pois esse é um fenômeno que trata da menor escolha. Ali é a própria cidade em toda sua grande extensão. Ali é o processo dialético da cidade em sua urbanidade, em que ela exclui a sua cria bastarda, para depois incluí-la como expurgo em sua lista de traumas indesejados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta soltar os cachorros. Não adianta organizar os exércitos da salvação em cruzadas histéricas da moral e cívica, em nome da honra do bem comum. Muito menos é pertinente apontar o dedo para a crucificação de um culpado, para execração pública através do maniqueísmo venal da provinciana mídia caririense. Pois entre um chupão de língua de um travesti e seu cliente desconfiado e a venda de uma falsa garrafa de água mineral benta em tempos de romaria, não existe distância nenhuma. Ambos são comércios. Ambos são frutos da permissividade, a mesma permissividade velada que existe no axioma maior dessa cidade: “aqui se ganha a vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os travestis existem em todas as grandes metrópoles. Até parece que eles fazem parte do processo de verticalização da cidade, como símbolos fálicos ao avesso, exibindo em sua desafiadora complexidade o desvio mutante da negação da masculinidade e alegoria infértil da afirmação feminina. Os apartamentos, os bares, a rispidez do asfalto, a astúcia do comércio, a tensão do tráfego e o dinheiro no bolso a qualquer preço, são coisas de macho.&lt;br /&gt;Veruska Bom Bom, oferecendo seus silicones sem nenhum pudor, na esquina da rua São Pedro com a rua Do Seminário, é coisa de macho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa cidade, como quase todas, é fatalmente feita para machos, machos dominantes. Da mesma forma assim são os bordéis com suas clientelas embriagadas; a música tosca e degradante que toca nos paredões de sons de 25 mil reais; a cachaça servida com buchada; o ramo da pirataria; a indústria da agiotagem; o futebol na tela clandestina; o amor bandido; o prazer proibido; a pistolagem; o superfaturamento; a sonegação de impostos; a cegueira da justiça; a soberba e a prepotência. São todas coisas de macho e são todas originadas na permissividade. São fatos e fatores dos mecanismos das relações sociais. São pedaços de sucatas que fazem parte do quebra-cabeça dos escombros da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta prender Katiúscia Priscila e ter que soltar Berta Lorena. Não adianta atropelar Tabata Regina com um Honda Civic e ter que amparar pelo Sistema Único de Saúde a invalidez de Amapola Toda Boa. E nem de forma nenhuma amaldiçoar o travesti da esquina mais próxima tendo em casa filhas pródigas, parideiras, prestes a constituírem famílias ante um futuro sempre ameaçador. É preciso conviver sem permissividade. É preciso assistir, não como platéia de uma peça trágica, mas com um olhar de intervenção social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário que a sociedade, em parceria com os poderes públicos e as instituições não governamentais, atuem na transformação da cidade, antes que ela se torne definitivamente em um monstrengo urbano, sem saídas plausíveis para suas anomalias. O que está em jogo aqui não é a opção sexual em si, mas a prostituição em alto grau de agressividade, seja ela de qual opção sexual for. Para uma abordagem sensata do fenômeno, através do sistema de parcerias são necessários projetos sociais legítimos, que possam retirar essa venalidade sexual das ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o que se evidencia aqui são projetos sociais de fato e de direito, elaborados sob o signo da idoneidade e não determinadas parcerias entre organizações não governamentais e o poder público, em que o mesmo caráter de prostituição dos travestis impera. Esses tipos sociológicos são vistos largamente, rondando as instituições públicas com suas maquiagens pesadas, seus trejeitos exagerados, suas agendas lotadas de contatos descolados, e suas bolsas rodadas, prontas para repartirem as comissões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, a cidade em sua totalidade, não se traveste. Ela é autêntica em sua pluraridade. As suas transversais são próprias. Os olhares que recaem sobre ela é que são viciados em modelos prontos e bem embalados, vendidos sob a ética do comércio de quinquilharias dos seus pequenos e grandes mercados. A recusa não é própria da cidade. Isso é coisa de macho, que exorcisa o pecado segurando o saco, para que a inteligência não vaze e forme uma poça de lama, transformada em balneário pelos seus piolhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-6176521513846346477?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/6176521513846346477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=6176521513846346477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6176521513846346477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6176521513846346477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/11/cidade-travestida-katiscia-priscila.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-2170874467303540566</id><published>2008-10-21T11:53:00.001-07:00</published><updated>2008-10-21T11:53:36.459-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dos Repúdios&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A esgrima da rejeição&lt;br /&gt;É uma cárie no canino crescido&lt;br /&gt;É por lá que passam as solas gastas&lt;br /&gt;E o refluxo da solidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda noite é assim&lt;br /&gt;Quando o ar fica murmurando muros&lt;br /&gt;E as vacas pisoteiam vagas para&lt;br /&gt;Nascerem bezerros seus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe na multidão&lt;br /&gt;Um ar de repúdio ao veja só&lt;br /&gt;Nem que seja por um segundo&lt;br /&gt;A farinha nega os farelos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é justamente nessa hora&lt;br /&gt;Que chega sempre Ramiro Flores&lt;br /&gt;Com seus dentes de ouro&lt;br /&gt;E sua úlcera que incinera a alma&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-2170874467303540566?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/2170874467303540566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=2170874467303540566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2170874467303540566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2170874467303540566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/10/dos-repdios-esgrima-da-rejeio-uma-crie.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7780949771776870381</id><published>2008-10-19T11:04:00.001-07:00</published><updated>2008-10-19T11:04:56.187-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A favela das velas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Juazeiro é uma cidade muito engraçada, cheia de piadas. Muitos não entendem seu senso de humor trágico. Definitivamente a culpa não é dela. Ela até que se esforça para ser entendida através de manifestações óbvias. Mas, se ninguém ri de suas anedotas, ela ri da gente, com sua gargalhada sonora e sua boca socialmente banguela. A favela que cresce nos arredores da Matriz de Nossa Senhora das Dores é uma de suas piadas sujas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando uma quenga de pouco mais de vinte anos, usando mini-saia apertada, quebrando o buxo na canela, exibe a sua tabela de preços através do vermelho néon do seu baton da avon, encostada numa estaca que segura o barraco, ouvindo Aviões do Forró num micro-som fanhoso, a cidade também exibe ali suas malícias e seus malefícios, frutos das oportunidades que ela oferta e dos oportunistas que a infestam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São as duas faces de uma mesma moeda. Dinheiro esse que corre léguas tiranas dentro e fora dos muros da cidade, às vezes demagogicamente ostentado, às vezes sorrateiramente cultivado. Assim cresce a Juazeiro do Norte dos contrastes. Sendo que vez por outra o  passado e o presente se encontram nas esquinas, nos porões e nas salas mais requintadas. E é aí que se percebe facilmente o cinismo patético dessa cidade. Padre Cícero veio para acabar com a promiscuidade do entreposto Tabuleiro Grande. O tempo passou, Juazeiro do Norte saiu do Tabuleiro, mas o Tabuleiro não saiu do Juazeiro do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nesse mesmo espaço geográfico, de um lado existe o mais simbólico templo de devoção e fé dos romeiros, em que entre uma oração e outra, esmolas generosas são ofertadas em forma do dízimo voluntário, do outro lado existe o templo da promiscuidade, erguido com o poder dos interesses escusos, com pregos, papelão, restos de madeira, palhas, flandres e descasos e descasos, em que entre uma cachaça e outra, esmolas generosas são ofertadas em forma de arame farpado para curral. É nesse espaço geográfico em que a multidão, em tempos de romaria, se divide e se multiplica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o filósofo alemão Walter Benjamim, “na multidão o que está abaixo do homem entra em relação com o que impera acima dele e é essa promiscuidade que engloba todas as outras”. Isso é a pura verdade. Vale ressaltar, que a multidão, em sua comédia humana, enquanto massa, se apresenta invisível socialmente, em torno da coisa comum que aquele aglomerado expressa, estão ocultos os interesses privados, quase impossíveis de serem detectados de imediato. No entanto, sob um olhar mais atento, os mecanismos dessa risada irônica da cidade, que ridiculariza qualquer convívio entre o sagrado e o profano, vêm à tona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil de se acreditar em falta de visão política, que não vislumbra uma cidade turística, além de romeira. Também é difícil de acreditar na máxima de que não se pode solucionar o problema da noite para o dia, uma vez que todos os outros santuários de grande fluxo turístico conseguiram, sendo Aparecida o maior exemplo disso. Entender a tolerância para a continuidade dessa favela como uma manobra do espírito humanitário, em que todos têm o direito de sobreviver de alguma forma, é tão infantil quanto acreditar na fada dos dentes. É claro que a cidade ri de toda essa inocência, através dos trejeitos dos seus travestis, com seus sexos e jóias falsas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem mais fácil de acreditar em um jogo de interesses menores, do que na “imposição de uma mazela social sem fim, culpa da desigualdade”. A permissividade da prostituição, da falta de fiscalização sanitária e da ocupação indevida do espaço, tem uma causa óbvia, e que foge das limitações da administração pública. Esse curral não é só mantido pela troca de favores e pela compra de votos. Existe aí uma troca de interesses públicos e privados, que a cidade esconde debaixo do braço, para alguns, para outros, debaixo do sovaco. Tudo, na realidade, é uma questão de postura, conta piada quem pode e ri quem deve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7780949771776870381?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7780949771776870381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7780949771776870381' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7780949771776870381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7780949771776870381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/10/favela-das-velas-juazeiro-uma-cidade.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7286481104994672807</id><published>2008-10-15T12:01:00.001-07:00</published><updated>2008-10-15T12:01:52.322-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dos Conceitos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Do nada a fuligem&lt;br /&gt;Torna-se rigorosa, cheia&lt;br /&gt;De marcas indeléveis&lt;br /&gt;Nada afável, nada às favas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capaz de empalar o mundo&lt;br /&gt;De uma só vez, ela se mostra&lt;br /&gt;Um tanto taciturna, sem afetos&lt;br /&gt;E sem fetos, apenas com&lt;br /&gt;Seus fatos à mostra, trágicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando perguntada&lt;br /&gt;Pelo seu último segredo&lt;br /&gt;Ela deu de ombros, afetada&lt;br /&gt;Em alfinetadas, respondeu&lt;br /&gt;Em perpendiculares:&lt;br /&gt;Fluuuu, fluuuu, vruum, vruum&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7286481104994672807?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7286481104994672807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7286481104994672807' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7286481104994672807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7286481104994672807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/10/dos-conceitos-do-nada-fuligem-torna-se.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7385588820296751592</id><published>2008-10-13T13:23:00.001-07:00</published><updated>2008-10-13T13:23:36.202-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dos hemisférios&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Porfírio de Jesus&lt;br /&gt;Tem os cadáveres de&lt;br /&gt;Três lâmpadas amareladas&lt;br /&gt;Incrustados nas costelas,&lt;br /&gt;Tem como contrapeso&lt;br /&gt;Três desejos despejados&lt;br /&gt;Sem nenhuma reserva.&lt;br /&gt;Ele sempre sobe a ladeira&lt;br /&gt;Do Seminário contando&lt;br /&gt;As pedras e as perdas,&lt;br /&gt;Mas aí já é outra história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7385588820296751592?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7385588820296751592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7385588820296751592' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7385588820296751592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7385588820296751592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/10/dos-hemisfrios-porfrio-de-jesus-tem-os.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1611757012679843270</id><published>2008-10-13T11:27:00.000-07:00</published><updated>2008-10-13T11:29:19.786-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SPOTR7NXlWI/AAAAAAAAAfk/-TsQFcqKx3g/s1600-h/Johnny-Winter-Captured-Live-285498.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256707126232323426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SPOTR7NXlWI/AAAAAAAAAfk/-TsQFcqKx3g/s400/Johnny-Winter-Captured-Live-285498.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Johnny Winter - Captured Live!&lt;br /&gt;para a eternidade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em uma lendária entrevista para a revista Guitar Player, respondendo sobre equipamento e regulagens, Johnny Winter respondeu que não tinha segredos, colocava todos os botões da guitarra e do amplificador no dez e metia a mão, sem olhar para trás. Esse disco histórico é uma prova disso. São seis faixas antológicas de pura adrenalina de hard blues ao vivo. Esse é um disco para quem acredita em guitar heroes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é daqueles ou daquelas que torce o nariz para longos solos de guitarra em volume máximo, e acha que isso é pura masturbação musical e que a guitarra é só um detalhe para o rock, então passe longe desse disco. Ou se quiser siga o meu conselho: compre esse registro monumental, mude os seus conceitos e perceba que existe vida inteligente e sentimento musical nesses solos que foram capturados ao vivo, sem retoques ou enganações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse disco contém faixas gravadas em três espetáculos diferentes, Swing Auditorium, San Diego Sports Arena e Oakland Coliseum, em 1976. Não existem faixas ruins nesse disco, cada uma é melhor do que a outra. Esse é um repertório impecável, simplesmente matador. O guitarrista texano está em sua fase divina de guitarra “Firebird”, da Gibson, com um leve toque de phase em seu timbre lotado de médios e amplificadores Marshall no talo. Johnny Winter desfila o seu leque de escalas pentatônicas, menores e de blues em velocidade estonteante, completamente distante dos malabarismos circenses dos fritadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A famosa base de Johnny Winter nos anos 70, em que ele se aproxima bastante do rock em seu fraseado blueseiro, está presente como uma verdadeira usina de força. Floyd Redford, com uma Gibson 335, semi-acústica, segura a base e faz solos e duelos precisos. A cozinha é formada por Randy Jo Hobbs no baixo e Richards Hughes na bateria, de entrosamento perfeito e peso puro, essa é uma dupla dos sonhos de qualquer guitarrista solo. O resultado dessa química é de impressionar qualquer um. As apresentações seguem a linha do início dos anos 70, com longos improvisos no gás total, sem deixar o público respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco abre com “Bonie Moronie”, com uma introdução de Johnny Winter sozinho na guitarra. Que ele é albino todos sabem. Que ele é negro de alma e voz todos sabem, mas essa primeira faixa serve para o ouvinte saber exatamente com quantas notas se faz o autêntico hard blues. Melhor abertura impossível. No segundo solo dessa música Johnny mostra boa parte dos seus truques, aprendidos em bares e clubes noturnos. O ouvinte já é sacudido em sua quinta geração.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256707230489833602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SPOTX_mS8II/AAAAAAAAAfs/ZiLTxIFVzgY/s400/johnnywinter.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;“Roll with me”, a segunda faixa, é típica dos anos 70. O groove dessa música é irresistível, hipnotizante. É o solo mais rockeiro dessa infinidade de solos. Praticamente esse é o song book dos links de Johnny Winter, bands, doublestops, oitavas e ligados diversos. “Rock and roll people” faz o público delirar com seu andamento rápido e pegada alucinada do albino. As frases de guitarra são rápidas e poderosas. Esse é o chamado power blues, o som solta faíscas. Nessa faixa você vai entender porque ele é considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“It’s all over now” já abre com um solo mágico de Johnny Winter, para logo em seguida a banda entrar em uma pegada meio western e meio boogie. Essa faixa tem um dos melhores duelos entre o texano e Floyd Redford. A base que Johnny Winter faz quando Floyd está solando é imperdível. A essas alturas tudo já está pegando fogo. É quando Johnny Winter resolve usar o slide na música “Highway 61 revisited”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que você ouvir essa versão para o hit mágico do feiticeiro Bob Dylan, você vai pensar dez vezes antes de querer tocar slide guitar. O momento em que Johnny Winter segura a onda solando com slide, apenas com o groove da bateria, é clássico, é antológico, é seminal, é aula pura. Esse momento é pra você aprender a verdadeira função de uma guitarra solo. Ele ainda abre espaço para um solo generoso de Floyd Redford.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sweet Papa John” fecha o disco com toda a classe de um grande mestre do blues. Também começa com Johnny Winter sozinho, destruindo a guitarra, depois a banda entra em um blues de andamento lento, tradicional. É mais uma aula de slide. É pra fazer com que esse se torne um dos registros ao vivo mais importantes da sobrenatural década de 70. cara, se você ainda não conhece esse disco, você é simplesmente um vacilão. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1611757012679843270?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1611757012679843270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1611757012679843270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1611757012679843270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1611757012679843270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/10/johnny-winter-captured-live-para.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SPOTR7NXlWI/AAAAAAAAAfk/-TsQFcqKx3g/s72-c/Johnny-Winter-Captured-Live-285498.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4196286786535720533</id><published>2008-10-13T11:17:00.001-07:00</published><updated>2008-10-13T11:17:42.872-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SPOQv04cCTI/AAAAAAAAAfU/rIe6M8kqN88/s1600-h/alegoria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256704341395114290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SPOQv04cCTI/AAAAAAAAAfU/rIe6M8kqN88/s400/alegoria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Três bandas descoladas&lt;br /&gt;E uma noite massa no meio&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A estreante Papagaio do Futuro, a rodada Alegoria da Caverna e sua fantasia de festa Os Transacionais, fizeram uma noite no Café Estação, em Crato, no último sábado 11, de rocks, baladas, reggaes e outras ondas diversas e inversas a mais, para um público médio, mas seleto e sedento de diversões sem trapaças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grata surpresa foi ouvir o som trabalhado e irreverente da Papagaio do Futuro, uma banda de Juazeiro do Norte, que finalmente faz valer o aspecto urbano daquela cidade, sem a eterna babaquice das caras e bocas do heavy metal e do som fabricado das vídeo-aulas, tão peculiares entre santos e ladainhas de lá. Já a banda de Fortaleza, Alegoria da Caverna, com a competência do seu som, conseguiu dissipar o estigma de terra dos cafuçús daquela capital, o que convenhamos não é tarefa fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Papagaio do Futuro levou uma eternidade para arrumar o equipamento e definir lugares, enquanto uns brigavam com afinações, cabos e pedais, outros zoadavam em seus instrumentos, uma verdadeira munganga, que deve ser exterminada ontem. O som começou indefinido, completamente embolado, com todos os volumes detonados, encobrindo as vozes e distorcendo o som na frente. A banda não conseguiu equalizar completamente o som no palco e em alguns momentos as três guitarras estavam desafinadas entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não conseguiu detonar o som da banda, são erros de uma segunda apresentação de uma banda novíssima, que não tem nem repertório fechado ainda, mas que em cerca de oito músicas a Papagaio do Futuro demonstrou ser a novidade, o diferente, aquilo que se aguarda com ansiedade na cena musical caririense há muito tempo. As três guitarras são muito bem arranjadas, em músicas que mudam constantemente de andamento. Os solos são bem dosados, bem como as timbragens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As composições empolgam facilmente e já é possível perceber alguns hits em potencial. Faltam alguns ajustes na cozinha, apesar dos grooves marcantes do baixo. Sem dúvida nenhuma o destaque vai para a presença de palco da vocalista Grissa, com vocal possante, figurino exótico e carisma sobrando. A banda liderada por Aquiles, que assina as composições, faz vocal e toca guitarra, tem presente, tem futuro e não esquece a riqueza do passado musical do rock. Foi uma surpresa e tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda Alegoria da Caverna apresentou o repertório do seu cd “Gororoba “ , bem como o repertório do seu projeto paralelo Os Transacionais, só de covers brasileiros da década de 60 e 70, com um som bem mais enxuto e solto do que das outras vezes que esteve aqui. A banda tem um repertório autoral que transita entre o rock’n’roll, o funk, o reggae e levadas da mpb. As letras são bem cuidadas, irônicas e fáceis de guardar. A banda tem pelo menos dois hits, a simpática “Mumu de Sabi” e a incendiária “100% Pirado”, o que é fundamental em qualquer banda: música pra galera cantar junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso a banda é rodada, tem manha de palco. O som ficou redondinho, sem falhas. O destaque da banda é a sua cozinha, com o peso do excelente baterista D’Angelo e da competência do baixo de JolsonX. A guitarra de Miguel Basile é providencialmente econômica e muito eficiente, o guitarrista domina completamente o seu equipamento e despeja potência em seus solos certeiros e sem firulas. Vitoriano é o frontman. Sua presença é carismática, sua dicção é clara e sua guitarra é fundamental para a estrutura sonora da banda. A presença de palco da banda é massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto Os Transacionais é pura diversão. A mudança de repertório foi marcada pela lendária “Misirlou”, de Dick Dale and His Del-Tones, com o guitarrista Miguel Basile incorporando o verdadeiro espírito da guitarra surf. O resto do repertório é uma seleção de pérolas, entre elas, versões impagáveis dos mutantes. Os transacionais é sinônimo de diversão pura, o clima ideal para fechar a noite. O que vimos, ouvimos e dançamos foram as tendências do novo em pleno diálogo com o velho, mas sem nenhuma espécie de velhacaria. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4196286786535720533?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4196286786535720533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4196286786535720533' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4196286786535720533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4196286786535720533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/10/trs-bandas-descoladas-e-uma-noite-massa.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SPOQv04cCTI/AAAAAAAAAfU/rIe6M8kqN88/s72-c/alegoria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-247090161983114581</id><published>2008-10-07T13:16:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T13:19:46.896-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SOvES4ZhKJI/AAAAAAAAAe8/wqWypp3t3w0/s1600-h/Digitalizar0005.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254509218913921170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SOvES4ZhKJI/AAAAAAAAAe8/wqWypp3t3w0/s400/Digitalizar0005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ação e Arte&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Recebi dois números do fanzine “Panflerte” – Demônios e Literatura. De nome sugestivo e iniciativa mais ainda. “Panflerte” é cultura, é diversão e é arte. Essa frase parece batida, mas ela é urgente. Principalmente quando tudo isso está em falta, embora teimem os cafuçús de plantão, que essa falta de cultura é apenas ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de consumismo estelionatário, quase ninguém quer saber de arte, poesia então nem se fala. Mas o que isso importa para quem não teme a morte em velhos catálogos? “Panflerte” está vivo e pede passagem. Que se abram os prostíbulos culturais, principalmente àqueles transformados em redutos, em guetos institucionalizados. Eles querem passar e deixar rastros, vestígios, digitais, impressões e imprecisões, pois só navegar é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Panflerte” tem textos críticos, tem charges, tem poesias, sacações e pequenos contos. Todos sob a verve do sangue novo. Isso é muito bom, justamente quando aposentadorias literárias não percebidas, justificam o ocaso. “Panflerte” é formado pelos estudantes universitários, de fato ou de direito, não vem ao caso: Rodolpho Teles; César Weyne, Rodolpho Batista, Nathan Matos, Lucinha Teles e pelo fantasma Le Glitterfinger. O e-mail dos caras é: &lt;a href="mailto:panflerte@hotmail.com"&gt;panflerte@hotmail.com&lt;/a&gt;. O fanzine é editado em Fortaleza, o que comprova em partes que nem só de cafuçú vive aquela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles prometeram mandar exemplares para distribuir entre os amigos da arte. Vamos esperar. Por enquanto mande mensagens para o e-mail deles e peça o seu. Creio que logo, logo, o “Panflerte” transforme-se em blog&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-247090161983114581?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/247090161983114581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=247090161983114581' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/247090161983114581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/247090161983114581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/10/ao-e-arte-recebi-dois-nmeros-do-fanzine.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SOvES4ZhKJI/AAAAAAAAAe8/wqWypp3t3w0/s72-c/Digitalizar0005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1806704976348328992</id><published>2008-10-07T12:18:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T12:20:06.674-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SOu2TZFiNXI/AAAAAAAAAes/Nc-aPzMis4Q/s1600-h/pa6.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254493834525685106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SOu2TZFiNXI/AAAAAAAAAes/Nc-aPzMis4Q/s400/pa6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O embargo das barricadas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui demitido sumariamente! Sem justa causa! A esperança me deu um pé na bunda sem pagar nenhum direito trabalhista e sem vestígios legais do seguro desemprego. Agora tenho uma família preste a ser esfarrapada. Estou demitido, mas sou trabalhador. A conspiração me espera. Ela é a última que morre. "Busco agora um trabalho não assalariado, mas apaixonado”. Procuro pelas barricadas que urgem serem erguidas repentinamente com os paralelepípedos da restauração e à luz da igualdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou adepto da revolução. Aquela que atira, queima e bane. Aquela que troca o perdão pelo extermínio no paredão de fuzilamento. Sem crises espirituais, sem pirataria existencial ou culpas humanistas, venero uma horda selvagem armada até os dentes pelo bem comum e que espuma pelo canto da boca o refazer. A minha herança está selada pelo carimbo da rejeição, está protocolada nos arquivos das margens desse esgoto poderoso que corre a céu aberto, cheio de solenidades, em nome da microfísica do poder. Mas eu luto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasculho as ruas e esquinas. Quero encontrar os levantes dos deserdados. A ira irrevogável dos terceirizados é o meu objetivo. É disso que eu preciso. Empregar a minha força de trabalho - o único bem que eu tenho - na utopia de desintegrar o poder dos dominantes, o tapete e trucidar a sujeira debaixo dele, digo exterminar. As trincheiras devem ser habitadas pelos retalhados, pelas vítimas de tortura da miséria e por todos mitigados pelo poder. Vejo que as moscas e as larvas solidificam a fedentina do poder. Vejo que o poder é um arremedo de próteses. Mas não vejo as barricadas que procuro e nem aqueles vomitados pela abastança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As guerrilhas travadas pelos votos estão decompostas, fatoradas ao mínimo denominador comum. Já disse Walter Benjamim e agora vejo que tomam posições atrás dos sacos de areia e dos escombros, “os pobres que usam luvas, aqueles que farão fortunas”, ao pedirem esmolas ao poder, tal qual o doutrinador Blanqui, com suas luvas pretas. O choro pelos cadáveres agora é de lágrimas inférteis. O eleito e o não eleito são os mesmos. É quando reina a tréplica da réplica. As armas estão municiadas com balas de festim. O silêncio armou o seu concreto, fez uma blindagem para proteger a ditadura das malfeitorias, enquanto o povo ajeita a maquiagem diante do espelho, é hora de brilhar. O cinismo satânico é um belo adereço de carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satã está sendo satirizado. Diante da institucionalização da roubalheira política, satã perdeu os dentes e a maestria da vileza. Sua capa vermelha está sendo replicada, virou arte de consumo. O seu sorriso devastador ilustra calendários de borracharias suburbanas. Seu vozeirão radioativo pode ser escutado em discos piratas de bandas impostoras de metal evangélico de pouco mais de dois reais. O poder pode ser derrubado, mas vai se recompor em seus fragmentos, como vilões alienígenas de filmes classe b. É quando o mesmo muda para ser ele mesmo, sem economia de fragmentos ou descontinuidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das barricadas surge então a maior e mais poderosa prostituta do universo: a corrupção. Marx escreveu em “O Dezoito Brumário”: “Quando os puritanos protestaram contra a vida depravada dos papas..., o cardeal Pierre d’Aill trovejou contra eles: - Só o diabo em pessoa ainda pode salvar a Igreja católica, e vós exigis anjos!...” Só o roubo à propriedade, o perjúrio à religião, a bastardia à família, a desordem à ordem, podem salvar a sociedade - escrevia o pensador. Assim também é com a sociedade brasileira nessas eleições municipais. O satã pós-moderno demitiu a esperança, que chorosa molha a calcinha de tanto soluçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, diante de papéis amassados, de bocas de urnas canastronas, de fiscalizações de compadres, conchaves de última hora e euforias dissimuladas pela vitória da honra, da família e do patrimônio público, andamos os três, com a desolação depressiva de uma demissão implacável: eu, a esperança e a revolução. Enquanto isso, Marx toma um cafezinho ali, recolhido ao passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1806704976348328992?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1806704976348328992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1806704976348328992' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1806704976348328992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1806704976348328992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/10/o-embargo-das-barricadas-fui-demitido.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SOu2TZFiNXI/AAAAAAAAAes/Nc-aPzMis4Q/s72-c/pa6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3656291522547167848</id><published>2008-09-25T09:35:00.001-07:00</published><updated>2008-09-25T09:36:22.193-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;VEJA "LAR DE MARAVILHAS - CASA DAS MÁQUINAS - EM &lt;/span&gt;&lt;a href="http://peduvido.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;http://peduvido.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3656291522547167848?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3656291522547167848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3656291522547167848' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3656291522547167848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3656291522547167848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/09/veja-lar-de-maravilhas-casa-das-mquinas.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-5238351463417476362</id><published>2008-09-22T15:19:00.000-07:00</published><updated>2008-09-22T15:21:42.558-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SNgaLLEFX1I/AAAAAAAAAeE/w6zDekA9IaQ/s1600-h/DI03402.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5248974144951115602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SNgaLLEFX1I/AAAAAAAAAeE/w6zDekA9IaQ/s400/DI03402.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Hermeto Pascoal ao Vivo&lt;br /&gt;Em Montreux Jazz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite única de 1997, quando Claude Nobs anunciou Hermeto Pascoal como sendo qualquer coisa de inacreditável, com um inesperado senso de improvisação, harmonia, composição e execução, vindo da distante e múltipla música brasileira, ele não sabia exatamente que estava fazendo parte de um momento iluminado, singular, repleto de transcendência musical e espiritual. Estavam lá no palco, junto com o mago Hermeto, todos os deuses da natureza, tocando e encantando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todas as músicas do repertório daquela noite o público foi brindado com o mais alto nível de improvisação que um músico pode desenvolver. É um momento sobrenatural. A capacidade criativa de Hermeto e banda, aliás, umas das maiores bandas já formadas no Brasil e no jazz universal, é de uma grandeza incabível em palavras. A interação do mago com seus músicos e com a platéia é qualquer coisa inexplicável, são momentos de criação viva, na hora, música brotando no suor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hermeto tocou tudo que se possa imaginar: piano, clavinete, sax soprano, sax tenor, clavieta (escaleta), flauta, e improvisação de voz. Em todos esses instrumentos ele quebrou tudo, o seu improviso de escaleta em “Lagoa da canoa” é fantástico, ultramoderno, cheio de swing, harmônicos, vozes de embocaduras e escalas nada diatônicas, em um instrumento extremamente limitado. Essa mesma faixa começa com um solo de bateria de Nenê,que não tem explicação plausível. Essa obra-prima ainda tem um solo de tenor de Cacau que é de outro mundo. Nivaldo Ornelas dá uma aula, nessa mesma música, de ritmos e pegadas brasileiras em um sax soprano, através de saltos de notas e intervalos inacreditáveis. A faixa termina em apoteose.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5248974315799609314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SNgaVHhif-I/AAAAAAAAAeM/BJWfNPXP3N8/s400/hermeto_pascoal.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Esse é apenas um dos momentos mágicos desse show. A faixa “Remelexo” é uma improvisação de voz de Hermeto Pascoal, em que ele transcende e faz da voz um instrumento de improvisação, com escalas e letra ao mesmo tempo. A banda não conta conversa e entra na onda.O chorinho “Fátima”, vira o maior jazz, com uma improvisação de Hermeto Pascoal na escaleta, o instrumento que ele está tocando na capa do disco, em cima de uma harmonia mais do que complexa. Ele não só reinventa esse instrumento como reinventa as possibilidades de improvisação em uma seqüência harmônica de desempregar muitos músicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Terra verde”, “Maturi” e “Quebrando tudo”, Hermeto avessa o clavinete, que é outro instrumento muito limitado, que nas mãos do bruxo ele ganha cinqüenta mil oitavas. Hermeto Pascoal nessas músicas, que são emendadas pelos improvisos, faz citações de outras e encontra atalhos atonais descomunais, além de descobrir timbres jamais escutados nesse instrumento, em um desafio de solfejo e teclas histórico, com a banda esbanjando dinâmica. Aliás, que banda é essa, velho? Dá vontade de chorar de tão emocionante que é ouvir esse disco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenê de bateria; Itiberê Zwarg no contra-baixo; Jovino dos Santos de harmonias impossíveis ao piano e clavinete; Zabelê e Pernambuco nas percussões diversas; e mais Nivaldo Ornelas, sax tenor e soprano; Cacau, sax tenor e soprano. Eis os ingredientes da poção mágica do bruxo Hermeto. Esse show histórico era pra terminar com a fenomenal “Forró Brasil”, uma delirante linha melódica, rápida e cheia de acidentes. Mas o público não deixou e ele voltou com a delicada faixa “Montreux”, composta no hotel, especialmente para o festival. O público ainda delirou com os improvisos “Voltando ao palco” e “E adeus” , para encerrar definitivamente aquela magia inesquecível e histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um disco único. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-5238351463417476362?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/5238351463417476362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=5238351463417476362' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5238351463417476362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5238351463417476362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/09/hermeto-pascoal-ao-vivo-em-montreux.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SNgaLLEFX1I/AAAAAAAAAeE/w6zDekA9IaQ/s72-c/DI03402.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4235970749117271074</id><published>2008-09-21T07:43:00.001-07:00</published><updated>2008-09-21T07:43:58.305-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dos rituais&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As catapultas se coçam&lt;br /&gt;Com as pulgas prostitutas&lt;br /&gt;Que pugnam os desertos&lt;br /&gt;No silêncio dos inquietos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As velhas linhas urbanas&lt;br /&gt;Se coletivizam em divisas&lt;br /&gt;Além da constante de Planck&lt;br /&gt;No silêncio dos inquietos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse trem metropolitano&lt;br /&gt;Que segue rasgando o finito&lt;br /&gt;Babando sobre os trilhos&lt;br /&gt;É cheio de almas ruidosas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse escrito circunscrito&lt;br /&gt;Que corta as unhas e vai ao&lt;br /&gt;Supermercado todo mês&lt;br /&gt;É cheio de almas ruidosas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim as andorinhas procriam&lt;br /&gt;As telas eletrônicas entram no cio&lt;br /&gt;Os oxímoros se oxidam e as&lt;br /&gt;Velhas virgens trocam de sexo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4235970749117271074?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4235970749117271074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4235970749117271074' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4235970749117271074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4235970749117271074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/09/dos-rituais-as-catapultas-se-coam-com.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-5063921161150197944</id><published>2008-09-11T15:29:00.001-07:00</published><updated>2008-09-11T15:29:24.687-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Das Tensões&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ainda estão lá&lt;br /&gt;Aquelas três moedas surradas&lt;br /&gt;Em cima do balcão velho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram para comprar o universo&lt;br /&gt;Mas o espaço é curvo&lt;br /&gt;Cheio de esquinas iluminadas&lt;br /&gt;Por lâmpadas fubazentas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tristes&lt;br /&gt;Os cotovelos arredaram&lt;br /&gt;Sobraram as cotovias embriagadas&lt;br /&gt;Descendo a rua de pedra lavada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saudade é essa imensidão&lt;br /&gt;Encurtada pelas palavras&lt;br /&gt;Que também não pode&lt;br /&gt;Ser comprada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-5063921161150197944?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/5063921161150197944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=5063921161150197944' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5063921161150197944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5063921161150197944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/09/das-tenses-ainda-esto-l-aquelas-trs.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7781728317386638102</id><published>2008-09-09T12:57:00.000-07:00</published><updated>2008-09-09T12:58:12.560-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tem novas postagens no blog &lt;a href="http://peduvido.blogspot.com/"&gt;http://peduvido.blogspot.com/&lt;/a&gt; confira!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7781728317386638102?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7781728317386638102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7781728317386638102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7781728317386638102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7781728317386638102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/09/tem-novas-postagens-no-blog.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7534498805193542075</id><published>2008-09-09T10:39:00.000-07:00</published><updated>2008-09-09T10:40:26.361-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dos objetos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E logo cedo&lt;br /&gt;Foram distribuídas as senhas&lt;br /&gt;As montanhas permaneceram ao longe&lt;br /&gt;E a distância conservou-se cavalgando&lt;br /&gt;No ar o cheiro de carne enlatada&lt;br /&gt;Revelava os dias em campana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inteligência prática das&lt;br /&gt;Máquinas de refrigerantes e a necessidade&lt;br /&gt;De transformar das esferográficas&lt;br /&gt;Ufanaram afagos agoniados&lt;br /&gt;Em todos os objetos sensibilizados&lt;br /&gt;Pelos estranhos desejos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As carpas decoravam&lt;br /&gt;Os aviões suspendiam&lt;br /&gt;Os caixas condecoravam as dores&lt;br /&gt;Os terminais anoiteciam o amanhã&lt;br /&gt;E aquelas três crianças superavam&lt;br /&gt;Povoavam o vácuo com vestígios nus&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7534498805193542075?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7534498805193542075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7534498805193542075' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7534498805193542075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7534498805193542075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/09/dos-objetos-e-logo-cedo-foram.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-6283591884763843838</id><published>2008-09-07T11:21:00.000-07:00</published><updated>2008-09-07T11:23:45.543-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Manel de Jardim na área&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ontem, num show de Leninha, no novo teatro do Sesc de Juazeiro. Ele estava lá, com sua arrasadora ironia existencial, servindo como fenômeno sobrenatural para aqueles que pensam ter controle pleno dos seus domínios. Manel tocou violão, tocou baixo e fez vôos rasantes e altos, demonstrando como a magia não pode ser engarrafada e vendida como um produto capaz de transformar a sua vida. A magia de Manel é sobreviver sempre, sem desculpas e solenemente. Percebeu na segunda música que o seu violão estava desafinado, depois disso entrou definitivamente no clima David Linchiano do show e não saiu mais de lá, está eternizado em um cartaz misterioso, pregado nas paredes dos becos e avenidas do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show teve lá suas peculiaridades que matizam ainda mais o cartel de dúvidas sobre ser o Cariri um celeiro cultural, mas o que importa é que Manel estava lá, contrariando o destino e os urubus de plantão. Sei que em todo lugar existem urubus, mas em nenhum lugar existe uma concepção existencial tão complexa desses seres como aqui no Cariri. Nós convivemos com urubus perfumados, renomados, constitucionais, religiosos, dadivosos, afetados, educadamente infames, sorrateiramente canalhas, delicadamente patifes, escandalosamente sem escrúpulos, de todas as camadas e origens, de toda estirpe empresarial e de toda sorte de opção sexual, mas sempre urubus, com suas tarjas de rapina suprema instalada em seus fígados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manel tem uma postura magneticamente anarquista diante da vida. Passou seis dias em coma, seu corpo sucumbiu à loucura narcotizada impostas pelas armadilhas sociais. Estranhamente fez da UTI a sua ponte de desconexão por mais de dez dias seguidos. Quando acordou, segundo ele, mais frio do que uma pedra de gelo, o médico estava passando o gel da ressonância magnética e ele ironizou: “Como é doutor, o bebê tá na posição certa?”. O médico disse que a coisa tava séria e que ele teria que tirar a sua pressão. Manel respondeu de imediato com uma pergunta: “Vai botar ela onde? A coisa ta ruim com ela, imagine sem ela”. Manel é assim, um anarquista existencial. Para ele não importa se isso é certo ou errado, sempre afirma que a vida é dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o seu talento, Manel, é nosso, por direito, por fama e por difamação. Eu, que morro um pouco mais por dia de desilusão, senti novo ânimo em continuar convivendo com tanta alma sebosa que infesta esse velho Cariri. Mais do que nunca eu sei que devo continuar desconfiando das boas intenções do sistema, dos panos bem passadinhos, das maneiras meticulosamente ensaiadas, dos sorrisos de dentrifícios, dos diplomas conseguidos na calada da noite, e dos carrinhos mais polidos do que a autenticidade. Mas, mais do que nunca sei que a vida vai nos provê sempre uma nota bem dissonante, capaz de revelar a fraude do coro dos contentes. E você Manel, não é uma nota só dissonante, você é um acorde inteiro, ainda bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saúde, meu velho, e continue metendo a mão sem medo de errar. Deixe a consciência musical para quem precisa de bengalas. Nós precisamos é de caminhos, nem que sejam fora das margens. A intuição é fora das margens. É por isso, que se retirarem os trilhos o trem não chega a seu destino. E é por isso que a mediocridade é um trem ultra moderno. Precisamos é ir. Mas ir rindo dos ridentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-6283591884763843838?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/6283591884763843838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=6283591884763843838' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6283591884763843838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6283591884763843838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/09/manel-de-jardim-na-rea-foi-ontem-num.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-262970473254781027</id><published>2008-08-25T07:54:00.000-07:00</published><updated>2008-08-25T07:58:52.152-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLLIa8MhoiI/AAAAAAAAAcc/IZrCfw1oFiQ/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238469681746125346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLLIa8MhoiI/AAAAAAAAAcc/IZrCfw1oFiQ/s400/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As baladas atormentadas&lt;br /&gt;De Nick Cave&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nick Cave é cavernoso no próprio nome artístico. Mas a procedência cavernosa de Nick Cave não é pose. É existencialismo destilado em cinismo, em sátira, em carnavalização religiosa e questionamentos sociais e metafísicos. A mente humana para Cave é uma partitura, que ele mergulha com seu piano alado, muitas vezes muito próximo do piano que Murilo Mendes faz a sua mãe tocar em pleno caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Murder Ballads” foi lançado em 1996 e traz em sua estética refinada, dez baladas sobre assassinos e assassinatos. É uma mistura de músicas do cancioneiro tradicional, composições suas e um cover irônico de Bob Dylan. Esse não é um disco comum e de forma nenhuma é destinado ao escutador medíocre. “Murder Ballads” tem um tom inquietante de esquina suburbana numa madrugada qualquer, enquanto a cidade espera baixar a fuligem do asfalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na voz de Nick Cave as atormentações humanas dão um salto para além do cadafalso. O tema por si só já proporciona desdobramentos inusitados. A maneira como Cave aborda o tema acaba multiplicando essas possibilidades ao impossível. São detalhes sonoros, são entonações, são timbres arranjados exatamente para evocarem sensações das mais diversas, são ruídos perturbadores, são baladas que não são baladas, são universos paralelos dentro de uma regência mágica, que só Nick Cave poderia ter concebido. “Murder Ballads” é uma aula histórica de tensão artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A epifania e a catarse estão presentes em cada história contada. Remexer o lado obscuro da mente humana através da música requer requinte sentimental. E isso Nick Cave tem de sobra. O seu som é inebriante, o seu carisma vai desde um porra louca desses perdido numa multidão de concreto até à placidez intocável das paisagens bucólicas do imaginário coletivo. Esse é um disco que vai além da audição e atinge os aparatos ritualísticos da pós-modernidade, com todos os seus viadutos e imagens de alta-definição, bem como muquifos e becos existenciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Song of joy” abre essa viagem soturna em tom profético, com uma carga dramática digna da apologia musical de Nick Cave and The Bad Seeds. Essa é uma das maiores obras-primas da música pop. Ela conta a história de um homem que tem sua mulher e suas três filhas assassinadas por um maníaco que escreve versos de Milton com o sangue das vítimas. É impressionante a textura criada pela banda. O guitarrista Blixa Bargeld consegue ilustrar o sofrimento daquele homem através de ganidos e espasmos de seu instrumento. A poesia dessa faixa é genial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLLH8mP89sI/AAAAAAAAAcU/OrKBsKKoxcI/s1600-h/200px-Murderballads.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238469160458843842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLLH8mP89sI/AAAAAAAAAcU/OrKBsKKoxcI/s400/200px-Murderballads.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Stagerr Lee” é uma música do cancioneiro tradicional, que aqui recebe um arranjo matador, sem trocadilhos. Existe um encantamento extremamente cínico nessa música. Sensações arrebatadoras podem ser notadas saindo dos auto-falantes como balas avermelhadas indo em direção à decadência do ser humano. Essa música narra um crime passional do cafajeste “Stagerr Lee”, com Blixa Bargeld extrapolando em sua estética minimalista de extrair sons esquisitos de sua guitarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco tem participações mais do que especiais, além da própria imanência da banda The Bad Seeds, na sua mais alta perfomance. P.J. Harvey faz dueto com Nick Cave em algumas faixas, com destaque para a belíssima Hanry Lee. A cantora australiana Kylie Minogue faz dueto com Cave na faixa “Where the wild roses grow”, responsável pelo sucesso de público e crítica desse cd. Essa é outra obra-prima do pop universal. Imperdível. Poesia em seu mais alto grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tantas idas e vindas sobre os rastros da alma humana, “Murder Ballads” encerra essa experiência transcendental com um cover de Bob Dylan, “Death is not the and”. Essa, que é uma das pérolas do repertório de um dos maiores poetas do mundo, recebe o tratamento ambíguo que seus versos exibem. É uma mistura de sátira e aconselhamento, alertando cinicamente que a morte não é o fim, nem como aniquilamento e nem como propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você não conhece ainda esse disco, não perca a sua vida com futilidades, escute, compre e guarde e tenha as letras devidamente traduzidas. Insubstituível. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-262970473254781027?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/262970473254781027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=262970473254781027' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/262970473254781027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/262970473254781027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/08/as-baladas-atormentadas-de-nick-cave.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLLIa8MhoiI/AAAAAAAAAcc/IZrCfw1oFiQ/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-6252018443571951533</id><published>2008-08-24T09:21:00.001-07:00</published><updated>2008-08-24T09:25:57.921-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLGLFEN7QdI/AAAAAAAAAbk/Vzr8I4Tqu0A/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238120760756355538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLGLFEN7QdI/AAAAAAAAAbk/Vzr8I4Tqu0A/s400/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A rua misteriosa dos Stones&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Exile on main St.” é o típico album de rock cheio de mistérios. A própria banda foi envolvida ao longo da história por uma áurea de esquisitices e lances obscuros. E esse é justamente um dos encantamentos dessa banda, que é considerada por muitos como a maior banda de rock de todos os tempos. Há controvérsias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Exile on main St.” foi concebido como um disco duplo, com 18 músicas divididas em quatro lados. O clima difuso do lp começa pela capa, cheia de pequenas fotos aleatórias, cheias de bizarrices. Tal qual foi a gravação desse disco, que é uma mistura de sobras de estúdio, gravações guardadas entre 1968 e 1972 e material novo, composto para o lançamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As gravações foram iniciadas em um antigo banker da gestapo durante a Segunda Guerra Mundial, alugado por Keith Richards. Nellcôte, um antigo palacete localizado no interior da França, próximo à Nice, foi o palco de muitas histórias malucas. A piração tomava de conta do guitarrista, mergulhado em milhares de dólares investidos em heroína e todo tipo de droga existente. Lá eles receberam inúmeras visitas mais malucas ainda, como a de Burroughs, poeta beat; do novelista Terry Southern, também beat; e do compositor de country-rock Graham Parsons, falecido pouco tempo depois, vitimado por overdose.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238120998078607554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLGLS4T9cMI/AAAAAAAAAbs/sYisI_HmwtU/s400/r1.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Bill Wymam e Charlie Watts estavam em abstinência. Mick Jagger esteve ausente quase que o tempo inteiro, recém casado e com filho recém nascido. Keith Richards estava solto e comandou praticamente tudo. A zoeira foi tamanha que a polícia teve que exigir a expulsão das visitas intoxicadas. Logo depois de encerrada a temporada na França, o material foi levado por Mick Jagger para Nova York, onde inúmeras overdubs foram feitas por diversos músicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado disso tudo é uma massa sonora tipicamente stoneana. Rock, soul, blues, booggie, shuffle, western e baladas formam o caldo desse disco de mixagem tosca e som cru, com a bateria de Charlie Watts como porto seguro. Esse é um disco para ser escutado no volume máximo, pois os instrumentos foram gravados praticamente na mesma altura dos vocais, causando um certo caos devido ao excesso de overdubs em muitas faixas. Tudo resolvido com alguns decibéis desaforados do seu som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mick Taylor salva inúmeras faixas com a sua pegada bluseira. Vários artistas tocaram contra-baixo, mas todos sem nenhum destaque. A guitarra de Keith Richards às vezes soa como seminal e às vezes soa completamente descartável. Mas o todo tem uma pegada incrível, inexplicavelmente genial. Esse álbum tinha tudo para ser péssimo, mas no entanto é uma verdadeira obra-prima, fruto dessa dialética de interesses e estéticas sonoras de seus músicos. Mick Jagger nunca foi um grande cantor, mas ele encanta e aqui a sua magia aparece de forma suprema.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238121174165642834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLGLdISYXlI/AAAAAAAAAb0/8T9oHAp4f4M/s400/StonesStudio1.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;“Rock Off”; “Rip this Joint”; “Tumbling Dice”; “Happy”; “Sweet Virginia” e “All Down the Line” são verdadeiros mísseis atômicos. Com certeza essa não será uma audiência normal, pois você sentirá um ambiente sonoro narcotizado o tempo inteiro, além do detalhe de você não entender praticamente quase nada do que Mick Jagger berra. Com o tempo você percebe que existem arranjos fenomenais de rock’n’roll por trás de tudo isso. A coesão da banda está exatamente nesse clima enfumaçado, difuso e tosco de se fazer música para ser ouvida em todo volume. Definitivamente esse não é um disco para conservadores ou puristas. Esse é o puro rock, igualado ao mesmo som alcançado por bandas como Faces, James Gang, Hot Tuna, ZZ Top, Neil Young e Crazy Horse, The Band e Rod Stewart em seus primórdios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Exile on main St.” é imperdível por diversos motivos: é um disco que exala mistérios; é um disco que fornece segredos sonoros a cada audição; é uma massa sonora de tirar o fôlego quando escutada no talo; e acima de tudo, é rock’n’roll na veia, com todos os requintes que o gênero proporciona. Esse é o tipo de disco que se você escutar uma vez, você jamais se livra. É um verdadeiro vício. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-6252018443571951533?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/6252018443571951533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=6252018443571951533' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6252018443571951533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6252018443571951533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/08/rua-misteriosa-dos-stones-exile-on-main.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLGLFEN7QdI/AAAAAAAAAbk/Vzr8I4Tqu0A/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-413448122028417011</id><published>2008-08-24T09:14:00.000-07:00</published><updated>2008-08-24T09:15:27.554-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLGJFLJe0CI/AAAAAAAAAbU/MLMt1shLy5E/s1600-h/src.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238118563593506850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLGJFLJe0CI/AAAAAAAAAbU/MLMt1shLy5E/s400/src.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As visões de Veja&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A revista Veja publicou recentemente uma extensa matéria sobre o ensino brasileiro, fundamentada em uma pesquisa que ela encomendou ao CNT/Sensus. Nessa matéria de capa a revista endemoniza o sistema educacional brasileiro e aponta o fracasso do ensino a partir de uma colocação dos nossos melhores alunos em um “ranking” mundial de 57 países, com um posto abaixo da qüinquagésima posição. Como sempre, em todas as matérias espetaculosas da revista, existem mais conotações do que denotações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revista Veja tem se notabilizado pela linha editorial investigativa, o tanto quanto pela sua irresponsabilidade em apontar o seu dedo sujo para alvos diversos. Por diversas vezes a sua falácia já foi comprovada. Em muitas matérias que visam o estardalhaço, o discurso de veja não passa de uma flatulência sorrateira de uma quiromante absorta em embaralhar suas cartas. Realmente os sistemas educacionais brasileiro e mundial tendem ao fracasso, mas não pelas razões apontadas pejorativamente pela revista, que se auto-intitula como a pitonisa educacional, baseada em estatísticas bastardas e ilhadas constatações de campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conotação da matéria é que o fato de 90% de professores se acharem preparados para darem aula e 89% de pais com filhos em escolas particulares se darem por satisfeitos com o serviço prestado, constitui uma cegueira nacional, uma histeria abobalhada de despreparados, tanto professores como pais. Mas de parvo mesmo o que existe em demasia é a argumentação da revista, que atribui a culpa do fracasso dos alunos brasileiros em “competições” internacionais à doutrinação de esquerda a que eles estão submetidos feita por um batalhão de professores admiradores de Karl Marx. Mais hilariante do que isso é a própria “vidente profissional” achar que essa matéria irá suscitar uma lúcida e ampla discussão sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso mascarado da Veja, antes de tudo é mambembe, sem embasamento científico nenhum, muito menos coerente com o verdadeiro cerne da questão. Munidos de dados e jogadas ao acaso, os paladinos jornalistas autores da matéria, desfilam um batalhão de bizarrices fantasiosas, muito mais para o baile do vermelho e preto do Flamengo, com seus travestis tresloucados, do que para uma tentativa de texto jornalístico real. Verdadeiros disparates porcos foram jogados às pérolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revista reivindica o tempo e a urgência da tecnologia globalizada como fatores preponderantes para um ajuste radical no compêndio pedagógico brasileiro, e no entanto não toca no assunto da grade curricular; no modelo arcaico de universidade; na metodologia de ensino, que beira o Iluminismo; e nem na dicotomia secular entre profissionalização e formação acadêmica de pesquisa, duas vertentes paralelas do conhecimento no processo de formação do aluno. Em detrimento a tudo isso e mais uma outra gama de implicações associadas, a revista preferiu dar ênfase a um fenômeno transversal, que nem desvenda e nem cega o caminho da aprendizagem: “o perigo da doutrinação de esquerda dentro das salas de aula brasileiras”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Muitos professores e seus compêndios enxergam o mundo de hoje como ele era no tempo dos tílburis. Com a justificativa de ‘incentivar a cidadania’ incutem ideologias anacrônicase preconceitos esquerdistas nos alunos”, afirmam os autores da matéria, em tom panfletário, muito mais protéticos do que patéticos, conotando como solução para as cáries do ensino brasileiro, uma dentadura postiça produzida em série, esculpida com a velocidade da luz pelo mais científico de todos os lasers do american way of life.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que existe um anacronismo gritante na postura de esquerda de muitos educadores, que se valem de axiomas marxistas ultrapassados. No entanto, mais do que anacrônica é a postura macarthista utilizada pelos autores da matéria para deslegitimar uma doutrina e legitimar uma outra, embutida na ideologia capitalista de readaptação constante do indivíduo ao meio para não se tornar fraco, sem competitividade, que é a teoria da evolução das espécies, de Darwin. Vale salientar aqui que a campanha histérica empreendida pelo bufão senador Joseph MacCarthy, contra o pensamento de esquerda nos Estados Unidos, deu-se na década de 50, do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá para cá os Estados Unidos, educadamente munidos de alta tecnologia e armas, com seus alunos altamente preparados para o ingresso na economia de mercado, de monstruosa competitividade, construíram uma história alarmante de extermínio da natureza e de crimes hediondos em larga escala contra sociedades do mundo todo, em sua ensandecida cruzada política de “preservação” dos “princípios democráticos”. Nesse sentido a colocação de dados na matéria sobre citações de personalidades socialistas nas salas de aula, tais como “o guerrilheiro argentino Che Guevara, aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo”, é digna de um araponga da Agência Brasileira de Inteligência, infiltrado atrás das linhas “inimigas”, mas atrapalhado em seus conceitos na sua tentativa rabelaisiana de derrubar o “contra-sistema”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticamente todas as universidades européias estão impregnadas com o pensamento marxista, bem como uma parcela significativa de doutores e docentes livres que ministram aulas nas universidades americanas. Da mesma forma essas mesmas universidades estão impregnadas com o cartesianismo reducionista e todas as velharias teóricas ultrapassadas do conhecimento ocidental, que tanto têm servido à concepção desenvolvimentista do capitalismo. Não existe nada de novo no ensino mundial que seja capaz de projetar o aluno para um futuro promissor no convívio social. O modelo continua o mesmo, com o agravante da transformação das escolas em empresas, e por contigüidade, a adoção da produção em série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito que não se educa. Isso vem desde o modelo enciclopedista de Diderot e D’alambert e o cientificismo positivista, em que a independência crítica foi substituída pelo chamado “pensamento lógico”, reivindicado pela pastelança da matéria. Esse modelo adestra, desenvolve habilidades emparedadas pelo cânone acadêmico. Quanto mais o aluno avança nos estudos, mais ele se torna especialista em diluir o pensamento alheio em suas menores partes. Enquanto isso ele perde a visão do conhecimento como um todo, sem nem chegar a um senso crítico. O que nada mais é do que a reificação do individualismo e a legitimação da competitividade. Essa é a exigência da cultura de massas, de quem esses jornalistas são filhotes, devidamente raciados por alguma pós-graduação. A cultura de massas não acolhe divisores, mas sim reprodutores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, a dadivosa indignação dos autores da matéria sobre o ensino brasileiro é um embuste, não passa de uma cena de histerismo escatológico de uma prostituta traída por seu cafetão com uma prostituta bem mais velha. Os próprios jornalistas servem como exemplos do fracasso escolar e completa falta de perspectivas de solução. A Veja continua com seu encantamento de espia, mas só para broncos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-413448122028417011?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/413448122028417011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=413448122028417011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/413448122028417011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/413448122028417011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/08/as-vises-de-veja-revista-veja-publicou.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLGJFLJe0CI/AAAAAAAAAbU/MLMt1shLy5E/s72-c/src.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-3239766182363420444</id><published>2008-08-23T11:17:00.000-07:00</published><updated>2008-08-23T11:21:43.040-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLBUsRhOKaI/AAAAAAAAAaU/r-ANK_4DD48/s1600-h/ccr.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237779486225607074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLBUsRhOKaI/AAAAAAAAAaU/r-ANK_4DD48/s400/ccr.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A magia crua do&lt;br /&gt;Creedence Clearwater Revival&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O nascedouro da bicho-grilagem é a São Francisco maluca das décadas de 60 e 70. Músicos, escritores, poetas, pintores, e toda sorte de artista e vagabundo andavam por lá, atrás de uma penca de ácido pra ver vida mais colorida. Mas lá também é a fonte da magia musical do psicodelismo e dos seus desdobramentos. O som especial do Creedence vem de lá. Não é à toa que essa banda é seminal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1968 é lançado o primeiro disco do Creedence Clearwater Revival, tendo como título apenas o nome da banda, que foi retirado do nome próprio de um amigo de Tom Fogerty, Creedence Nubal, e de uma propaganda de cerveja: clearwater. O disco já trazia a pegada crua característica de algumas bandas do período. Além do som puro, valvulado, com amplificadores no talo, o Creedence tinha como amuleto o som rasgado da poderosa voz de John Fogerty, guitarrista solo, líder e compositor da banda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade o Creedence é o resultado final de outras formações anteriores envolvendo John Fogerty, Stu Cook, baixista e Doug Clifford, baterista. Eles já foram The Blue Velvets, e Tommy Fogerty &amp;amp; The Blue Velvets, em 1959, e The Golliwogs, em 1964. Quando o selo Fantasy resolveu dar uma chance a eles o guitarrista base Tom Fogerty, irmão de John, tornou-se apenas integrante do grupo, o nome foi definitivamente trocado. Tom Fogerty já tinha um certo nome nas redondezas de “Frisco”, mas o seu som era muito careta, nada parecido com o que se tornaria o Creedence.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237779618686399682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLBUz--VdMI/AAAAAAAAAac/JvFdP8rugA8/s400/creedence_clearwater_revival_11.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Guitarras Telecaster, Rickenbacker e Gretsch, davam uma tonalidade de swamp rock, uma espécie de folk song eletrificado com rock’n’roll. Mas o Creedence era bem mais do que isso, era uma mistura de blues, resquícios do psicodelismo, música de protesto, improvisos e soft country. John Fogerty segurava a onda na frente da banda com seus solos pentatônicos e bluseiros e um vocal marcante, verdadeiramente impagável, com interpretações emocionadas e lendárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro disco da banda é um dos maiores discos de todos os tempos de vida do rock’n’roll, prenunciando uma carreira de muitas vendagens, sucesso de crítica e de público. Breve, com apenas sete discos oficiais, mas intensa, cheia de verdadeiros ícones da música pop universal. Várias gerações foram embaladas ao som do Creedence, que sempre manteve a sua pegada visceral e suas abordagens sociais e sentimentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O choque de egos decretou o fim da banda logo na primeira metade dos anos 70. O irmão Tom não aceitava o brilho intenso do líder. Tom morreu de aids - adquirida em uma transfusão de sangue, na década de 80 - sem falar com o irmão mais novo. Ambos tiveram alguns discos lançados individualmente. Tom era mais comercial e romântico. John é mais contestador e muito mais criativo e original, pena ele ainda sofrer problemas contratuais que o impedem de uma carreira mais profícua.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237779828474711554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLBVAMfxDgI/AAAAAAAAAak/ExtMjj3pwm8/s400/creedence-clearwater-revival1.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;“I put a Speel on You” é uma balada estradeira fenomenal, arrasa quarteirões. Essa faixa é o cartão de visita de um dos maiores vocais do rock’n’roll. Coloque essa música no som do carro, em volume topado, pegue uma estrada reta, em cima da Chapada do Araripe, e encontre o nirvana, encontre o verdadeiro feitiço bradado a plenos pulmões por John. É sonzeira demais. Timbres limpos de guitarras, com leve trêmulo do ampli na guitarra de John e um vozeirão vindo do fundo da alma. Se você tá amando, cara, desesperadamente amando, redobre os seus sentimentos com esse mantra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Suzie Q” é um clássico, que na mão do Creedence ganhou vários minutos de improviso. John não é virtuoso, ele não frita o braço da guitarra feito rato de laboratório despombalizado. E é justamente por isso que ele é eficiente demais em seus solos sensitivos, embasados em puro sentimento musical. A banda faz a cama perfeita, com pegada na medida, nem peso demais e nem leveza demais. Imperdível. É pra balançar o cabeção o tempo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco fecha com “Walk on the Water”, uma composição dos irmãos. Essa faixa tem o sabor de São Francisco, com um toque todo especial de fitas com rotações invertidas, bem ao gosto psicodélico, com direito a longa improvisação da banda. Não vou falar muito nem dessa e nem das outras faixas, justamente para você redescobrir esse tesouro. Os bons ventos anunciam reedições da discografia da banda, com remasterizações, faixas bônus e fotos inéditas. Dizem que é para o final do ano. É esperar pra comprar. Enquanto isso, aumenta aí, cara. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-3239766182363420444?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/3239766182363420444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=3239766182363420444' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3239766182363420444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/3239766182363420444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/08/magia-crua-do-creedence-clearwater.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SLBUsRhOKaI/AAAAAAAAAaU/r-ANK_4DD48/s72-c/ccr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7826962900299814174</id><published>2008-08-17T08:12:00.001-07:00</published><updated>2008-08-17T08:14:07.730-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKhAABA_MBI/AAAAAAAAAaE/N6wZ43xzrxI/s1600-h/DI00910.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235504935834955794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKhAABA_MBI/AAAAAAAAAaE/N6wZ43xzrxI/s400/DI00910.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Corações Futuristas&lt;br /&gt;Egberto Gismonti Senhor do Tempo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em meados dos anos 70 e primeira metade dos anos 80 o mercado fonográfico foi surpreendido com a evolução de um segmento instrumental logo rotulado de jazz fusion. Eram as trilhas abertas por Miles Davis e seus seguidores. Muitos conseguiram respeito e vendagens significantes. Outros não passavam de armações descaradas rumo ao musak, a trilha ideal para esperas de telefones e elevadores. É durante esse período que Egberto Gismonti constrói a sua imensa reputação internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários músicos brasileiros estavam estabelecidos na gringolândia e participavam ativamente desse movimento, tais como Eumir Deodato, Raul de Sousa, Airto Moreira, Flora Purim e Sérgio Mendes, gravando com grandes nomes ou lançando seus próprios discos. Alguns moravam aqui, mas tinham contratos internacionais, tais como Hermeto Pascoal, Azymuth, João Donato, Baden Powell e Egberto Gismonti. A cena era propícia para fusões de todos os tipos: jazz, rock, samba, soul, funk, bossa, blues, tango, rumba etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A efervescência do mercado musical como um todo, proporcionou a sedimentação da globalização musical. Não eram apenas discos lançados internacionalmente, eram turnês mundiais, grandes festivais e fãs espalhados por todo mundo. Era a quebra das fronteiras, dos idiomas, das culturas, dos guetos musicais. Artistas do mundo todo comungavam o mesmo desejo de comunicação instrumental. Inúmeros discos descomunais foram lançados. Um deles é exatamente “Corações Futuristas”, de Egberto Gismonti, lançado em 1976, o nono em sua discografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse disco o multiinstrumentista brasileiro faz uma fusão de jazz, rock, progressivo, clássico e música brasileira de altíssimo nível. Sem dúvida nenhuma, junto ao álbum “Slaves Mass”, de Hermeto Pascoal, “Corações Futuristas” é o lançamento mais emblemático do período. Com uma sonoridade acústico-eletrônica e uma orquestração fenomenais, o bolachão projeta Egberto Gismonti para a eternidade e o estrelato universal. Egberto é virtuoso sem ser cansativo e sem ofuscar os arranjos e a banda.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235505038393535138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKhAF_E26qI/AAAAAAAAAaM/Gxvw2uTqMEc/s400/egberto-gismonti-10.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Dança das Cabeças, a primeira faixa, traz Egberto usando e abusando dos sintetizadores arp odissey II, obehaim, moogs e derivados, explorando timbres e extensões interplanetárias. Além dos teclados ele utiliza um phase em seu violão de oito cordas, criando ambiências estratosféricas. As músicas seguintes: “Café”, “Carmo”, e “Conforme a Altura do Sol” formam uma espécie de suíte de cerca de vinte minutos de pura viagem astral, com harmonias intercaladas e passagens climáticas seminais, verdadeiramente progressivas. Um marco. A experiência auditiva dessas músicas é sem explicação. É extasiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contraste com a parafernália eletrônica fica por conta da cozinha, completamente acústica, com a fábrica de ritmos de Roberto Silva, um dos maiores bateristas do mundo, e o baixo acústico de Luís Alves,que vai além da metafísica. Para completar essa usina sonora o sax soprano de Nivaldo Ornellas, com seus timbres experimentais, transfere tudo para a música de vanguarda. Mauro Senise e Danilo Caymmi tocam flautas, complementando essa aula de música. Em algumas passagens Egberto faz um arranjo para as vocalizações de Dulce Nunes, na música “Carmo” e Dulce Nunes e Joyce em “Baião do Acordar”, transformando tudo em magia, em encantamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de misturar jazz, progressivo, baião, bossa e mpb, o disco mergulha nas águas misteriosas das cordas, especialmente em “Polichinelo” e “Baião do Acordar”, com Egberto Gismonti revelando todo o seu lado erudito, sem pedantismo. São texturas delicadas, com cores nítidas de Villa-Lobos e impressionismo etéreo. As orquestrações arranjadas por Gismonti são refinadas e traduzem a contemporaneidade de um músico e compositor em estado de graça, muito bem definida pelo título do disco. “Corações Futuristas” é um disco obrigatório. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7826962900299814174?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7826962900299814174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7826962900299814174' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7826962900299814174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7826962900299814174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/08/coraes-futuristas-egberto-gismonti.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKhAABA_MBI/AAAAAAAAAaE/N6wZ43xzrxI/s72-c/DI00910.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-2156802769435790680</id><published>2008-08-15T15:42:00.001-07:00</published><updated>2008-08-15T15:43:29.587-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKYGfLFXjdI/AAAAAAAAAZk/r-OYel9yuK4/s1600-h/1457.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234878749485796818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKYGfLFXjdI/AAAAAAAAAZk/r-OYel9yuK4/s400/1457.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os Cabinha&lt;br /&gt;Uma banda inteira&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Qualquer tese de mestrado ou qualquer digressão doutorável se perde diante da grandeza cultural que é essa pequena banda de lata formada por meninos da Fundação Casa Grande, organização não governamental de gestão cultural de Nova Olinda. Os Cabinha é irreverência pura. É o princípio desorganizador da compartimentação cultural. É a sopa dividida ao meio pela mosca matuta, conduzindo o povo criativo em um êxodo de fuga da seca musical que se abate por essas plagas seminais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Alves, Renê Nascimento, José Wilson, Arthur Diniz e Iêdo Lopes têm entre 9 e 11 anos e 330 mil anos à frente de muita porcaria circundante, oficializada pelo cânone das emissoras-pinico caririenses. Eles não tocam nenhum instrumento de verdade, são todos instrumentos de lata e papelão. Eles não têm afetação nenhuma de grandes estrelas, mas tornaram-se a grande sensação musical do momento, apresentando o delicioso show “Música in banda de lata”, título tão criativo quanto o repertório de músicas próprias, apresentado em 45 minutos de pura diversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa meninada esperta dá suporte tecnológico para todas as etapas de suas produções musicais. Eles construíram seus próprios instrumentos, gravaram suas próprias músicas, pilotaram todos os equipamentos digitais e fizeram, eles mesmos, a mixagem do primeiro cd da banda. O show deles é mais do que mimésis. Eles podem fingir que estão tocando, mas nenhum público que os assista pode fingir que isso é cultura. Esse é o purgante que a arte contabilizada precisa para pensar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles foram mais longe ainda não só em palcos distantes, se apresentando em várias capitais e gravando com gente importante, como o novo cd que marca a volta do Aquarela Carioca, mas também na maneira de veicularem a sua arte. É possível baixar músicas deles no overmundo, no trama e no myspace. Além disso o cd da banda será vendido, com tecnologia SMD, a R$ 5 reais em máquinas da ONG Eletrocooperativa, instaladas em pontos estratégicos do país, dentro do projeto “Música livre e comércio justo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é definitivamente mandar as lombrigas setoriais que invadem as instituições culturais pra casa do cassete. Isso é cultura viva, desempalhada, desprotocolada, desarquivada, desproporcionada, desempossada, destituída da imortalidade infértil dos vampiros culturais. Os hematomas criados nas partes periféricas e íntimas e escusas do corpo cultural caririense podem ser curados pelo despudoramento de ser autêntico desses garotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ludismo de todo esse processo de assimilação cultural desses cabinha é vermelho, da cor do sangue da educação via cultura. Esse é o encantamento tão decantado pelo filósofo alemão Walter Benjamim, provando que não é preciso ser desprovido de intelectualidade para ser artista popular. Essa é a verdadeira reificação de que artista da terra é minhoca. Para os broncos restam os enlatados, os frios e os congelados, dispostos organizadamente em presépios, sem blasfêmias, dentro da data prevista de consumo pelo fabricante, em desfile solene na esteira fria dos caixas de supermercados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Cabinha é riso puro, desdentado ou com dentes entramelados. Mas é boca aberta, com fome de saber. Não existe visão mais libertária do que ver a baba escorrendo dos lados dessa bocarra cultural. Serve para mim, serve para você e para aquele outro ali, com firma reconhecida e cadastro desempedido, serve para todos nós sabermos que arte não é questão de posse, é questão de vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Cabinha on line: &lt;a href="http://www.myspace.com/oscabinha"&gt;www.myspace.com/oscabinha&lt;/a&gt; - www.tramavirtual.com &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-2156802769435790680?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/2156802769435790680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=2156802769435790680' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2156802769435790680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2156802769435790680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/08/os-cabinha-uma-banda-inteira-qualquer.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKYGfLFXjdI/AAAAAAAAAZk/r-OYel9yuK4/s72-c/1457.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-5716281649430326596</id><published>2008-08-11T09:00:00.000-07:00</published><updated>2008-08-11T09:04:07.969-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKBidf5vmZI/AAAAAAAAAYM/0lcer_4KB44/s1600-h/9025219.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233291025923938706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKBidf5vmZI/AAAAAAAAAYM/0lcer_4KB44/s400/9025219.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eraserhead, o bizarro&lt;br /&gt;Que não se consegue apagar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A recente edição em dvd do primeiro longa-metragem de David Lynch, “Eraserhead” é muito mais que oportuna, enquanto peça fundamental para o entendimento daquilo que parece incompreensível a uma primeira leitura: o universo bizarro de David Lynch, em película e fora dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse filme tem várias vertentes fundantes. Cheio de traços pessoais, um período cheio de turbulências, um mestre em sua luta contra as teses canônicas, e uma busca por uma estética imantada, que só precisava de práxis, servem para dar ao espectador, elementos que ele possa reconstruir aquilo que o autor tenta desconstruir ao longo de sua carreira cinematográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa edição trás um David Lynch consagrado, revelando e velando facetas em um significativo comentário-depoimento sobre o seu primeiro longa, alocado como extra. Tão importante, para os alucinados por ele, quanto o próprio filme. Essa é uma outra peça de arte. Duas em uma embalagem só. Nesse depoimento o autor não faz referência nenhuma à sua experiência &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKBijZ6XZOI/AAAAAAAAAYU/A1aX-s-LHAY/s1600-h/19de4407cd8ceef40b83a0e816a901c3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233291127395149026" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKBijZ6XZOI/AAAAAAAAAYU/A1aX-s-LHAY/s400/19de4407cd8ceef40b83a0e816a901c3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;particular de ter sido pai precocemente, e que o filho nascera com deformação nos pés. O casal de “Eraserhead” também tem um filho inesperado, um ser mutante. Mas aí são outros quinhentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É gratificante ver o tratamento dado pelo autor a esse anexo. Quando David Lynch encerra o depoimento afirmando que nenhum crítico ou qualquer outra pessoa do seu conhecimento fez uma interpretação do filme parecida com o que ele acha, sem revelar o que acha sobre o próprio filme, ali nós temos a reificação do universo cinematográfico desse mestre da escatologia humana. Nada se resolve, apenas o espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Lynch trabalha com o estranhamento, técnica de composição textual que ele transporta semioticamente para as montagens dos seus enredos. Em seu livro “Olhos de Madeira”, mais precisamente no artigo “Estranhamento, pré-história de um procedimento literário”, o filósofo italiano Carlo Ginzburg, entre outras teses sobre esse recurso, cita o escritor russo Chklovski, que justifica a quebra da linearidade discursiva como uma forma de se aprofundar na realidade, devido ao peso dos hábitos inconscientes, que automatizam tudo, o que é real e o que é irreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso que David Lynch faz. Quebra o discurso através do estranhamento, das alegorias, da descontinuidade, da fragmentação e da circularidade, para que o espectador seja jogado em uma urgência de compreensão. Assim ele vai desfilando os seus ícones e símbolos de uma decadência contemporânea, dentro e fora do ser, sem respeitar necessariamente as concepções de possível e impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eraserhead” é a história fragmentada de Henry, que tem a notícia de que é pai precocemente e que seu filho é um mutante. Logo Henry é rejeitado pela própria namorada e passa a conviver brevemente com os seus infortúnios, dividindo o seu apertado apartamento com alucinações, entidades espirituais e um cotidiano povoado de máquinas e objetos, completamente despovoado de humanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se afirmar que “Eraserhead”, a partir do título, é a saga do não ser. O cenário é árido, industrial, com traços de urbanidade e uma vaga noção de família, que não consegue coagular o &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKBi1-DXv_I/AAAAAAAAAYc/u7xEc__RORI/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233291446334242802" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKBi1-DXv_I/AAAAAAAAAYc/u7xEc__RORI/s400/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;seu intenso desequilíbrio mental, espiritual e existencial. A cena do jantar em que Henry visita a família da namorada é uma verdadeira peça suprema da escatologia humana, da loucura, da ignorância espiritual e da fragmentação da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Lynch é um fabricante de universos particulares. Às vezes claustrofóbico, às vezes em pleno devaneio libertino. Mas sobretudo, David Lynch é o poeta da alma humana, em toda a sua pungência de abismos. Todos os elementos metafísicos e metalingüísticos de David Lynch estão lá, em “Eraserhead”: os espelhos; a vacuidade; as entidades espirituais; o palco; a prostituição existencial; a busca pelo amor; o desperdício da vontade; a trilha sonora concreta e experimental; o devaneio; o pesadelo; a solidão humana e a condição inconteste do indivíduo não ter controle algum sobre a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assista e tenha um excelente espanto. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-5716281649430326596?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/5716281649430326596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=5716281649430326596' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5716281649430326596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/5716281649430326596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/08/eraserhead-o-bizarro-que-no-se-consegue.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SKBidf5vmZI/AAAAAAAAAYM/0lcer_4KB44/s72-c/9025219.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-4549935264808515552</id><published>2008-07-30T07:51:00.001-07:00</published><updated>2008-07-30T07:52:11.076-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SJCAE0QKvDI/AAAAAAAAAXE/xkIazMqwPds/s1600-h/livros-1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228819987611434034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SJCAE0QKvDI/AAAAAAAAAXE/xkIazMqwPds/s400/livros-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A vida como ela é&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Iracema dos lábios de réu&lt;br /&gt;Mora debaixo de um luxuoso viaduto&lt;br /&gt;Com vista para o mar&lt;br /&gt;Exibe com orgulho o seu diploma&lt;br /&gt;De primeira miss Ceará&lt;br /&gt;Peri é líder comunitário na Rocinha&lt;br /&gt;Tem uma ong de fachada social&lt;br /&gt;Que atende aos órfãos do narcotráfico&lt;br /&gt;Mas por trás do cenário ele&lt;br /&gt;Alicia menores virgens para o&lt;br /&gt;Consumo do Congresso Nacional&lt;br /&gt;Ceci é sacoleira em tempo integral&lt;br /&gt;Vende mercadoria do paraguai&lt;br /&gt;Sem pagar imposto ou direito autoral&lt;br /&gt;Espera a morosidade da justiça&lt;br /&gt;Pra resolver o valor da pensão&lt;br /&gt;Do ex-maridão que virou marginal&lt;br /&gt;Fabiano levou um tiro&lt;br /&gt;Numa invasão tumultuada do MST&lt;br /&gt;Agora exibe o ferimento horrível&lt;br /&gt;Nos coletivos interestaduais&lt;br /&gt;Em troca de trocados emocionais&lt;br /&gt;Chico Bento virou cantor de&lt;br /&gt;Uma banda de forró eletrônico&lt;br /&gt;Dizem que fez um pacto com o diabo&lt;br /&gt;Pra sustentar a família fora&lt;br /&gt;Das dependências do curral eleitoral&lt;br /&gt;Dizem que por trás da pornografia&lt;br /&gt;Existe um cara que é temente&lt;br /&gt;De todos esses entre tantos&lt;br /&gt;Só Bruna Sufistinha sabe ser&lt;br /&gt;A vida como ela é: escreveu não&lt;br /&gt;Leu o pau comeu&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-4549935264808515552?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/4549935264808515552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=4549935264808515552' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4549935264808515552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/4549935264808515552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/07/vida-como-ela-iracema-dos-lbios-de-ru.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SJCAE0QKvDI/AAAAAAAAAXE/xkIazMqwPds/s72-c/livros-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-6672347342813653003</id><published>2008-07-24T14:31:00.001-07:00</published><updated>2008-07-24T14:31:56.066-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SIj0wwz7UeI/AAAAAAAAAW0/HN8UadsmCaA/s1600-h/IMG_4311.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226696486137057762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SIj0wwz7UeI/AAAAAAAAAW0/HN8UadsmCaA/s400/IMG_4311.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O dono do palco&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um amigo e companheiro de inúmeras trilhas musicais, Aquiles, divide comigo uma mesma opinião: em se tratando de show, o artista tem que ser dono do palco, não pode pedir emprestado a quem quer que seja. Tem que mostrar a certidão de propriedade. Assim foi Cleivan Paiva no show de abertura do III Festival de Música Instrumental do Cariri, promovido pelo essencial, digo essencial, Centro Cultural do BNB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não decorei nenhum nome de nenhuma música. Também pouco importa, uma vez que elas são por si inesquecíveis enquanto composição. Fazia tempo que eu não testemunhava esse mago da guitarra em ação. Que força de improviso, em cima de harmonias complexas e andamentos sobrenaturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trio, formado por Cleivan, João Neto e Demontier Delamoni, respectivamente guitarra, baixo e bateria, exibiram técnica e talento. João Neto em noite especialmente inspirada, com trezentas mãos e uma consciência maior do que a Chapada do Araripe, deu um calor a mais. Convenções, harmonias penduradas, improvisos geniais e climas de pura dinâmica fizeram valer a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som não estava dos melhores, a guitarra muito baixa, inclusive sendo encoberta pela bateria em alguns momentos mais pirados de Delamoni. Agora baixo e bateria estavam bem mixados, sem brechas de timbres. A guitarra de Cleivan, na primeira música, estava muito abafada pelo excesso de grave, logo corrigida, mas permanecendo um pouco abaixo dos outros instrumentos, o que jamais pode acontecer, se o show é exatamente do guitarrista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cleivan é um artista único no cenário musical caririense, rápido, criativo, o riginal e preciso, sem deixar notas espalhadas no chão e sem enganações, sem aqueles clichês ridículos de jazz ou da chamada pegada brazuca, meio samba meio bossa, que tanto enche o saco. Só mesmo o solfejo de voz em cima de algumas melodias, que é completamente redundante e perfeitamente dispensável. Cleivan, esqueça o microfone meu velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guitarra limpa, com o som educado do captador do braço engordado pelos registros graves, parece ser a tônica de mil entre novecentos guitarristas de jazz. Da mesma forma que o fraseado rápido e sem bands ou qualquer outro recurso mais sujo. Cleivan apresenta essas características em seu timbre e em seu fraseado, o que eu particularmente acho um verdadeiro desperdício. Nesse ponto eu sinto saudades do som mais agressivo e mais elétrico dos tempos do Ases do Ritmo. Mas nada que possa arranhar o quadro geral, são apenas preferências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cleivan abriu com classe e estilo o III Festival de Música Instrumental do Cariri, comprovando o seu grande momento como instrumentista e compositor. A programação promete grandes apresentações, mas com certeza, a de Cleivan será uma das principais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-6672347342813653003?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/6672347342813653003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=6672347342813653003' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6672347342813653003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/6672347342813653003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/07/o-dono-do-palco-um-amigo-e-companheiro.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SIj0wwz7UeI/AAAAAAAAAW0/HN8UadsmCaA/s72-c/IMG_4311.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1807943699299892059</id><published>2008-07-23T14:55:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T14:56:26.872-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A proteção&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os leprosos estão fora da cidade.&lt;br /&gt;Agora os risos são arreganhados dos lados.&lt;br /&gt;Parede e meia separam os resolutos.&lt;br /&gt;As amantes já não podem provar nada,&lt;br /&gt;Mas no fundo elas gostam desse&lt;br /&gt;Arrepio brusco de chuva nas vulvas,&lt;br /&gt;Podem ser entendidos como lamentos&lt;br /&gt;Indo lentos pelo corredor adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As moedas resguardam o grude.&lt;br /&gt;Elas cultivam os solavancos e histéricas&lt;br /&gt;Copulam metálicas nos bolsos curvos.&lt;br /&gt;Uma mancha se forma bem ao lado&lt;br /&gt;Do papel amarelado em silêncio,&lt;br /&gt;A oração pra sumir diante do inimigo&lt;br /&gt;Foi escrita em tremido e parda.&lt;br /&gt;Agora coleciona mais um obscuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma conferência de pulgas&lt;br /&gt;Sobre a qualidade do sangue em serviço.&lt;br /&gt;As regras são cretinas em suas réguas,&lt;br /&gt;Medem o escondido sem o nulo.&lt;br /&gt;Uma a uma as reticências são sós,&lt;br /&gt;Enfileiradas rumo ao grande futuro.&lt;br /&gt;Mas, por Deus, está tudo bem,&lt;br /&gt;Os leprosos estão fora da cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1807943699299892059?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1807943699299892059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1807943699299892059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1807943699299892059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1807943699299892059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/07/proteo-os-leprosos-esto-fora-da-cidade.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-2352906198501334243</id><published>2008-07-21T08:29:00.000-07:00</published><updated>2008-07-21T08:31:05.663-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SISrjl8M1JI/AAAAAAAAAWE/HzTgZ3pjZNo/s1600-h/viva-la-vida-capa-228.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225490095625000082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SISrjl8M1JI/AAAAAAAAAWE/HzTgZ3pjZNo/s400/viva-la-vida-capa-228.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;VIVA LA VIDA EM TOM PASTEL&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Depois de percorrerem o mundo, lotarem estádios e embolsarem muito dinheiro, eles se reclusaram, compuseram novo material e lançaram a maior bomba de 2008. Definitivamente a banda Coldplay está configurada como uma banda de um disco só, o primeiro, e algumas faixas esporádicas. “Viva La Vida Or Death and All His Friends ”, segundo o vocalista Chris Martim, faz referência a uma frase de Frida Khalo, que ele achou o “máximo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esse novo cd, que já vendeu mais de um milhão de cópias, eles convocaram um dos maiores magos da produção do universo pop, Brian Eno, que começou a construir a sua reputação quando ainda era integrante da lendária banda Roxy Music, na década de 70. De lá para cá, Eno tem assinado a sua grife de produção, com o respaldo de parcerias de peso, como Robert Fripp, David Bowie, Carla Blay, John Zorn, entre inúmeros outros, inclusive U2, a matriz sonora do Coldplay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eno domina velhas e novas tecnologias, é músico, compositor e arranjador. Mas nada disso adiantou, a estética sonora é a mesma dos tempos de Ken Nelson, em A Rush of Blood to The Head, e em “X&amp;amp;Y”, que é produzido em sua maioria por Danton Supple e algumas faixas por Ken Nelson. Até parece que Eno compareceu apenas com o nome e deixou a sua reputação no hall de entrada do estúdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Viva La Vida” o Coldplay não tenta se livrar de forma nenhuma da sombra sonora do U2. Muito pelo contrário, faz questão mesmo de imitar, tal qual uma banda cover. Ao longo de um interminável repertório, a banda desfila o que parece ser uma única composição, com uma mesma melodia e com os mesmos truques vocais. São faixas que não conseguem ser tristes e nem melancólicas, apenas letárgicas. É comum você encontrar nos encartes dos discos da banda, agradecimentos pela compra, pela audição e pela paciência. Nesse deveria vir um pedido formal de desculpas pela completa falta de criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som de “Viva La Vida” parece ter vindo diretamente da merdologia dos anos 80, a pior década da produção pop, em que poucas coisas se salvam. “Viva La Vida” é um meio termo entre o pior do Marillion, se é que existe algo bom deles, e uma mistureba de Simple Minds e U2. Acho que Eno chegou antes do que qualquer um dos membros da banda, e gravou uma cama sonora cheia de delays e reverbs digitais, aprontou toda a sua parafernália de processamento digital e esperou a banda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até palma tem delay e reverb nesse disco. Existe um exagero de ambiências inexplicável. A bateria foi plastificada em processamentos digitais, aliás, captar baterias nunca foi o forte de Eno. A guitarra é uma chatice pobre de delays, a milhões de distância do leque de timbres de um Jack White, por exemplo. Os teclados eu vou resumir em uma única palavra: merda. Os vocais foram gravados em destaque, anunciando aí uma breve separação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém precisa dizer para o Coldplay que clima musical não é uma questão de efeitos como &lt;a href="http://bp2.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SISroR4XS7I/AAAAAAAAAWM/vFI08YGB6L0/s1600-h/0,,14137512,00.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225490176139545522" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SISroR4XS7I/AAAAAAAAAWM/vFI08YGB6L0/s400/0,,14137512,00.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;chorus, flange, delay, phase e reverb, muitos menos compressores e seqüenciadores; é uma questão de dinâmica, domínio dos tempos musicais, dos andamentos e a da instrumentação. É só pegar qualquer disco de Nick Cave, Tom Waits, Joni Mitchel, Van der Graff ou King Crimson e aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os fãs, nada do que foi dito aqui faz diferença. Também não importa. Para quem está de fora, no entanto, esse é um disco completamente descartável. Não existe destaque nenhum nesse disco. Quem conseguir ouvir esse disco de uma sentada só pode ser considerado um ex-combatente do golfo pérsico, cheio de seqüelas auditivas e mentais. Essa é uma bomba com mecanismos sofisticados. Para completar a banda Creaky Boards acusa Chris Martin de ter usado a música “The Songs I Didn’t Write” para fazer a faixa “Viva La Vida”. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-2352906198501334243?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/2352906198501334243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=2352906198501334243' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2352906198501334243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/2352906198501334243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/07/viva-la-vida-em-tom-pastel-depois-de.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ozw_AzUekFk/SISrjl8M1JI/AAAAAAAAAWE/HzTgZ3pjZNo/s72-c/viva-la-vida-capa-228.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-1813874075962634189</id><published>2008-07-18T12:29:00.000-07:00</published><updated>2008-07-18T12:30:57.752-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Dos opostos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;             &lt;em&gt;Fragmento encontrado entre os pertences&lt;br /&gt;               De um beduíno conservado em êxtase até hoje,&lt;br /&gt;               Enquanto aparelhos vasculham o espaço&lt;br /&gt;               Em busca de vida inteligente&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caçadores de palavras,&lt;br /&gt;Amparados por seus aparatos,&lt;br /&gt;Entraram em rota de colisão&lt;br /&gt;Com a essência dos Essênios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dissecaram signos e&lt;br /&gt;Neutralizaram o ar dos beócios&lt;br /&gt;Com a minúcia do escafandro,&lt;br /&gt;Anunciando a nova convenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as suas botas atingiram&lt;br /&gt;A nebulosa de Magellan,&lt;br /&gt;Lá as provas evaporaram,&lt;br /&gt;O intelecto tornou-se deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, eles encontraram&lt;br /&gt;Uma chuva de almas sutis&lt;br /&gt;Que invadiram os seus corações&lt;br /&gt;Com o silêncio absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poemas em seqüência pertencem ao livro &lt;em&gt;Manual de Sobrevivência Para Astronautas,&lt;/em&gt; ainda inédito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-1813874075962634189?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/1813874075962634189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=1813874075962634189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1813874075962634189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/1813874075962634189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/07/dos-opostos-fragmento-encontrado-entre.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-7495590914793261798</id><published>2008-07-18T12:28:00.002-07:00</published><updated>2008-07-18T12:29:36.380-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Das ruas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;            &lt;em&gt; Lido em uma lápide de um&lt;br /&gt;               Cemitério clandestino descoberto&lt;br /&gt;               Em fortuitas escavações&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na violência da cidade veloz&lt;br /&gt;Um carro bateu em outro carro,&lt;br /&gt;Deu-se um escarro,&lt;br /&gt;Diferente do escargô,&lt;br /&gt;Que carrega o seu fardo lentamente.&lt;br /&gt;Diferente do que Deus&lt;br /&gt;Fez carcomer e expelir&lt;br /&gt;O pulmão de Cruz e Sousa.&lt;br /&gt;Simplesmente ex-carros,&lt;br /&gt;Símbolos da mesa posta,&lt;br /&gt;Postais da voraz cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-7495590914793261798?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/7495590914793261798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=7495590914793261798' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7495590914793261798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/7495590914793261798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/07/das-ruas-lido-em-uma-lpide-de-um.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5383656226892421127.post-12173176987747115</id><published>2008-07-18T12:28:00.001-07:00</published><updated>2008-07-18T12:28:45.980-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Das correspondências&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;            &lt;em&gt;Alguns teorizam que o fragmento&lt;br /&gt;             Foi extraído diretamente do diário&lt;br /&gt;             Secreto da beata Maria de Araújo,&lt;br /&gt;             Mas nada foi comprovado ainda&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os catadores de papelão&lt;br /&gt;Estão bem próximos do chão.&lt;br /&gt;Proclo e Plutarco estão&lt;br /&gt;Bem próximos das cortinas&lt;br /&gt;Das linhas versículas.&lt;br /&gt;Os ciclos dos reciclados&lt;br /&gt;Estão bem próximos&lt;br /&gt;Dos catadores de papelão,&lt;br /&gt;Que buscam um lugar no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças brincam,&lt;br /&gt;Se divertem com embalagens.&lt;br /&gt;O pai apanha, amarra,&lt;br /&gt;Amarrota e acumula,&lt;br /&gt;Subjuga as fibras pardas&lt;br /&gt;Aos fios do compacto.&lt;br /&gt;Como é o teu nome? - É João.&lt;br /&gt;E o teu? - É Tico. E tem out’o&lt;br /&gt;Que é Ciço, de Pad’e Ciço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5383656226892421127-12173176987747115?l=marcosleonel.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marcosleonel.blogspot.com/feeds/12173176987747115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5383656226892421127&amp;postID=12173176987747115' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/12173176987747115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5383656226892421127/posts/default/12173176987747115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marcosleonel.blogspot.com/2008/07/das-correspondncias-alguns-teorizam-que.html' title=''/><author><name>Marcos Vinícius Leonel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07238726295752285419</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_ozw_AzUekFk/SCDLyOuLH4I/AAAAAAAAAEQ/8X6Ao8rEMlU/S220/Digitalizar0002.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
